531591_Artigo 15 - Vascular
18 pág.

531591_Artigo 15 - Vascular


DisciplinaFisioterapia8.911 materiais25.543 seguidores
Pré-visualização4 páginas
O uso da compressão na Insuficiência venosa nos membros inferiores 
 
Introdução 
 
 A terapia da compressão remonta a um passado distante. Hipócrates (377-460 D. C.) foi, 
provavelmente, o primeiro que associou veias varicosas com úlcera de perna e sugeriu o 
uso de bandagem de compressão, para tratar os sintomas do distúrbio venoso. 1 
 Em 1798, Richard Wiseman comprimiu a perna de um paciente, com uma tira de couro 
de cachorro, para a cura de úlcera de origem venosa. Mas foi após a vulcanização da 
borracha, em 1839, que Charles Goodyear, tratando-a com enxofre e calor, tornou-a mais 
resistente e durável, facilitando a sua aplicação. O dia do nascimento da meia elástica, 
ocorreu em 26 de outubro de 1848, quando o inglês Willian Brown de Middelsex aplicou 
e patenteou um produto que chamou de \u201cElastic Stockings\u201d e, posteriormente, Jonathan 
Sparks desenvolveu fios de borracha envolvidos com algodão, tornando a meia mais 
confortável. 2 
Em 1951, Conrad Jobst, um alemão naturalizado americano, marca presença importante 
na história da compressão. Jobst era portador de insuficiência venosa nos membros 
inferiores, que se agravou com o surgimento de uma úlcera em um deles. Na busca de 
solução para seu desconforto, descobriu que obtinha alívio, quando colocava sua perna 
doente dentro de uma piscina e, fazendo uso de sua inteligência científica, concluiu que o 
aumento da força da pressão hidrostática em torno das pernas poderia ser igualado à 
pressão hidrostática da água, enquanto permanecia em pé na piscina. Disto surgiu o 
\u201cPerfil de compressão ou o Gradiente de Compressão\u201d, perfil este que é usado, nos dias 
de hoje, para fabricação de toda meia terapêutica. O gradiente é a compressão graduada 
exercida pela meia no membro conforme a Figura 1, onde a compressão máxima é no 
 1
tornozelo e vai decrescendo em direção à coxa, orientando o fluxo sanguíneo venoso no 
retorno ao coração. 3,4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 1 \u2013 Gradientes de compressão da meia 
elástica. 
 
 
Conceito de compressão 
 
Compressão seja ela elástica ou inelástica, é a aplicação de uma força em uma área da 
superfície corpórea, sendo esta pressão exercida e transmitida aos tecidos, devendo ser 
suficientemente forte para: adequar o balanço hidrostático da pressão intravenosa, retirar 
o edema do membro, orientando o fluxo venoso de retorno e não afetar o suprimento 
arterial. Este efeito demonstra que a compressão não é um tratamento etiológico, sendo 
apenas sintomático. 5 
 2
 
Tipos de compressão 
 
 As meias são classificadas, segundo Guideline on compression: 6 
- Meias elásticas \u201cpreventivas\u201d: têm menos de 15 mmHg de compressão e, para o seu 
uso, dispensa-se o receituário médico. 
- Meias elásticas \u201cterapêuticas\u201d: sua compressão no tornozelo está acima de 15mmHg e, 
para serem utilizadas, necessita-se de orientação médica. 
- Meias elásticas anti- trombóticas : são específicas para prevenção do tromboembolismo 
venoso e têm uma compressão única de 18-23 mmHg no tornozelo. 
 
