Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários
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Apostila UNIJUÍ - Globalização e análise de cenários


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Collor de Mello na presidência. Depois, Itamar Franco, FHC
(2x), LulaLá (2x)...
Pois é, era uma onda \u201cmundial\u201d, ou seja, um imposição da economia internacional.
Mas, independentemente disto, o que você achou? Foi bom para o Brasil? Foi ruim?
Além da discussão do tamanho do setor público na economia (gastos públicos, défi-
cit público, número de trabalhadores...), a reforma do estado em suas razões de orçamen-
to, ou seja, adequar o que deve fazer com o que se tem recursos para fazer, inclui em suas
tarefas passar para a iniciativa privada algumas de suas funções (desestatização/
privatização), redistribuir outras tarefas entre os poderes estaduais e municipais e mesmo
abandonar algumas (das quais se responsabilizaram as ONGs, organizações não-gover-
namentais).
Mas, apesar de toda esta discussão sobre a reforma do estado, devemos atentar que o
alvo das reformas não é a instituição estado e sim, a máquina do estado, o seu aparelho. O
estado nacional continua sendo o principal ator no cenário internacional. Mesmo com a
integração econômica, o que acontece é a aproximação entre os países, maior ou menor
comércio, mais fluxos financeiros ou não e assim por diante.
Pensemos na América Latina. Será que o Mercosul dissolveu o Brasil? Ou será que o
Brasil usa o Mercosul para se fortalecer enquanto país?
Recordemos um pouco.
 
GLOBA LIZ AÇÃ O E ANÁ LISE DE CENÁ RIOS
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Em meados da década de 1980, logo após a Guerra das Malvinas, o Brasil aproximou-se
diplomaticamente da Argentina. Toda a América Latina sofria com o endividamento externo,
inflação alta e baixos níveis de crescimento. A aproximação política possibilitou um tipo de
processo de integração que, pretendia-se, fosse mais que comercial, fosse realmente econômica.
Este tipo de processo chamou-se Programa de Integração e Cooperação Econômica e
foi realizado entre os presidentes do Brasil (José Sarney) e da Argentina (Raul Alfonsín).
Constituía-se o Pice através de protocolos que visavam, inclusive, a formação de empresas
conjuntas. A parceria podia ser resumida assim: ajudar o outro país a complementar sua
economia. Isto se traduzia em o Brasil ajudar a Argentina em sua industrialização e esta,
por sua vez, auxiliar nosso país a desenvolver e fortalecer sua agricultura e pecuária. Por-
tanto, o lema não era competir mas sim, complementar.
Com o lançamento da Alca por parte dos Estados Unidos e a nova mentalidade adota-
da por Argentina (Menen) e Brasil (Collor de Mello), o Pice foi esvaziado e ganhou força o
Mercosul. Neste arranjo econômico o lema é a competição e não, a complementação das
economias.
Em que pese seu caráter inicial de estratégia governamental com objetivos de amplia-
ção do mercado interno, o Mercosul realiza-se através do mecanismo de forças de mercado
(demanda e oferta) e o ambiente externo é de forçar esta integração para um tipo de Zona
de Comércio.
O Mercosul foi a forma escolhida pelo Brasil para promover o desenvolvimento econô-
mico doméstico e ao mesmo tempo a inserção internacional. Para tanto, é preciso que haja
uma posição forte dos países em torno de um líder. O Brasil quer este papel, mas também o
quer a Argentina, a Venezuela, a Colômbia.
Nesta disputa, atacar um adversário é sempre \u201cpositivo\u201d para um seu adversário. Por
exemplo, quando o Paraguai reclama do Brasil, embora não tenha talvez, resultados práti-
cos para si, isto ajuda a desgastar a imagem de nosso país frente à opinião internacional.
No mesmo sentido, quando Hugo Chávez ou Evo Morales \u201cpanfleteiam\u201d na América Latina
\u2013 ou mesmo agridem a imagem do Brasil (estaríamos por um acaso, falando da Petrobrás
fora do país...?) \u2013 o resultado é o mesmo: melhor para a Argentina.
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Para refletir:
Releia o texto sobre Alca e Mercosul. Consegue ver o ambiente externo,
por exemplo, a ação dos Estados Unidos, como uma ameaça ao projeto
do Brasil de formar um Mercado Comum?
No mesmo sentido, a tentativa de crescimento de popularidade na Améri-
ca Latina como lideranças dos demais países por parte de Venezuela e
Colômbia é também uma ameaça às aspirações internacionais do Brasil
de líder dos demais países da região?
 
