Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários
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Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários


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teórica e conceitual. Mas nada impede que você
use outras nomenclaturas ou outros países em suas análises. A nossa é somente um exem-
plo. Tome só o cuidado de fazer suas análises bem fundamentadas, ou seja, \u201ccom funda-
mento\u201d, tchê!
Para pesquisar:
Procure na internet os termos Cepal (Comissão Econômica para América Latina e
Caribe); pensamento estruturalista da Cepal e Sistema Centro-Periferia. Se achar o
nome de muitos brasileiros lá não se espante. Nossa intelectualidade é exportada há
tempos!
Obs.: se não gostar dos nomes ou de algum em particular, não se incomode. Procure
saber se o que a pessoa falou é útil ou não e não se ele fez ou deixou de fazer o que
falou. Isto é outra história.
Seção 4.1
Anos 1980: A Década das grandes Tendências
Um pouco de Brasil... e do mundo: Dívidas
4.1.1 \u2013 DÍVIDA EXTERNA
As Dívidas Externas são os compromissos que os países têm, em ouro ou moedas de
curso internacional \u2013 chamadas divisas internacionais. Tais obrigações podem ser oriun-
das de empréstimos, financiamentos e/ou créditos contraídos perante governos estrangei-
ros, iniciativa privada de outros Estados ou junto a Organismos Internacionais Multilate-
rais (empréstimos e fomento). As dívidas externas, portanto, são importante fator de varia-
ção dos estoques de divisas internacionais das economias domésticas, ou tecnicamente,
Reservas Cambiais.
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O fato da principal moeda de curso internacional ser o dólar, não significa que seja a
única. Várias moedas de credibilidade internacional são utilizadas como divisas, e embora a
questão da credibilidade de uma moeda seja uma questão longe de estar sob consenso, a
única certeza é que moedas de países pobres não são aceitas como divisas. O conjunto de
moedas utilizadas para transações comerciais constitui o que se chama de \u201ccesta de divi-
sas\u201d e é em relação a esta cesta que geralmente as taxas de câmbio são calculadas. Vale
relembrar que as divisas são aceitas para transações externas por causa de acordo de aceita-
ção mútua entre países soberanos e para transações internas do país emissor por causa das
qualidades de \u201ccurso forçado e poder liberatório\u201d que as moedas domésticas possuem.1
A Dívida Externa brasileira
Como ilustrar a existência de Dívida Externa para a vida econômica de um país? No
Brasil, por exemplo, a questão da Dívida Externa pode ser analisada desde a Independên-
cia Política, o financiamento da Inglaterra e o reconhecimento de Portugal. No entanto, a
questão da dívida externa passou a fazer parte do cardápio econômico nacional a partir dos
anos oitenta quando tornou-se uma calamidade. De modo muito sintético podemos locali-
zar a trajetória moderna do endividamento segundo três momentos principais, a partir do
final dos anos sessenta:
a) empréstimos privados junto à comunidade financeira internacional com garantia do Go-
verno Federal para alavancagem da produção e elevação das Reservas Internacionais. Além
de empréstimos e financiamentos governamentais para expansão da infra-estrutura pro-
dutiva e de transporte;
b) empréstimos de empresas estatais junto à comunidade financeira internacional, inde-
pendentemente de uma coordenação central mas com consentimento do governo;
c) estatização da dívida: o governo assume em nome do Estado brasileiro a responsabilida-
de pelo pagamento dos débitos de suas empresas estatais e pelo repasse dos valores equi-
valentes à dívida da iniciativa privada em divisas internacionais, os quais foram alvos de
negociação e emissão de títulos.
1
 Não discutiremos neste texto a questão de que alguns países utilizam como moeda doméstica moedas emitidas por outros países. Mas
vale considerar que este fato ilustra geralmente a dependência destes países, gerada de diferentes formas ao longo de seus passados
históricos (colonialismo, guerra, imperialismo, imposição/aceitação...).
