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usando-se tabelas de letras ou figuras quando a criança vier para consulta de revisão nos 
intervalos sugeridos no sub-item 4.1. Devem ser encaminhadas ao oftalmologista: crianças de 3 a 
5 anos que tenham acuidade inferior a 20/40 ou diferença de duas linhas entre os olhos e crianças 
de 6 anos ou mais que tenham acuidade inferior a 20/30 ou diferença de duas linhas entre os 
olhos. 3, 23, 27, 28, 29 [D]. 
4.3.5 Avaliação da audição 
Há evidências de que o rastreamento universal da audição em recém nascidos é 
efetivo.30,31 [B]. 
Para mais informações sobre a avaliação da criança em relação à audição leia o item 7 
deste protocolo. 
4.3.6 Aferição da pressão arterial 
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença freqüente no adulto e é o fator de 
risco mais importante para o desenvolvimento de aterosclerose, de doença coronariana, de 
insuficiência cardíaca, de acidente vascular cerebral e para a progressão de doença renal 
crônica.32 A equipe de atenção primária à saúde tem um papel fundamental na detecção dos 
casos de HAS, através de medidas corretas e seqüenciais da pressão arterial (PA) 33 [D]. 
Há consenso na literatura, mas sem embasamento em estudos bem delineados, de que a 
pressão arterial deve ser aferida a partir dos 3 anos de idade, nas consultas de rotina. Sugerimos 
ANAMNESE, EXAME FÍSICO E ACONSELHAMENTO ANTECIPADO NAS CONSULTAS SUBSEQÜENTES 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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que se faça uma medida aos 3 anos, outra no início da idade escolar (6 anos) e outra na 
adolescência (aos 12 anos)1, 33[D]. 
Recomendamos consultar o anexo 6 e 7 para instruções sobre a correta técnica de 
aferição e avaliação da PA em crianças. O quadro a seguir apresenta a classificação da PA em 
menores de 18 anos. 
 
Quadro 1. Classificação da pressão arterial em menores de 18 anos33 
Média das 2 últimas de 3 aferições da Pressão Arterial na consulta Definição 
PA sistólica e diastólica < percentil 90 Normal 
PA sistólica média e/ou diastólica média entre o percentil 90 e 95 Normal alta 
PA sistólica média e/ou diastólica média > percentil 95 Alta ou hipertensão arterial 
 