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Globalização e Análise de Cenários
Ah, esta globalização. E os cenários...
Parece Música dos Titãs... Tudo ao Mesmo Tempo, Agora!
Depois de tudo o que vimos, a projeção de cenários, embora complexa, não é mais tão
misteriosa. E nem é nenhum bicho-de-sete-cabeças também.
Vamos repassar os conhecimentos:
\u2022 Identificar tendências de longo prazo;
\u2022 Separar em âmbito doméstico e ambiente externo;
\u2022 Procurar indícios que ajudem a classificar o país como sujeito internacional ou como
objeto de política internacional;
\u2022 No ambiente doméstico, mapear as forças e as fraquezas.
\u2013 Para tanto, deve-se observar quais os objetivos do governo e como ele está conseguindo
(ou não) concretizar suas políticas macroeconômicas, a saber, a política fiscal, a mone-
tária, a cambial e a comercial. Está promovendo o crescimento da economia? Está com-
batendo o desemprego? Está saneando seu déficit público ou pelo menos mantendo-o
aceitável? Como anda sua popularidade?
\u2022 No ambiente externo, procurar detectar as ameaças e as oportunidades.
\u2013 Para isto, devem ser observados quais os objetivos externos do país e como ele está
lidando com os desafios. Quais as coisas que complicam a consecução destes objetivos?
E quais a favorecem?
Unidade 5Unidade 5Unidade 5Unidade 5
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BRASIL 
Lula faz sucessor 
* Com Apoio Congresso 
Nacional 
* Sem Apoio Congresso 
Nacional 
Lula não faz sucessor 
* PT é forte no Congresso 
Nacional 
* PT é fraco no Congresso 
Nacional 
Mantém Políticas 
Altera Políticas 
Polítíticas são 
Alteradas 
 
Políticas são 
Mantidas 
 
A confecção e análise de cenários é uma arte. Como toda arte, é preciso uma parte de
técnica e uma parte de intuição, instinto.
Neste curso, desenvolvemos a parte técnica, no sentido de apontar para onde o analista
deve olhar, para onde deve voltar sua atenção, no sentido de captar as tendências de longo
prazo e os rumos possíveis e mais prováveis dos acontecimentos. O resto é capacidade analítica,
sagacidade e informação. Muita informação. A informação deve ser mastigada bem, digerida e
metabolizada e, então, utilizada para rechear os cenários com explicações pertinentes.
Atente para os dois esquemas a seguir.
Esquema 1
Esquema 2
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Os esquemas 1 e 2 ilustram para onde o analista deve olhar. São somente alguns
exemplos e nunca um cenário poderá ser exaustivo.
Evidentemente que, primeiro se olha para alguns aspectos da realidade, depois, se
\u201ccalcula\u201d quais são suas probabilidades (reais chances) de se concretizarem e em seguida,
verifica-se quais as conseqüências no panorama que se sugere ante nossos olhos.
Neste trabalho todo, a visão histórica, fundada em um diagnóstico bem feito, é funda-
mental, pois localiza as forças que agem e as tendências que se formam. Por isso, também,
podem surgir \u2013 e surgem \u2013 diferenças entre os cenários criados por analistas.
Um exemplo muito interessante é o cenário relativo à própria \u201cglobalização\u201d: enquan-
to alguns analistas insistem que o processo que se entende por globalização nem merece
este nome e que pode representar apenas uma fase da história, sendo inclusive, bem possível
que retroceda em um futuro distante, outros, por sua vez, insistem que a globalização é um
fato e um processo irreversível, que não há volta.
Mas estes são cenários muito distantes. Para o futuro próximo, todos concordam que
a globalização veio para ficar. Simplesmente porque as forças envolvidas continuam presen-
tes e até mais fortalecidas. Assim, é pouco provável que este processo simplesmente se esva-
zie ou retroceda.
O mesmo ocorre com a integração econômica. Mas com uma diferença.