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Quando as empresas tomavam empréstimos no exterior, o Estado brasileiro era o
avalista. Quando a empresa não pagava, a dívida ficava para o Brasil. E quando ela pagava,
o governo não repassava as divisas e assumia a dívida.
Já nos anos oitenta, quando da abrupta elevação das taxas de juros internacionais
por parte dos EUA, a dívida externa brasileira já estava estatizada, passando a ser, portanto,
um problema do Governo... e, por extensão, da sociedade brasileira. Era mais um laço a
prender o país em uma situação de dependência.
4.1.2 \u2013 DÍVIDA INTERNA
São as obrigações do Estado para com credores internos dos quais o Governo tomou
empréstimos ou financiamentos ao necessitar de moeda nacional para fazer frente as suas
despesas de Consumo e Investimento. A Dívida Interna é apenas uma modalidade dentre
outras às quais o Estado pode lançar mão para captação de recursos:
a) Emissão Primária: é a fabricação de moeda por parte do Estado. A emissão de moeda
pode ser fator inflacionário no caso de sua quantidade já ser superior àquela que seria
suficiente para fazer a economia funcionar (liquidez) e/ou no caso de sua taxa de cresci-
mento exceder à do crescimento do produto. Em ambos os casos, para que a quantidade
de produto possa ser comprada pela quantidade maior de moedas (parametrizada por
uma velocidade constante de circulação de moeda), é necessária uma elevação dos preços
praticados na economia;
b) Tributação: a elevação da tributação traz como conseqüências a elevação da insatisfa-
ção popular e, particularmente, de alguns poderosos grupos de interesses, bem como um
aumento da sonegação. Desta maneira, tanto pode resultar em maiores gastos do gover-
no em sistemas/aparatos de controle para combater à sonegação quanto em resultados
nulos no esforço de maior arrecadação no caso de a sonegação se generalizar. De qual-
quer forma, mesmo que somente alguns poucos segmentos sejam efetivamente tributa-
dos, a insatisfação social será potencializada dado que uma maior carga tributária abre
espaço para aglutinar forças contra tal expediente;
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c) Colocação de Títulos: é a captação de recursos que, ao contrário dos obtidos por emissão
ou tributação, devem ser pagos posteriormente. A venda de títulos implica que estes de-
vem ser atrativos para o consumidor (geralmente o Sistema Financeiro) e isto é obtido
através da elevação da taxa de juros. Evidentemente que a maior taxa de juros passará a
agir sobre a própria dívida interna e para o resto da economia.
4.1.3 \u2013 DÍVIDAS SOCIAIS
Como visto anteriormente, o Governo é parte da sociedade e tem responsabilidade
quanto ao desenvolvimento da economia, o que implica dizer, que deve zelar pelos interes-
ses sociais. Para executar suas funções, utiliza do aparelho de Estado e faz uso dos instru-
mentos de política econômica, como taxa de juros, taxa de câmbio, políticas fiscal e mo-
netária, etc., no sentido de fazer funcionarem o melhor possível os três grandes mercados da
economia, os mercados de Ativos, de Trabalho e de Bens e Serviços. Assim, sempre que um
Estado e, portanto, o Governo não cumpre ou cumpre mal sua função de zelar pelos interes-
ses da sociedade como, por exemplo, ao cuidar de interesses sem significado social, defender
interesses de grupos específicos em detrimento do interesse geral da sociedade ou omitir-se
quanto as suas responsabilidades, sua atitude (ação ou omissão) gera Dívida Social.2
O termo Dívida Social é, desta maneira, um conceito relativo à situação do governo
de não fazer ou fazer mal aquilo para o qual está lá para fazer. Evidentemente esta é uma
definição somente para aproximação ao tema e não deve ser tomada de modo absoluto, pois
não considera que a promoção do desenvolvimento pode implicar em custos sociais que
depois serão sanados no decorrer e pelos resultados do próprio processo. Assim, por exem-
plo, uma reserva de mercado pode privar o consumidor de um determinado bem ou puni-lo
com preços mais elevados durante algum tempo. No entanto,