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com a higiene, ausência de proteção contra o frio, 
o calor, privação de alimentos, falta de estímulos e condições para freqüentar a escola. O 
abandono é a forma extrema de negligência. 
\u2022 Sexual: abuso de poder no qual a criança é usada para gratificação sexual de um adulto, 
sendo induzida ou forçada a práticas sexuais de que ela não tem entendimento com ou sem 
violência física associada. 
14.1.1 Formas de violência sexual10 
\u2022 Abuso sexual doméstico ou intra-familiar ou incestuoso \u2013 quando existe laço familiar ou de 
responsabilidade entre a vítima e o agressor. 
\u2022 Abuso sexual extra-familiar \u2013 geralmente o abusador é alguém em quem a vítima confia, 
como: educadores, médicos, colegas, vizinhos, psicólogos. Há também casos de abuso por 
desconhecidos. 
\u2022 Abuso sexual sem contato físico \u2013 assédio, ameaças e chantagens, conversas abertas, 
exibicionismo, voyeurismo, pornografia. 
\u2022 Abuso sexual com contato físico \u2013 carícias nos genitais, tentativas de relação sexual, sexo 
oral, penetração vaginal e anal. 
\u2022 Pedofilia \u2013 atração erótica por crianças, podendo o pedófilo se satisfazer com fotos, fantasias 
ou com o ato sexual. 
\u2022 Exploração sexual comercial ou prostituição \u2013 relação sexual em troca de favores e dinheiro. 
\u2022 Pornografia - uso e exposição de imagens eróticas, partes do corpo ou práticas sexuais entre 
adultos e crianças, outros adultos, animais, livros, filmes, internet. Este crime diz respeito a 
quem fotografa e a quem mostra as imagens. 
\u2022 Turismo sexual \u2013 caracterizado por excursões com fins velados ou explícitos de proporcionar 
prazer e sexo aos turistas. 
VIOLÊNCIA: PREVENÇÃO, MANEJO E IDENTIFICAÇÃO DE VULNERABILIDADE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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\u2022 Tráfico para fins de exploração sexual \u2013 envolve sedução, aliciamento, rapto intercâmbio, 
transferência, hospedagem para posterior atuação das vítimas. 
14.1.2 Outras formas de violência contra crianças: 
Síndrome do bebê sacudido: são lesões de gravidade variáveis que ocorrem quando um 
adulto provoca fortes sacudidas num bebê, em geral menor de seis meses, freqüentemente pela 
irritação com seu choro ou por realizar algum ato sobre o qual não tem domínio, que desagrada o 
cuidador. São seqüelas freqüentes: cegueira ou lesões oftalmológicas, hemorragia de retina, 
atraso no desenvolvimento, convulsões, fraturas de costela, lesões na espinha, lesões ou 
hemorragias cerebrais (hematoma sub-dural) Dependendo da gravidade, este quadro pode evoluir 
para a morte.1,3,9 
Síndrome de Münchausen por procuração: é a condição em que doenças ou sintomas 
são forjados na criança, em geral por suas mães. É um transtorno psiquiátrico da mãe, que 
assume a doença indiretamente, através do filho, exacerbando, falsificando, ou produzindo 
histórias clínicas e evidências laboratoriais causando lesões físicas e induzindo a hospitalização 
com procedimentos terapêuticos e diagnósticos desnecessários e potencialmente danosos para a 
criança. 
Trabalho Infantil: é o conjunto de tarefas de natureza econômica que inibe as crianças de 
viverem sua condição de infância e pré-adolescência. Consiste em tarefas efetuadas de modo 
obrigatório, regular, rotineiro, remunerado ou não, em condições desqualificadas e que põem em 
risco o bem estar físico, psíquico, social ou moral da criança, limitando seu crescimento e 
desenvolvimento saudável e seguro. 