Mecanismo de ação 
 
 A terapia de compressão é considerada padrão-ouro no tratamento clínico da 
insuficiência venosa dos membros inferiores 7. O mecanismo de ação das meias elásticas 
não está totalmente esclarecido. Somente nos últimos anos é que se começou a elucidar 
alguns mecanismos de atuação. A terapia de compressão ameniza o edema 8 e, quando as 
meias elásticas são bem aplicadas, provocam o estreitamento das veias, como foi 
demonstrado com a flebografia 9 e duplex scan. 10 
 Utilizando um método não invasivo, a pletismografia a ar, têm-se como avaliar os 
seguintes efeitos de uma meia elástica: redução do volume do membro, melhora do 
refluxo venoso e a potencialização da fração de ejeção da panturrilha. Tudo isto ficou 
bem demonstrado por Christopoulos 11.Os efeitos da compressão na microcirculação 
incluem o aumento do fluxo sanguíneo nos capilares, redução da filtragem capilar e 
melhora da reabsorção pelo aumento da pressão tecidual, ativando a drenagem linfática 
local e os efeitos dos mediadores envolvidos na resposta inflamatória local. Nota-se um 
 3
aumento na velocidade do fluxo microcirculatório, analisando-se a ação da compressão 
na microcirculação dos membros inferiores, através da fluxometria doppler laser.12 
Em artigo original 13, demonstramos que a meia elástica atua apenas enquanto esta sendo 
utilizada e que este efeito acaba 1 hora após a sua retirada. 
Ataduras 
 De acordo com Cleusa Belczak 14 ataduras são tiras de tecido elástico ou inelástico 
cujo formato permite adaptar-se ao contorno circunferencial dos membros. Elas requerem 
um treinamento prévio para sua colocação, para aplicá-las mal, o melhor é não fazê-la. 
Tem a vantagem de adaptarem a qualquer irregularidade anatômica do membro. A 
atadura ideal deve ter alta elasticidade longitudinal, ligeira oblíqua e nenhuma 
transversal. Quanto menor o grau de elasticidade de uma atadura mais profundamente ela 
atuará, as ataduras de alta elasticidade são terapêuticas quando aplicadas superpostas uma 
sobre as outras. 
 Von Gregory 15 as classificou conforme a sua elasticidade: 
- Inelásticas (inextensível) 
- Baixa elasticidade (pouco extensível) \u2013 menos que 70% de extensibilidade. 
- Média elasticidade (medianamente extensível) \u2013 entre 70 e 140%). 
- Alta elasticidade (muito extensível - mais de 140%). 
No mecanismo de ação das ataduras é muito importante definir o conceito de pressão de 
trabalho e pressão de repouso. A pressão de repouso é a pressão externa constante 
exercida pelas ataduras elásticas, atua primariamente nos vasos superficiais, ao contrario 
da pressão de trabalho, a de repouso exerce uma pressão constante e é tanto mais intensa 
quanto mais forte for aplicada no membro. A pressão de trabalho é uma pressão 
 4
temporária que é produzida durante a contração dos músculos do membro, o qual a 
atadura oferece uma resistência contra a expansão do músculo. A pressão de trabalho é 
tanto mais intensa quanto menor elasticidade a atadura tiver. Portanto, uma atadura 
inelástica ou de baixa elasticidade, tem uma alta pressão de trabalho e uma baixa pressão 
de repouso: por sua vez, uma atadura de muita elasticidade tem alta pressão de repouso e 
quase nenhuma pressão de trabalho, por esta razão não é permitido que o paciente venha 
dormir com ataduras elásticas, pois a pressão de repouso pode prejudicar o afluxo arterial 
no membro. No caso das ataduras de média e alta elasticidade a sua atuação mais nos 
tecidos superficiais e as inelásticas ou de baixa elasticidade atua nos tecidos mais 
profundos. 16 
Nas ataduras de alta elasticidade foi desenvolvida figura geométrica que orientam a 
percentagem de estiramento na colocação. Possuem retângulos verticais que, quando 
estirados se transformam em quadrados. Estas ataduras são, na verdade, as únicas que 
garantem uma mesma tensão e, pelo desenho, orientam o nível de superposição sempre 
igual. 
O uso das ataduras na pratica clínica requer um treinamento prévio do profissional da 
área de saúde. Elas devem sempre ser colocados no sentido pé \u2013 joelho, de acordo com a 
sua elasticidade, não pode ser utilizada durante a noite ao deitar, é o caso das ataduras de 
média e alta elasticidade, nas inelásticas pode permanecer dia e noite. 
Portanto as ataduras são um instrumento terapêutico excelente, mas deve ser aplicado por 
pessoa treinada, escolher a elasticidade ideal, pois quando colocada de maneira 
inadequada, pode servir como um garrote, dificultando e impedindo o retorno venoso do 
membro. 
 5
A prescrição da meia 
 
 O comitê europeu de normatização (CEN) 17 é uma entidade que reúne profissionais 
experientes de 20 países e tem por objetivo estabelecer normas na terapia da compressão 
que vão da fabricação à padronização dos níveis de compressão e a tudo mais que se 
refere à meia elástica