Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários
106 pág.

Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários


DisciplinaAdministração110.084 materiais783.907 seguidores
Pré-visualização23 páginas
as operações são balizadas pelo valor da taxa de câmbio. Sob quais formas o capital estran-
geiro ingressa na economia doméstica? Pode ser de várias formas: como Ajuda Internacio-
nal (doações, etc); Empréstimos ou Financiamentos (moedas), Investimentos Estrangei-
ros Diretos (IEDs), tais como compras de títulos e valores mobiliários (por exemplo, as ações
que se negociam em Bolsas de Valores), visando a aquisição de empresas nacionais, bem
como a instalação de empresas transnacionais (ETNs, equivocadamente chamadas de
multinacionais).
3.2.6 \u2013 CAPITAL ESTRANGEIRO
Desta maneira, observamos que a entrada de dinheiro estrangeiro em uma economia
eleva o nível de suas Reservas Internacionais, ou seja, o estoque de divisas internacionais
que o país tem à disposição para transações envolvendo o exterior. E por que o capital
estrangeiro vai a uma economia doméstica em particular? É difícil precisar todas as razões
mas as mais usuais são as relacionadas com lucros líquidos. Assim, o capital estrangeiro
procura minimizar os riscos e elevar as oportunidades de ganhos. Como isto pode ser feito?
Pelo cálculo de algumas variáveis chaves, por exemplo:
\u2022 nível da taxa de juros interna em relação à externa: quanto maior a taxa de juros inter-
na, maior a possibilidade de auferir maiores ganhos em aplicações em tal economia e não
no exterior;
61
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
\u2022 taxa de câmbio: a taxa de câmbio não deve ser de tal forma que
ao converter a moeda internacional em moeda doméstica, mes-
mo sob altas taxas de juros , o resultado seja valores
inexpressivos de ganhos.
Evidentemente que o capital estrangeiro também quer se-
gurança em que as \u201c regras do jogo\u201d não mudem de maneira a
prejudicá-lo em meio a uma operação ou não o desoriente. Neste
sentido, além das variáveis taxas de juros e taxas de câmbio, pro-
cura-se indicadores de estabilidade do mercado receptor dos re-
cursos. Estas estabilidades são de três tipos:
a) Econômica: alto grau de confiabilidade/previsibilidade em de-
cisões de políticas macroeconômicas, por exemplo, sobre taxas
de juros e de câmbio, de desemprego, de medidas recessivas;
c) Política: garantia de continuidade (ou de mudanças pró inte-
resses dos aplicadores) das regras institucionais vigentes;
d) Social: alto grau de confiabilidade/previsibilidade na manu-
tenção das condições reinantes quando da aplicação dos re-
cursos de modo que instabilidades sociais não projetem suas
conseqüências nas Estabilidades Política e Econômica.
Como última observação neste tópico, devemos atentar para
o fato de que cabe ao Governo/Estado zelar para que não só haja
harmonia na economia interna (entre os três mercados), mas que
a harmonia também exista na interação entre o país e o resto do
mundo. A esta interação entre o país e o resto do mundo, chama-
mos de \u201cinserção internacional\u201d da economia doméstica.
A inserção internacional das economias domésticas atual-
mente é buscada através da formação de blocos econômicos e
este é tema de outra unidade; mas tenhamos em conta a impor-
Au fer ir
Obter, lucrar.
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
62
tância de um governo/estado na condução de tantos processos envolvendo a economia in-
terna e a economia internacional, os laços de interação (comércio exterior, diplomacia...) e
os instrumentos de controle (taxas de câmbio e de juros) e seus efeitos assimétricos para os
agentes envolvidos: bom para uns, não tão bom para outros, insuportável para outros tan-
tos... Será que as livres forças de mercado são capazes de harmonizar tantos interesses de
uma maneira que haja justiça social e os cidadãos tenham seus interesses defendidos dentro
dos parâmetros de direitos e deveres? Como está o seu pensamento a respeito da intervenção
do governo na economia? O que você acha do liberalismo?
Tema (mais um? sim, mais unzinho!):
Eis então o setor externo. Quais as duas letras da FOFA que se aplicam ao âmbito
externo?
