Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários
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Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários


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crescimento; o PIB apresentou crescimento; a Renda per capita
cresceu...
No entanto, a discussão do Desenvolvimento inc lui outras preocupações,
notadamente, no campo do bem-estar da sociedade. Pensando sobre os mesmos indicado-
res citados anteriormente, devemos considerar o que houve com as pessoas do país: não
houve desenvolvimento se a inflação cedeu por causa de uma política recessiva que elevou
o desemprego; o PIB elevou-se por maior produtividade obtida à custa das conquistas
trabalhistas e intenso subsídio à mecanização substi tuidora de mão-de-obra e a renda por
habitante cresceu ainda mais porque as pessoas deixaram o país ou pereceram vítimas da
exclusão sofrida.
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 A literatura econômica justifica a intervenção governamental pelo fato de que o Mercado não funciona idealmente e que, mesmo que
funcionasse, não geraria justiça social. Assim, cabe ao governo estabelecer e garantir as regras do jogo e desempenhar as funções
econômicas de promoção da eficiência produtiva, da eqüidade social e do crescimento econômico com estabilidade.
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Evidentemente que o exemplo acima é exagerado, porém
tem valor mnemônico: não adianta considerar somente alguns
aspectos quantitativos através de indicadores selecionados e a
partir daí deduzir que, se estes indicadores melhoraram, o país
cresceu e, logo, desenvolveu-se. Até porque os indicadores são
falhos, limitados e algumas vezes não medem sequer o que se
propuseram a mensurar. Isto ocorre, por exemplo, com o PIB que
não inclui a produção das donas de casa.
Devemos abandonar os indicadores quanti tativos? Não.
E até pelo contrário. Devemos aperfeiçoá-los e expandir o rol
dos existentes. Devemos criar mais indicadores, que dêem con-
ta, o melhor possível, da apreensão da realidade. O que não
podemos é deixar de olhar a realidade em sua r iqueza de deta-
lhes e sua imensa diversidade e reduzi-la a uns poucos indica-
dores. Até porque, talvez não se tenha como medir de forma
objetiva a liberdade de um povo e seu prazer em viver, mas
contudo, pode-se ter uma noção através do grau de democra-
cia ou do índice de suicídios. Neste sentido, entre outros, os
indicadores de saúde, de concentração de riquezas, de empre-
go, de alfabetização, de escolaridade, de mortalidade por do-
enças cuja erradicação já é possível no mundo são de grande
valia.
O exposto teve o intuito somente de situar a discussão: o
Governo é o responsável pela condução da vida econômica. Isto,
pode ser encarado como promoção do Desenvolvimento Econô-
mico, abrange necessariamente todos os aspectos da vida. Não
basta somente o Crescimento, é preciso também o Desenvolvi-
mento Econômico. Mas será isto suficiente? Infelizmente, não.
Veremos por que.
Mnemôn ico
Relativo à memória,
que auxilia a memória.
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3.1.4 \u2013 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL
O Desenvolvimento Econômico além de existir, deve ser de tal maneira que não se
instabilize ou cesse facilmente. Deve, portanto, ser sustentável.
Assim, entramos na discussão do Desenvolvimento Sustentável e que, para nossos
fins, basta levarmos em consideração que necessariamente deve englobar:
a) Sustentabilidade Política: o processo deve ocorrer dentro de um regime político que con-
tribua efetivamente para o bem-estar dos cidadãos de seu país e dos outros países. Isto
parece suficiente para excluir regimes não democráticos da lista.
b) Sustentabilidade Social: que diz respeito à possibilidade dos seres humanos atingirem
pleno desenvolvimento em suas faculdades físicas, psíquicas, intelectuais e espirituais,
satisfazendo suas necessidades não só básicas mas também as mais elevadas.
c) Sustentabilidade Ambiental: que se relaciona à manutenção, senão mesmo à amplia-
ção, de todo o ambiente no seio do qual a Humanidade vive. Qualquer ação que agrida
ou destrua a Natureza de maneira que nos prive, ou às gerações futuras, desta base, não
mais pode ser tolerada.
d) Sustentabilidade Dinâmica: Este termo, usado de maneira provisória, substitui neste
texto, ao antigo conceito de Sustentabilidade Econômica e, ao referir-se à forma como a
produção é obtida/mantida ao longo do tempo, aproxima-se à idéia de \u201cmodelo econômi-
co\u201d. Assim, por exemplo, um país capitalista pode optar por um desenvolvimento voltado
para fora através de exportações ou para dentro, através do abastecimento do mercado
interno prioritariamente, usando como sustentáculo de tal estratégia o setor primário
(agropecuária), o secundário (indústria) ou o terciário (comércio e serviços).
