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da menarca2,7 [B]. 
Diante disso, optamos por recomendar o rastreamento sistemático para anemia apenas 
para crianças de risco (quadro 1). Recomendamos que o rastreamento para essas crianças de 
risco ocorra na consulta de 9 ou 12 meses, se não tiverem tido suplementação, ou aos 15 meses 
de vida, se tiverem tido suplementação de ferro, continuando anualmente até os 5 anos de idade. 
Recomendamos também rastreamento para as meninas na consulta dos 12 anos. 
Abaixo, apresentamos um quadro que estratifica as crianças pela faixa etária, sexo e 
fatores de risco e apresenta a conduta diante da necessidade de rastreio e suplementação. 
 
Quadro 1. Classificação das crianças conforme idade, presença de fatores de risco para anemia e conduta 
diante da necessidade de suplementação e rastreamento2, 3, 4, 8 [D] 
Classificação Conduta 
GRUPO 1 (< de 12 meses) 
A.Crianças em aleitamento materno (exclusivo até os 6 
meses) 
 
 
B.Crianças em uso de fórmulas com leite de vaca não 
enriquecidas com ferro 
 
 
C. Prematuros sadios e bebês pequenos para idade 
gestacional (PIG) 
 
 
D.Prematuros com história de hemorragia perinatal; 
gestação múltipla; ferropenia materna grave durante a 
gestação (Hb <8); hemorragias uteroplacentárias; 
hemorragias neonatais (ou múltiplas extrações sangüíneas) 
 
A. 1-2 mg/kg/dia de ferro dos 6 aos 24 meses. Se 
não tiver sido suplementada, solicitar hemograma 
entre 9 e 12 meses. 
 
B. 1-2 mg/kg/dia de ferro dos 4 aos 24 meses. Se 
não tiver sido suplementada, solicitar hemograma 
entre 9 e 12 meses. 
 
C. 2mg/kg/d após 1 mês de vida, por 2 meses, 
depois reduzir para 1-2mg/kg/d, até 24 meses. 
Solicitar hemograma aos 15 meses. 
 
D. 2-4 mg/kg/dia de ferro dos 2 aos 6 meses, 
quando deve ser solicitado hemograma. Se normal, 
reduzir a dose para 1-2mg/kg/dia até os 24 meses; 
se anemia, manter dose de tratamento. Nova 
pesquisa de anemia aos 15 meses. 
GRUPO 2 (risco em > 24 meses) 
Dieta pobre em ferro (vegetarianos, excesso de laticínios 
[mais de 2 copos de leite por dia ou equivalente] e 
carboidratos, baixa ingestão de frutas e verduras), pica, 
infecções freqüentes, hemorragias freqüentes ou profusas 
(epistaxes, sangramentos digestivos), cardiopatias 
congênitas cianóticas, uso prolongado de AINE e/ou 
corticóides por via oral, fatores ambientais (pobreza, acesso 
limitado a alimentos) 
 
Solicitar hemograma e agir conforme o resultado. 
Sugere-se pesquisa anual neste grupo de risco até 
os 5 anos de idade. Tratar anemia com 3mg/kg/dia 
de ferro e aconselhar os pais sobre dieta rica em 
ferro. 
GRUPO 3 ( meninas > 11 anos) 
Mulheres não grávidas em idade fértil - rastrear para anemia 
a cada 5 -10 anos. 
 
Solicitar hemograma e agir conforme o resultado. Se 
anemia, tratar com 60-120mg/dia de ferro. 
 