\u201cÉ proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição 
de aprendiz, a partir dos quatorze anos. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais 
prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários 
que não permitam a freqüência à escola\u201d11 
Tráfico de Seres Humanos: é promover ou facilitar a entrada no território nacional de 
pessoa que nele venha exercer a prostituição ou a saída de pessoa que vá exercê-la no 
estrangeiro, incluindo trabalho sem remuneração, forçado, ou escravo, que submeta a pessoa à 
situação em que se utilize ou não o emprego da violência, grave ameaça, ou fraude, com fim de 
lucro, segundo o Artigo 231 do Código Penal Brasileiro.12 
Violência contra estudantes \u201cbullying\u201d: pode se expressar de várias maneiras, tais 
como: implicância, colocação de apelidos, exclusão do grupo, intimidação, assédio, humilhação, 
difamação e agressão física. É um problema mundial, que perpassa todas as classes sociais. Os 
meninos têm mais chance de se envolver que as meninas. Os alvos são em geral pessoas 
inseguras, com auto-estima baixa com pouca habilidade de fazer cessar a violência. Estas 
crianças têm maior chance de apresentar sentimentos de angústia, tristeza e solidão, depressão e 
idéias suicidas.10 
 
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
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14.2 Suspeitando de maus-tratos e violência 
Todos os médicos e profissionais que atendem criança devem estar atentos a sinais e 
sintomas físicos e comportamentais associados a abuso ou negligência, mesmo que até o 
momento não se tenha evidências fortes quanto a este rastreamento13 [D]. A suspeita de maus-
tratos surge, em geral, no momento em que se procede a anamnese ou o exame físico do 
paciente. Muitos sinais e sintomas são inespecíficos. Portanto, é necessário contextualizar a 
situação em que os sintomas se apresentam conhecer os sentimentos e comportamento da 
criança e a forma como ela se relaciona dentro e fora do grupo familiar7 [D]. 
A criança pode ser levada para atendimento por história de falhas no desenvolvimento, 
desnutrição, obesidade, sintomas depressivos, dificuldades no aprendizado, distúrbios de conduta 
ou comportamento, distúrbios do sono, fobias e outros sinais de negligência psicológica ou física. 
Com freqüência, quando a criança é vítima de violência, os adultos responsáveis apresentam 
outras justificativas para o fato ou para os sinais e sintomas de sofrimento freqüentemente 
associados.1 
Sempre se devem associar sinais e sintomas aos indícios que levam a suspeita de 
violência, uma vez que não existem evidências patognomônicas. A identificação das vítimas pode 
ocorrer durante o atendimento em um serviço de saúde, em sua estada na creche, pré-escola ou 
escola. Por isso, é de primordial importância a participação ativa dos profissionais na estratégia de 
atuação coletiva contra a violência, além de constituir uma rede complementar à família.6,7 
Segundo a ABRAPIA1 é preciso que estejamos atentos a mudanças de comportamento e 
aos sinais físicos na criança. Muitas vezes, elas emitem aos adultos a sua volta sinais que avisam 
que algo está ocorrendo para o qual não há possibilidade de formulação verbal do discurso. 
Ao atender um caso suspeito de violência, formular as seguintes questões: 14 
\u2022 A lesão está de acordo com o que está sendo relatado? Há discrepância entre a história e o 
exame físico, as informações fornecidas pelos responsáveis são contraditórias, duvidosas ou 
confusas? 
\u2022 Ela realmente pode ter ocorrido desta forma? 
\u2022 A relação temporal está correta? 
\u2022 Poderia ter sido provocada por violência intencional? 
\u2022 A postura da família está adequada à gravidade do ocorrido? 
\u2022 Houve retardo na busca de auxílio? É inexplicável o atraso entre o "acidente" e a procura de 
tratamento médico? 
\u2022 Existem dados contraditórios na história da lesão? Existe história anterior semelhante? 
\u2022 Os \u201cacidentes\u201d são recidivantes e os irmãos freqüentemente apresentam achados 
semelhantes ou são responsabilizados pelo ocorrido? 
14.2.1 Indicadores de violência física 
As lesões físicas intencionais mais freqüentes são equimoses, hematomas e escoriações, 
em geral encontradas em locais normalmente protegidos, como costas, nádegas, braços, coxas, 
peito face, orelhas, mãos e pés. Mordidas e queimaduras em locais bizarros e a marca do objeto 
utilizado na agressão são de fundamental importância 14.