3.1.5 \u2013 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO INTEGRADO
Além de ser sustentável \u2013 permanecer ao longo do tempo \u2013 e, até por isto, o Desenvol-
vimento precisa ainda ser Integrado. Isto pressupõe duas dimensões:
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a) Integrado Inter-economicamente: ou seja, relativo à integração de um espaço econômi-
co com outros, por exemplo, entre municípios; entre áreas locais ou regionais; entre paí-
ses; entre continentes ou hemisférios;
b) Integrado Intra-economicamente: ou seja, relativo à integração dos componentes cons-
tituintes da dinâmica econômica, no sentido de complementaridade sistêmica, por exem-
plo, os três setores (primário, secundário e terciário); as atividades dentro dos setores (no
primário, agricultura e pecuária) e mesmo as esferas Estado e Iniciativa Privada.
Resumindo: o governo é o responsável pela obtenção e manutenção de um quadro
estável de desenvolvimento sustentável e integrado. Isto significa que deve buscar
obter êxito nesta tarefa, evidentemente dificílima, senão mesmo impossível. O que o
Governo não deve é desviar-se desta meta. Não se pode cobrar-lhe que faça sozinho;
não se pode deixá-lo exigir que outros executem a tarefa; não se pode permitir que
confunda governar com gerenciar interesses particulares próprios ou de grupos
poderosos em detrimento da sociedade como um todo.
3.1.6 \u2013 O ESTADO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
E como os Governos têm tentado cumprir sua tarefa? O Governo é parte do Estado
(sentido amplo) e utiliza-se do que se convencionou chamar máquina ou aparelho de Esta-
do. Este, será aqui abordado, segundo dois aspectos:
a) Esfera de Competência: Quanto às esferas de competência entende-se aquele conjunto
de questões das quais o Estado deve se ocupar. Este rol de questões tem-se revelado extre-
mamente flexível no decurso da história. No entanto, concorda-se que a Iniciativa Priva-
da e o Estado dividem todas as tarefas. Será mesmo?
Atualmente, o debate \u201cmacroeconômico\u201d gira em torno do papel do Estado, da Inici-
ativa Privada, do Terceiro Setor (incluindo as ONGs), envolvendo níveis intermédios tais
como a concepção de espaço público não-estatal onde anteriormente via-se somente Esta-
do ou Livres Forças de Mercado [nomenclatura, aliás, que deixa antever uma separação
visceral entre Estado (aparelho ou instrumento) do Governo e o \u201cresto\u201d da Sociedade].
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E ainda devemos considerar, neste tópico, que no Brasil, por exemplo, temos ainda
uma outra forma de compartimentalização das esferas de competência do governo, já dividi-
da em funções Executiva, Judiciária e Legislativa. Trata-se da existência de níveis de Go-
verno/Estado: Governo Federal ou União (Nacional); Governos Estaduais (Subnacionais,
assim como dos Territórios) e Governos Municipais (Locais).
b) Dimensões: Na questão do tamanho do Estado, considera-se não só sua participação
relativa na produção ou seu orçamento total em contraste com o PIB mas também seu
número de trabalhadores, os ramos nos quais atua (produção direta e indireta), número
de agências e organismos, etc. Porém, já que \u201cvida econômica\u201d deve ser entendida de
modo amplo, a medida do tamanho do Estado deve ser acompanhada também de indica-
dores da quantidade e qualidade de regras que o Governo submete à sociedade (constitu-
cionais ou não?); as formas destas regras (Leis ou