Atenção: crianças advindas de áreas endêmicas de malária devem primeiro ser tratadas adequadamente para malária 
para depois receber suplementação de ferro. 
5.2 Exames de fezes e comum de urina (EPF e EQU) 
Não há documentação científica de que a realização rotineira destes exames, em crianças 
e jovens assintomáticos, tenha qualquer impacto em sua saúde. Muitos protocolos recomendam, 
com bases empíricas, a realização de exames qualitativos de urina e testes rápidos para triagem 
de bacteriúria assintomática, mas sem especificar os benefícios clínicos com a realização desses 
exames. O exame parasitológico de fezes pode ser realizado em crianças que vivam em áreas de 
alto risco, mas não existem recomendações a respeito da freqüência ideal 8 [D]. 
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
44 
5.3 Perfil lipídico 
Sabe-se que metade das crianças com dislipidemia tornar-se-á adulto dislipidêmico. O 
tratamento da dislipidemia na infância tem-se mostrado eficaz em diminuir os níveis de lipídeos em 
populações selecionadas, mas nenhum estudo avaliou o impacto deste tratamento em desfechos 
clínicos (p.ex. eventos cardiovasculares) na infância ou idade adulta 11. 
A Academia Americana de Pediatria divulgou nova recomendação em julho de 2008 sobre 
rastreamento e tratamento de colesterol para crianças. Recomenda pesquisar o perfil lipídico 
(colesterol, HDL, triglicerídeos e LDL) em crianças e adolescentes cujos pais ou avós 
apresentaram doença cardiovascular precoce (antes de 55 anos para homens e 65 anos para 
mulheres) ou cujos pais tenham níveis de colesterol total acima de 240mg/dl. Também recomenda 
pesquisar pacientes cuja história familiar é desconhecida ou com outros fatores de risco para 
doença cardiovascular, incluindo obesidade, hipertensão ou diabete. O rastreio seria a partir dos 2 
anos de idade, a cada 3-5 anos. Ao invés de ponto de corte fixo para o valor normal, recomenda 
avaliar os níveis de lipídeos específicos para idade e sexo (sendo anormal acima do percentil 95 e 
limítrofe entre o 90 e 95)12 [D]. A introdução de tratamento farmacológico a partir dos 8 anos, com 
estatinas, se as medidas dietéticas e exercícios não se mostrarem eficazes, foi a recomendação 
mais controversa deste consenso13. 
A Força Tarefa Americana concluiu que a evidência é insuficiente para recomendar a favor 
ou contra o rastreio rotineiro de dislipidemia em crianças e adolescentes (até os 20 anos) 9 [D]. 
Exatamente pela falta de boas evidências sobre o assunto, os consensos diferem em suas 
recomendações. O Previnfad 10 descreve recomendações de algumas importantes instituições 
internacionais, que consistem na solicitação de colesterol total ou colesterol total e HDL como 
screening ou já do perfil lipídico completo a partir dos 2 anos de idade para crianças e 
adolescentes de risco (obesos, tabagistas, com pais ou avós dislipidêmicos ou com doença 
cardiovascular precoce), seguido por tratamento, se necessário, que vai desde dieta até 
tratamento farmacológico. 
Diante da falta de evidências consistentes, recomendamos considerar a solicitação de 
colesterol total em crianças filhas de pais dislipidêmicos (com posterior solicitação de perfil lipídico 
completo se colesterol total \u2265 percentil 90-95) e perfil lipídico em crianças obesas ou cujos pais ou 
avós apresentaram doença cardiovascular precoce (<55 anos em pais ou avôs ou <65 anos em 
mães ou avós) aos 2 anos, entre 4 e 6 anos, entre 7 e 9 anos e aos 12 anos, tratando conforme os 
resultados. 
SOLICITAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
45 
Quadro 2. Distribuição dos valores normais de lipídeos e lipoproteínas em indivíduos de 5 a 19 anos 
conforme sexo e faixa etária 12 
 
 
Homens 
 
Mulheres 
 
IDADE 5-9 a 10-14 a 15-19 a IDADE 5-9 a 10-14 a 15-19 a 
Colesterol 
total mg/dl 
 
 Colesterol 
total mg/dl 
 
P 50 153 161 152 P 50 164 159 157 
P 75 168 173 168 P 75 177 171 176 
P 90 183 191 183 P 90 189 191 198 
P 95 186 201 191 P 95 197 205 208 
Triglicerídeos 
mg/dl 
 
 Triglicerídeos 
mg/dl 
 
P 50 48 58 68 P 50 57 68 64 
P75 58 74 88 P75 74 85 85 
P 90 70 94 125 P 90 103 104 112 
P 95 85 111 143 P 95 120 120 126 
LDL mg/dl 
 
 LDL mg/dl 
 
P 50 90 94 93 P 50 98 94 93 
P 75 103 109 109 P 75 115 110 110 
P 90 117 123 123 P 90 125 126 129 
P 95 129 133 130 P 95 140 136 137 
HDL mg/dl 
 
 HDL mg/dl 
 
P 05 38 37 30 P 05 36 37 35 
P 10 43 40 34 P 10 38 40 38 
P 25 49 46 39 P 25 48 45 43 
P 50 55 55 46 P 50 52 52 51 
P: percentil. 
Adaptado do Lipid Research Clinic Pediatric Prevalence Study 
5.4 Nível sérico de chumbo 
Não existem estudos bem delineados avaliando a efetividade do rastreamento para 
intoxicação assintomática por chumbo em crianças. Entretanto, há estudos documentando as 
conseqüências da intoxicação por chumbo e a efetividade do tratamento com quelantes quando a 
concentração sérica for muito alta 14. 
Crianças de 1 a 5 anos assintomáticas e sem fatores de risco não devem ser triadas para 
plumbemia de rotina 15[D].