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e suplementação. 
Quadro 2. Classificação das crianças conforme idade, presença de fatores de risco para anemia e conduta 
diante da necessidade de suplementação e rastreamento, 3, 6, 8,9 [D] 
Classificação Conduta 
GRUPO 1 (< de 12 meses) 
A.Crianças em aleitamento materno (exclusivo até os 6 
meses) 
 
 
B.Crianças em uso de fórmulas com leite de vaca não 
enriquecidas com ferro 
 
 
C. Prematuros sadios e bebês pequenos para idade 
gestacional (PIG) 
 
 
D.Prematuros com história de hemorragia perinatal; 
gestação múltipla; ferropenia materna grave durante a 
gestação (Hb <8); hemorragias uteroplacentárias; 
hemorragias neonatais (ou múltiplas extrações sangüíneas) 
 
A. 1-2 mg/kg/dia de ferro dos 6 aos 24 meses. Se 
não tiver sido suplementada, solicitar hemograma 
entre 9 e 12 meses. 
 
B. 1-2 mg/kg/dia de ferro dos 4 aos 24 meses. Se 
não tiver sido suplementada, solicitar hemograma 
entre 9 e 12 meses. 
 
C. 2mg/kg/d após 1 mês de vida, por 2 meses, 
depois reduzir para 1-2mg/kg/d, até 24 meses. 
Solicitar hemograma aos 15 meses. 
 
D. 2-4 mg/kg/dia de ferro dos 2 aos 6 meses, 
quando deve ser solicitado hemograma. Se normal, 
reduzir a dose para 1-2mg/kg/dia até os 24 meses; 
se anemia, manter dose de tratamento. Nova 
pesquisa de anemia aos 15 meses. 
GRUPO 2 (risco em > 24 meses) 
Dieta pobre em ferro (vegetarianos, excesso de laticínios 
[mais de 2 copos de leite por dia ou equivalente] e 
carboidratos, baixa ingestão de frutas e verduras), pica, 
infecções freqüentes, hemorragias freqüentes ou profusas 
(epistaxes, sangramentos digestivos), cardiopatias 
congênitas cianóticas, uso prolongado de AINE e/ou 
corticóides por via oral, fatores ambientais (pobreza, acesso 
limitado a alimentos) 
 
Solicitar hemograma e agir conforme o resultado. 
Sugere-se pesquisa anual neste grupo de risco até 
os 5 anos de idade. Tratar anemia com 3mg/kg/dia 
de ferro e aconselhar os pais sobre dieta rica em 
ferro. 
GRUPO 3 ( meninas > 11 anos) 
Mulheres não grávidas em idade fértil - rastrear para anemia 
a cada 5 -10 anos. 
 
Solicitar hemograma e agir conforme o resultado. Se 
anemia, tratar com 60-120mg/dia de ferro. 
Atenção: crianças advindas de áreas endêmicas de malária devem primeiro ser tratadas adequadamente para malária 
para depois receber suplementação de ferro. 
 
