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O aleitamento materno é um fator de proteção contra a obesidade em crianças55,22,60 [B]; 
\u2022 Hábito alimentar da família e práticas alimentares de quem cuida da criança61,62. 
A Figura 2 apresenta orientações norteadoras para a prevenção e manejo da obesidade 
na infância e na adolescência. 
9.6.1 Considerações sobre o manejo da obesidade em crianças 
O manejo da obesidade instalada deve ser instituído assim que se faz seu diagnóstico. O 
tratamento convencional baseia-se na redução da ingestão calórica, aumento do gasto energético, 
modificação comportamental e envolvimento familiar no processo de mudança através de um 
plano terapêutico55,56,57,58,59 [D]. 
As dificuldades em lidar com a obesidade infantil constituíram o substrato da construção 
da abordagem desse problema no contexto sócio-familiar, desfocando a criança como responsável 
única por sua obesidade56,58,59. Dessa maneira, busca-se uma perspectiva contextual para melhor 
entendimento da complexidade de fatores que se inter-relacionam, como os biogenéticos, os 
familiares e os psicossociais, que fazem parte da constituição do fenômeno da obesidade. 
O envolvimento familiar é um dos maiores contribuintes para adesão ao tratamento63,56 [D]. 
O profissional de saúde precisa identificar e considerar questões do sistema familiar no processo 
de mudança de hábitos alimentares da criança e de sua família. Para isso, deve observar os 
seguintes aspectos: 
\u2022 Relação emaranhada entre mãe (ou responsável) e filho(a) \u2013 dependência e proteção 
prolongadas em atividades cotidianas e sociais; excesso de proteção e de cuidados na 
alimentação56. 
\u2022 Pais (ou responsáveis) ansiosos, que identificam qualquer choro dos filhos como \u201cchoro de 
fome\u201d e superalimentam as crianças, forçando-as a maior ingestão mesmo quando já estão 
saciadas56. 
\u2022 Pais (ou responsáveis) com dificuldades de colocar limites aos filhos, inclusive na esfera da 
alimentação56. 
\u2022 Ocorrência de trocas afetivas quase que exclusivamente por meio da alimentação56. 
\u2022 Retratação dos familiares obesos e magros, valores e crenças alimentares. Bom observar que 
as comemorações possibilitam identificar os mitos da família, isto é, a reedição do sentido 
simbólico de ser gordo naquele grupo56. Observar como são os familiares50. 
\u2022 Estudo com pré-escolares demonstrou uma relação positiva entre a baixa ingestão de frutas, 
vegetais e grãos integrais e o excesso de peso64. 
Juju
Realce
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
94 
 
Figura 2: Alvos potenciais para a prevenção da obesidade na infância e na 
adolescência56 
 
O tratamento da obesidade na infância deve ser construído em conjunto pelos 
profissionais e pela família, levando-se em consideração que pais, mães, filhos e filhas precisam 
ser acolhidos e compreendidos em suas histórias, em seus sofrimentos, conflitos, valores, crenças 
e saberes. Constitui-se uma estratégia facilitadora da relação entre o profissional e a família do 
paciente, na tentativa de que a intervenção não se torne uma ameaça à identidade do grupo 
familiar. Sendo assim, é importante que se observe: 
\u2022 A intervenção inadequada como o uso de dietas prontas, imposição de dietas rígidas e 
restritivas dificulta a adesão e pode levar ao prejuízo do crescimento e redução da massa 
muscular, bem como ao desenvolvimento de comportamentos inapropriados52,55,56,58 [D]. 
\u2022 A educação nutricional é de extrema importância e visa a habilitar o indivíduo a organizar e 
controlar sua alimentação mantendo a rotina diária. Esse processo estimula mudanças no 
hábito e no comportamento alimentares de forma lenta e gradual56 [D]. 
\u2022 Todas as mudanças devem ser discutidas com o paciente. As negociações com a criança, 
juntamente com suas famílias, são fundamentais para manter a confiança56 [D]. 
\u2022 Deve-se respeitar e perceber o momento de vida de cada paciente, levando em conta sua 
ansiedade, sensibilidade emocional e, principalmente, capacidade de compreensão e de 
execução das novas propostas alimentares56 [D]. 
\u2022 Os alimentos diet não estão indicados para as crianças, pois, além de não contribuírem na 
modificação do hábito alimentar, esses produtos podem não apresentar nenhum impacto na 
redução da ingestão total de calorias. Ademais, contêm adoçantes que não foram 
 
