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alimentares severas e 
inadequadas podem causar deficiências nutricionais importantes, sobretudo de vitamina A, com 
risco de danos irreversíveis ao organismo16. 
A concentração de vitamina A no leite materno varia de acordo com a dieta da mãe. Em 
crianças amamentadas, pode-se aumentar a oferta de vitamina A orientando uma dieta para mãe 
rica nesse micronutriente (fígado, gema de ovo, produtos lácteos, folhas verdes escuras, vegetais 
e frutas cor de laranja) ou suplementando a mãe com essa vitamina2, 15 [D]. Crianças que recebem 
leite materno com quantidade suficiente de vitamina A suprem facilmente a necessidade dela com 
a alimentação complementar 2,15. Após a introdução da dieta, 50 g de fígado de boi por semana 
fornecem quantidade suficiente de vitamina A para lactentes (5-12 meses). (Márcia Vítolo, 
correspondência pessoal). 
A suplementação periódica da população de risco com doses maciças de vitamina A é 
uma das estratégias mais utilizadas para prevenir e controlar a DVA em curto prazo. Segundo o 
Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, a conduta de administração via oral da 
megadose de vitamina A é15: 
\u2022 para crianças de 6 meses a 11 meses de idade: 1 megadose de vitamina A na concentração 
de 100.000 UI; 
\u2022 para crianças de 12 a 59 meses de idade: 1 megadose de vitamina A na concentração de 
200.000 UI a cada 6 meses; 
SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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\u2022 para puérperas: 1 megadose de vitamina A na concentração de 200.000 UI, no pós-parto 
imediato, ainda na maternidade, antes da alta hospitalar. 
A utilização dessas doses é segura e tem baixa incidência de efeitos colaterais. No 
entanto, é necessário cuidado especial no que concerne aos grupos de risco (mulheres no período 
reprodutivo e gestantes) ante os problemas potenciais que esta estratégia pode apresentar como, 
por exemplo, casos de toxicidade até efeitos teratogênicos sobre o feto, no caso de administração 
inadequada a gestantes15. 
10.4 Suplementação de vitamina K ao nascer 
Atualmente, existe informação suficiente para manter a recomendação de administrar 
vitamina K ao nascimento como profilaxia da doença hemorrágica neonatal por deficiência de 
vitamina K11 [B]: 
\u2022 Bebês com idade gestacional >32 semanas e >1000g: 1 mg IM ou EV. 
\u2022 Bebês com <32 semanas e > 1000g: 0,5 mg IM. 
\u2022 Bebês com < 1000g, independentemente da idade gestacional: 0,3 mg IM. 
Se houver recusa dos pais quanto à administração injetável, deve ser garantido o 
fornecimento da vitamina K oral, 2mg ao nascer seguido de 1 mg/sem durante os 3 primeiros 
meses (estas doses repetidas são imprescindíveis nos bebês amamentados ao peito; naqueles 
com outro tipo de alimentação, poderia ser suficiente a dose inicial). 
10.5 Suplementação de zinco 
O papel do zinco na prevenção da morbimortalidade por doenças infecciosas foi 
reconhecido recentemente. Trabalhos foram realizados em populações extremamente vulneráveis 
de países em desenvolvimento, usando suplementação de zinco em diversas apresentações10, 18 
[A]. A OMS, em seu site oficial já incluiu a recomendação de suplementar zinco no tratamento de 
diarréia, além dos sais de reidratação oral19 [A]. 
Entretanto, não há uma recomendação universal quanto à suplementação de zinco para 
população brasileira. Deve-se enfatizar o consumo de alimentos ricos em zinco como carnes e 
vísceras (em especial o fígado) e gema de ovo2 [D]. Produtos vegetais costumam ser pobres em 
zinco, além de ter uma baixa biodisponibilidade, particularmente em cereais e legumes com altas 
concentrações de fitatos (substâncias anti-nutritivas, assim como taninos, oxalatos e fosfatos, 
atrapalham a absorção dos nutrientes, por se ligarem aos minerais, formando complexos). Ao 
contrário do que ocorre com o ferro, o ácido ascórbico não aumenta a biodisponibilidade do zinco2. 
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ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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4. GIUGLIANI, E. R. J. et al. Deficiência de ferro e anemia na infância. In: DUNCAN, B. et al. Medicina 
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