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SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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Desta forma, sugerimos que todas as crianças em acompanhamento neste serviço sejam 
suplementadas com 1-2mg/kg/dia de ferro a partir dos 6 meses (1-2mg/kg/dia a partir dos 4 meses 
se não estiver em aleitamento materno exclusivo ou 2-4mg/kg/dia a partir dos 2 meses se 
prematuros ou com baixo peso ao nascer) até os 24 meses de idade [D]. Recomendamos reservar 
a administração semanal de ferro para esta faixa etária, na dose de 25mg/semana, para situações 
em que a suplementação diária gerar baixa adesão, pela ausência de evidências consistentes em 
relação a esta posologia. 
10.2 Suplementação de vitamina D 
Atualmente, não se dispõem de evidências científicas que avaliem a recomendação de 
suplementação universal de vitamina D no Brasil2,11 [D]. 
O raquitismo atribuído à baixa ingestão de alimentos ricos em vitamina D e restrição a 
exposição solar é uma condição prevenível, mas que continua ocorrendo, mesmo em países 
desenvolvidos11, 12, 14. 
Os hábitos sedentários, a urbanização e o medo da violência fazem com que as crianças 
fiquem restritas em casa12. Estudo norte-americano estima que a quantidade de luz solar 
necessária para prevenir a deficiência de vitamina D, naquela latitude, seja de 0,5 a 2 horas por 
semana (17 min/dia), com exposição apenas da face e mãos do bebê13. Se o bebê estiver usando 
apenas fraldas, a exposição deve ser de 30 min/sem (4 min/dia). É importante lembrar que 
crianças com pele escura podem requerer 3-6 vezes a exposição de bebês de pele clara para 
produzir a mesma quantidade de vitamina D11, 12. Porém, a Academia Americana de Pediatria 
recomenda evitar exposição solar direta dos bebês até 6 meses, pelo risco cumulativo de câncer 
de pele \u2013 o que a faz recomendar suplementação de 400 UI/dia de vitamina D a todas as crianças 
(mesmo aquelas amamentadas ao peito) a partir dos primeiros dias de vida, até a adolescência14 
[D]. 
Recomendamos administrar 200-400 UI/dia de vitamina D a crianças com risco 
aumentado, ou seja: prematuros, crianças de pele escura, crianças com exposição inadequada à 
luz solar (por hábitos culturais ou porque use filtro solar em todos os passeios ao ar livre) e filhos 
de mães vegetarianas estritas que estejam sendo amamentados11 [D]. 
10.3 Suplementação de vitamina A 
No Brasil, não existe uma recomendação universal. O Ministério da Saúde, através do 
Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A15, busca reduzir e controlar a deficiência 
nutricional de vitamina A em crianças de 6 a 59 meses de idade e mulheres no pós-parto imediato 
(antes da alta hospitalar) residentes em regiões consideradas de risco. No Brasil, são 
consideradas áreas de risco a região Nordeste, o estado de Minas Gerais (região norte, Vale do 
Jequitinhonha e Vale do Mucurici) e o Vale do Ribeira em São Paulo. 
Na população mundial de pré-escolares, estima-se que aproximadamente 127 milhões 
apresentem deficiência de vitamina A (DVA - níveis séricos de retinol <0,7µmol/L) e que 4,4 
milhões apresentem xeroftalmia. As mais altas taxas de prevalência de inadequação de retinol 
sérico neste grupo são registradas no sul e sudeste da Ásia e na África. Na região das Américas, 
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ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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temos 8,2 milhões de crianças acometidas por DVA, merecendo destaque o Brasil, onde é 
estimado que se concentre cerca de 30% dos casos de xeroftalmia desta região16. 
Esta deficiência é a principal causa de cegueira evitável no mundo, estando também 
associada a 23% das mortes por diarréias em crianças10. Reserva adequada de vitamina A em 
crianças e mulheres está associada a mortalidade infantil e materna 23% e 40% menores, 
respectivamente15. O efeito da descoberta da vitamina A como recurso para salvar a vida de 
crianças, através da possibilidade de reduzir a taxa de mortalidade e a incidência e severidade das 
infecções, em especial, as doenças diarréicas e infecções respiratórias agudas, estimulou um 
interesse global no sentido de produzir conhecimento científico sobre a extensão dos benefícios 
da suplementação com vitamina A e de outros micronutrientes, e seu significado para a saúde 
pública16. 
Revisão realizada pelo grupo de estudos sobre a subnutrição da OMS10 avaliou o impacto 
da suplementação de vitamina A em diversos países em desenvolvimento. Em neonatos, a 
megadose de vitamina A administrada reduziu a mortalidade entre 0-6 meses. Entre 1-59 meses, 
reduziu morbidade (redução da diarréia persistente, razão de risco 0,45, IC 95% 021-0,94) e 
mortalidade (risco relativo 0,76, IC 95% 0,69-0,84), efeito mais comum entre 6-11 meses de idade. 
Entretanto, este efeito restringiu-se a populações carentes do sul da Ásia, única região para onde 
a OMS recomendou essa intervenção. 
Considerando-se a etiologia da DVA, existem evidências de que renda e escolaridade não 
sejam os únicos fatores determinantes de sua carência nutricional. Tal constatação reforça que a 
ingestão inadequada de alimentos fonte de vitamina A possa estar mais relacionada a hábitos 
alimentares inadequados do que aos fatores econômicos. Assim, restrições