O que você consegue pensar sobre esta análise e o Brasil, à luz do que vimos nesta
seção, sobre a economia internacional?
E sobre os Estados Unidos, como seria a mesma análise?
ECONOMIA: Supra-sumo do resumo sintético condensado
 (minimizado e compactado)
O quadro a seguir explicita as relações mais importantes para uma economia tanto
dentro de seu território como com relação aos demais países no contexto internacional.
Procure estudá-lo e aplicar o mapa mental da Fofa.
Pode parecer difícil no começo mas encare como um desafio. Imagine quanta coisa se
tem a dizer sobre estas relações. Imagine o quanto seu conhecimento vai aumentar só de
você dirigir sua atenção e seus esforços para esta análise!
63
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
Figura 5
Economia Doméstica e Res to do Mundo
Fonte: Adaptado de Dornbusch e Helmers, 1988.
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
64
65
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
Unidade 4Unidade 4Unidade 4Unidade 4
A História Como um Processo
Particular no Tempo e no Espaço
Depois desta ducha de economia, você deve estar pensando que estes conhecimentos
precisam ser aplicados a países de verdade. É verdade. Tudo foi muito atemporal, ou seja,
sem localização no tempo. E tudo foi também muito an-espacial, também. Sem referência a
um lugar no espaço. Este é o jeito de se falar \u201cem teoria\u201d.
Mas agora é chegada a hora de aplicar tudo o que foi desenvolvido até aqui. Como
fazê-lo? Fácil! Seguindo a receita de bolo dada logo no início. Fazemos uma
diagnose, uma retrospectiva e nela deixamos identificadas as principais tendências.
Depois, mandamos a fofa para cima dela e pronto. Vamos ver o que vai dar.
DICA:
É sempre importante você estar recapitulando tudo o que foi visto. Com o tempo o
cérebro se acostuma e então as coisas \u201centram mais fácil\u201d na cabeça. Não pense
que se você passar por cima simplesmente depois tudo fica mais fácil. Não! é o
contrário! fica mais difícil!
Portanto, faça apontamentos com caneta em seu caderno. Escreva seus pensamen-
tos e leve o caderno consigo. Consulte. Converse com os colegas. Dissemine seus
novos conhecimentos e perceba que seu próprio saber se amplia.
Como você já sabe, nosso método principal é a análise. Fatiamos as coisas em pedaços
menores. Assim, vamos fatiar também a realidade, pois ela é o nosso objeto. Primeiro fatiamos
no tempo. Depois, fatiamos no espaço.
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
66
Observação:
Para simplificar, já trouxemos prontas as fatias, embora
fosse interessante que você mesmo fizesse outros recortes.
Por que não outra década?
Por que não outros países?
Fatiamos o tempo em décadas a partir da década de 1980. E
fatiamos o espaço em Brasil, América Latina e Países Centrais.
Por que a partir da década de 1980?
Porque segundo nossas análises realizadas anteriormente
em outros momentos de vida acadêmica, esta é uma década onde
tendências de longo prazo foram formadas e outras tendências
também de longo prazo esboroaram-se. A partir daí, a conjuntu-
ra passou a ser dominada por estas tendências dominantes.
E por que Brasil, América Latina e Países Centrais?
O Brasil, porque é a nossa economia. A América Latina por-
que é o contexto imediato do Brasil, os arredores e, com isto, é o
conjunto de países que é visto como sendo uma área comum para
objetivos de política exterior por parte dos demais países. Além
disso, há muitas identidades entre o Brasil e o restante da Améri-
ca Latina, embora haja também discrepâncias importantes. Fi-
nalmente, porque o Mercosul é uma iniciativa regional localiza-
da precisamente na América Latina, alvo também de outras for-
mas de integração, notadamente a Alca.
E países centrais porque o conjunto chamado de G7 (Esta-
dos Unidos , Canadá, Alemanha, França, Inglaterra (Grã-
Bretanha), Itália e Japão) recebe esta denominação de países cen-
Discrepância
Divergência,
disparidade.
67
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
trais no pensamento da Cepal, nossa fonte