Apostila UNIJUÍ - Sistema integrado de informações
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dos poderes dos Estados Unidos da América é a liderança do G8.
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SISTEMA INTEGRADO DE INFORMAÇÕES
O segundo protagonista da formação do poder sobre o planeta é o Vaticano. A Igreja
deseja o seu poder medieval de volta. Para esse fim tentou estabelecer aliança com a Comu-
nidade Européia, mas esses países não conseguem se ligar uns aos outros. Agora, mais
recentemente, as tratativas são com os Estados Unidos da América. E qual é o poder de
Roma? São na verdade dois poderes: o ecumenismo, ou seja, a unificação da cristandade, e
o diálogo inter-religioso, a unificação dos cristãos com as demais formas de religião.
O intuito dessa unificação global é criar condições para um pensamento religioso
comum, no qual se buscará desenvolver uma nova cidadania, coerente com as necessidades
da globalização. Assim, os interesses das grandes nações, das corporações e das igrejas se
encontram e se tornam reciprocamente atraentes.
Pois bem, esse contexto todo requer que cada organização que nele tenha interesses a
estruturação de sofisticados sistemas de informação. Agora é necessário saber que inten-
ções correm por trás dos bastidores de cada ator que busca posição nesse novo espaço glo-
bal. Pode-se entender que a briga, que recém começou, será dramática. Se a vitrine está
anunciando que se busca com a nova ordem mundial a \u201cPaz e a Segurança\u201d, pelo visto o
caminho pode estar levando a qualquer outro lugar, menos a este.
Seção 3
Globalização, processo decisório e poder político
Já vimos algo sobre a globalização, não é mesmo? Ela iniciou-se logo após a Segunda
Guerra Mundial, quando ocorreu uma acelerada expansão dos negócios entre as nações
via suas empresas de grande porte. Houve então o incremento da internacionalização da
economia, a abertura dos países aos negócios com outras nações, o crescimento dos inves-
timentos externos via bolsas de valores.
Acrescentaremos agora a sua dimensão política, isto é, algumas contradições relacio-
nadas com os interesses dos cidadãos do mundo distribuídos em seus respectivos recantos.
A globalização está sendo conduzida pela economia, portanto reflete os seus interesses, que
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são basicamente de lucro com acumulação de capital em confronto com a natureza e a
sociedade. Ou seja, se não for regulamentada e devidamente controlada, a natureza e a
sociedade, das quais a economia vive, serão de tal forma exauridas pela economia globalizada
que ela própria entrará em situação caótica. Pois bem, qual o papel do Estado nesse cenário
global?
Retrocedamos um pouco na História. Durante os anos 80 do século passado, o Japão
surpreendeu o mundo com um novo paradigma industrial. Combinava a produção flexível
com a gestão por meio de sistemas informatizados, buscando elevar a produtividade e redu-
zir os desperdícios. O resultado foi a universalização desse novo paradigma, a
desregulamentação, a privatização e desestatização, a concorrência estonteante entre
corporações e conglomerados transnacionais, e a incapacidade de competição das médias e
pequenas empresas.
Os mercados foram sendo integrados, ligados por redes de comunicação informatizadas.
Essas interligações favoreceram a mobilidade do capital, bem como das informações e do
conhecimento, contexto altamente favorável à formação de consórcios de empresas, como
as joint ventures. Essas alianças são de natureza estratégica, visam a ações no presente e no
longo prazo, com efeitos de natureza global. Visam, também, à globalização dos mercados e
à interposição de dificuldades à entrada de novos grupos concorrentes. De fato, as forças
mais ativas no processo da globalização são esses conglomerados. Na verdade, são eles que
estão conduzindo a formação do mercado global. Os Estados vêm a reboque dessas empre-
sas, servindo como espectadores, quando muito como ilustre convidados e para dar apoio
quando necessário. Devido ao tamanho desses conglomerados e respectivas empresas, o
Estado vê-se como refém, tendo de ajudá-los caso enfrentam dificuldades financeiras, pois
se não forem socorridos podem dar início a um processo financeiro caótico na sociedade
nacional e até global.