 
Estilo de vida 
saudável 
Aumentar o 
consumo de 
frutas, vegetais e 
cereais integrais 
Evitar e limitar o 
consumo de 
refrigerantes 
Diminuir o 
tamanho das 
porções dos 
alimentos 
Evitar o hábito de 
comer assistindo 
TV 
Diminuir a 
exposição à 
propaganda de 
alimentos 
Respeitar 
a 
saciedade 
da criança 
Realizar 
atividades no 
horário do recreio, 
após escola e nos 
fins de semana 
Criar 
áreas de 
lazer 
De preferência, 
caminhar ou andar 
de bicicleta em vez 
de usar o carro 
 
Promover 
atividades 
familiares 
Educação física 
voltada para a 
promoção da 
saúde na escola 
Atividades físicas 
estruturadas 
Diminuir o 
comportamento 
sedentário 
Estabelecer e 
respeitar horário 
das refeições 
Limitar o consumo 
de alimentos ricos 
em gordura e 
açúcar (que têm 
elevada 
densidade 
energética) 
Promoção da Alimentação 
saudável 
Prevenção de ganho de peso 
excessivo 
Estimular gasto energético 
Aumentar atividade física 
Juju
Realce
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
95 
suficientemente estudados para que se possa usá-los à longo prazo com segurança na faixa 
etária pediátrica56 [D]. 
\u2022 Relacionar a quantidade e freqüência de ingestão dos alimentos contraindicados50 (ver passo 
8) com o estado nutricional e intervir no equilíbrio da oferta de alimentos não nutritivos e 
alimentos recomendados (ver recomendações segundo faixa etária) [D]; 
\u2022 Relacionar o tamanho das porções de todos alimentos50 e intervir na diminuição das porções 
dentro do possível de acordo com as circunstâncias56 [D]. 
 
Referências: 
 
1. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2002. 
2. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para 
crianças menores de dois anos. Brasília: Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde; 
2002. 
3. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Complementary feeding of young children in developing 
countries: a review of current scientific knowledge. Geneva: World Health Organization; 1998. 
4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento De Nutrologia. Manual de orientação: 
alimentação do lactente, alimentação do pré-escolar, alimentação do escolar, alimentação do 
adolescente, alimentação na escola. São Paulo, 2006. 
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Agenda de Compromissos para a Saúde 
Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil. Brasília, DF: Ed Ministério da Saúde, 2004. 
6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na 
Adolescência. Arquivos Brasileiros de Cadiologia. Vol.85, suplemento VI, Dezembro, 2005. 
7. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global strategy on infant and young child feeding. Geneva, apr. 
2002. disponível em :http://www.who.int/nutrition/topics/global_strategy/en/index.html. Acesso em 
17/07/2008. 
8. BROWN,KH EL AL. Sate of the art review paper for the meeting on Consultation on complementary 
feeding. Montpellier: [s.n.], 1995. 
9. MONTE, C. M. G.; GIUGLIANI, E. R. J. Recomendações para alimentação complementar da criança em 
aleitamento materno. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. v. 80, n. 5, p. :S131-141, 2004. Suplemento. 
10. WORLD HEALTH ORGANIZATION. The optimal duration of exclusive breastfeeding. Geneva, 2001. 
Disponível em: <http://www.who.int/inf-pr-2001/en/note2001-07.html>. Acesso em:17/07/2008. 
11. KRAMER, M. S.; KAKUMA, R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database of