4.3.7 Rastreamento para Criptorquidia 
A criptorquidia isolada é a anomalia congênita mais comum ao nascimento.34 A migração 
espontânea dos testículos ocorre geralmente nos primeiros 3 meses de vida (70 a 77% dos casos) 
e raramente após os 6-9 meses.34, 35 Se os testículos não foram palpáveis na primeira consulta ou 
forem retráteis, o rastreamento deve ser realizado nas visitas rotineiras de puericultura3,34,36,37[B]. 
Se aos 6 meses não forem encontrados testículos palpáveis no saco escrotal, é necessário 
encaminhar à cirurgia pediátrica para tratamento. Se forem retráteis, devem ser monitorados a 
cada 6 a 12 meses entre os 4 e 10 anos de idade, pois pode ocorrer da criança crescer mais 
rápido que o cordão espermático nesta idade e os testículos saírem da bolsa escrotal34 [D]. O 
tratamento precoce da criptorquidia com cirurgia resulta em grande diminuição de câncer de 
testículos e problemas com a fertilidade em adultos34 [D]. 
4.4 Aconselhamento antecipado 
Embora considerado importante para promoção da saúde e valorizado pelos pais, os 
profissionais destinam um tempo desprezível à orientação preventiva.1 Em consultas de atenção 
primária, não podemos deixar de abordar quatro itens fundamentais: dar atenção à queixa 
principal, revisar os problemas já apresentados, enfatizar a prevenção e promoção oportunas e 
estimular a mudança de hábito na busca por cuidado38 [D]. 
As orientações baseadas em fortes evidências de acordo com a faixa etária são as 
seguintes: 
4.4.1 Posição para dormir 
Os pais e cuidadores devem ser alertados quanto ao risco de morte súbita em crianças até 
4 meses e de que a melhor maneira de prevenir é colocando a criança para dormir de \u201cbarriga 
para cima\u201d (posição supina), e não de lado ou bruços. Deve-se evitar o co-leito. A cama/berço 
deve ser firme, e não deve haver lençóis ou cobertores frouxos ou objetos macios em volta da 
criança3,10 [B]. 
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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4.4.2 Prevenção de infecção viral respiratória 
A lavagem de mãos por todas as pessoas que têm contato com o bebê deve ser orientada 
em todas as visitas de puericultura, com o objetivo de evitar a propagação de vírus causadores de 
doenças respiratórias39,40 [A]. 
4.4.3 Aconselhamento para evitar gravidez 
Não há evidências de estudos originais que recomendem o aconselhamento para evitar 
gravidez na adolescência. Um consenso sugere que aconselhamento preventivo seja dado em 
visitas rotineiras a partir dos 12 anos, ou antes, se a criança estiver sexualmente ativa. Devem-se 
abordar os diferentes métodos contraceptivos, lembrando que o melhor método para evitar 
gravidez nessa faixa etária é a abstinência3 [D]. 
4.4.4 Aconselhamento para evitar o uso do tabaco 
Não há evidências de estudos originais que avaliem que o aconselhamento para que 
crianças ou adolescentes evitem o uso de tabaco seja efetivo, porém é consenso que a partir dos 
10 anos deve-se abordar o assunto nas consultas médicas rotineiras3 [D]. Por outro lado, há 
diversos ensaios clínicos randomizados que demonstraram que intervenções na família podem 
prevenir o fumo em adolescentes41 [A]. 
4.4.5 Aconselhamento para realizar atividade física 
Em crianças de 2 a 18 anos, deve haver aconselhamento para realização de 30 a 60 
minutos por dia de atividade física moderada ou vigorosa, apropriada para idade, entre 3 e 5 vezes 
por semana. Esta atividade pode ser cumulativa durante o decorrer do dia, somando as horas de 
atividade física na escola com as extra-classe42,43 [A]. 
Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, as crianças e 
adolescentes aparentemente saudáveis podem participar de atividades de baixa e moderada 
intensidade, lúdicas e de lazer, sem a obrigatoriedade de uma avaliação pré-participação formal 44 
[D]. É importante que algumas condições básicas de saúde \u2013 como uma nutrição adequada \u2013 
estejam atendidas para que a atividade física seja implementada. O risco de complicações 
cardiovasculares na criança é extremamente baixo, exceto quando existem cardiopatias 
congênitas ou doenças agudas. A presença de algumas condições clínicas, tais como asma, 
obesidade e diabetes melito, exigem a adoção de recomendações especiais, que devem ser 
identificadas e quantificadas [D]. 
4.4.6 Aconselhamento para não ingerir bebidas alcoólicas 
A Força Tarefa Americana concluiu que não há evidências suficientes para recomendar o 
rastreamento do uso de bebidas alcoólicas por adolescentes45 [D]. Por outro lado, em crianças de 
7 a 12 anos, é de fundamental importância reforçar a prevenção e educação para evitar o uso 
abusivo de bebidas alcoólicas, tanto através da abordagem no núcleo familiar, quanto na 
escola3,14,46,47 [B]. 
ANAMNESE, EXAME FÍSICO E ACONSELHAMENTO ANTECIPADO NAS CONSULTAS SUBSEQÜENTES 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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4.4.7 Aconselhamento em relação a hábitos alimentares (Ver item 9) 
4.4.8 Aconselhamento e prevenção de lesões não intencionais (Ver item 12) 
 
Referências 
1. BLANK, D. A puericultura hoje: um enfoque apoiado em evidências Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, 
v. 79, p. S13-S22, 2003. Suplemento n. 1. 
2. Grupo Hospitalar Conceição. Serviço de Saúde Comunitária. Monitoramento e Avaliação. Indicadores de 
Saúde: relatório 2006. Porto Alegre, 2007. 
3. INSTITUTE FOR CLINICAL SYSTEMS IMPROVEMENT. Health care guidelines: preventive services for 
children and adolescents. Disponível em: <http://www.icsi.org/>. Acesso em: 06 de maio 2008. 
4. PORTO ALEGRE. Secretaria Municipal de Saúde. Serviço de Saúde 
Comunitária do GHC. A atenção à saúde da criança de zero a cinco anos de idade. Porto