O poder tecnológico, científico, econômico e de mercado desses conglomerados é for-
mado por meio da escala operacional transcontinental, desenvolvimento tecnológico, por
meio de fusões e incorporações. Corporações há que possuem ativos financeiros superiores à
maioria dos bancos centrais de países não industrializados ou em processo de industrializa-
ção. O funcionamento de seu processo administrativo deve ser entendido em forma de rede.
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Ela é formada por computadores pelos quais fluem as informa-
ções, as transações, os capitais, os investimentos, os pagamen-
tos e acima de tudo, os segredos estratégicos de seu poder com-
petitivo. Assim se expande a riqueza à velocidade não de carim-
bos e papéis, e sim da Internet.
A globalização não só é uma ten-
dência irreversível como deve ser enca-
rada como desejável. Os Estados, no en-
tanto, devem part ic ipar com maior
efetividade. Devem participar porque não
serão os conglomerados a se preocuparem com as questões so-
ciais, os problemas da fome, do desemprego por substituição
de postos de trabalho por equipamento e pela produtividade
dos processos de produção, queda dos níveis salariais, perda
generalizada dos benefícios sociais conquistados ao longo de
décadas, das favelas, da violência, efeitos colaterais do desen-
volvimento desregrado e descontrolado. Outras conseqüências
desses efeitos colaterais do desenvolvimento promovido pela
globalização são a destruição da natureza, a poluição do ar, da
água e do solo, a destruição da camada de ozônio, o efeito estu-
fa, as catástrofes naturais, as megalópoles e seu caos no trânsito,
doenças que antes não preocupavam, e assim por diante. Deve-
ria se falar também nas drogas, criminalidade, corrupção, terro-
rismo, e muito mais. Perguntas assustadoras são as seguintes:
como enfrentaremos a nossa primeira crise econômico-financei-
ra de grandes proporções nos tempos de globalização? Que papel
terá o Estado numa situação dessas? E o que acontecerá à popu-
lação em geral? Quem suportará essa conta? Aos Estados, em
conjunto, cabe organizar o processo de globalização de modo
que ele mesmo não cometa autofagia de mercado, destruindo-se
a si próprio pela natureza de seus princípios de ganhar sempre
mais, a qualquer custo.
Autofagia de mercado
É uma concorrência aviltante,
exacerbada, em que algumas
empresas procuram tirar
outras do mercado, mas essas
outras fazem o mesmo. A
expressão poderia ser substi-
tuída por canibalismo, pois as
empresas buscam a falência
recíproca umas das outras. É
uma prática decorrente da
ambição pelo controle do
mercado e da ganância pelo
lucro.
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Anote em seus pensamentos o seguinte: não é necessário para competir que os traba-
lhadores percam suas conquistas salariais e outros benefícios, porém se alguma região do
mundo resolver inundar o restante do planeta com produtos fabricados em condições
sociais atrasadas, em que os trabalhadores ganham pouco e têm poucos direitos, o resto
do mundo ou acompanha essa prática ou perde competitividade e empregos em seus ter-
ritórios nacionais. É, portanto, uma questão social de Estado para políticas sociais e
econômicas globais. Qualquer um pode perceber que se trata de uma situação de complexi-
dade assustadora. Ou seja, é quase algo assim: como fazer para deter um terremoto? Em
outras palavras, como reorientar um tremendo processo global de polarização e de exclusão
social? A questão aqui não é de simples competição, que não equilibra a economia, e sim de
regras internacionais para que a globalização não venha a brevemente globalizar uma crise
econômica e social em dimensões jamais vistas.
Com a globalização migram de um lugar para outro o capital
financeiro e industrial, a tecnologia e os empregos.