livroatencaoacrianca
200 pág.

livroatencaoacrianca

Pré-visualização50 páginas
muito, mesmo, de ter sido 
visitada pela agente de saúde. Fiquei 
mais tranqüila, falei sobre o parto e como 
foi no hospital. Achei ótimo que já me 
trouxeram a consulta agendada para o 
dia seguinte. Consultei no sexto dia após 
o nascimento do meu bebê. Achei 
importante ter sido questionada sobre 
como eu estava me sentindo, como 
estava amamentando e quais eram os 
hábitos normais do bebê, principalmente 
de sono e de horário livre pra 
amamentação\u201d 
 
Suzen Vieira, 21 anos, mãe de Eduardo 1mês e 5 dias. Moradora do território da US Jardim Leopoldina 
 
\u201cEu estava um pouco perdida, é meu primeiro filho, não conhecia o Posto e fiz o pré-
natal com médico do convênio. Achei um sinal de interesse e também foi bom que já 
trouxeram a data e hora da consulta marcada. Já fui até lá, fiz o teste do pezinho e a 
BCG e hoje mesmo estou indo consultar. Gostei muito de como fui atendida, vou 
seguir levando meu filho na Unidade Leopoldina\u201d 
 
Elaine Kramer, 35 anos, mãe de Leanderson, 15 dias, moradora do território da US Jardim Leopoldina. 
 
\u201cQuando eu fui visitada, logo após o nascimento do meu filho, eu não estava em casa 
porque ele ainda ficou mais 15 dias no hospital. Mas eu gostei, vi que se interessam 
pela gente. De qualquer maneira, mesmo que eu não tivesse sido visitada, teria ido 
consultar. A gente sabe que tem algumas mães que acham que, como o bebê saiu há 
pouco do hospital, não é preciso consultar em seguida no Posto.(...) imagino que teria 
sido bom se, durante essa visita, fosse falado sobre os cuidados com o bebê, 
principalmente de como cuidar do umbigo, que é uma coisa que me deixava com 
muito medo\u201d 
 
Karina, 24 anos, mãe do Felipe, 1 ano e 5 meses. Moradora do território da US Sesc. 
 
A visita domiciliar é uma das atribuições das equipes de saúde de atenção primária e é 
uma das principais atividades preconizadas para o agente comunitário de saúde pelo MS1. Estudo 
recente evidencia que a visita domiciliar e as atividades que envolvem bebês e crianças são as 
atividades preferidas dos agentes comunitários de saúde de Porto Alegre2. Avaliação realizada no 
Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição confirma e ainda salienta que a 
visita ao recém-nascido é a atividade que mais gratifica o ACS3. Aproximando a equipe de saúde 
do contexto de vida das famílias, a visita domiciliar torna-se um instrumento importante para troca 
de informações vinculadas às necessidades particulares de cada indivíduo, favorecendo, desta 
forma, atividades educativas e mais humanizadas. 
Visitar gestantes e recém-nascidos é uma prática comum em muitos países. Essa 
atividade vem crescendo em função do reconhecimento de que os primeiros anos de vida são 
determinantes na saúde do ser adulto4. 
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA DE 0 A 12 ANOS 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
20 
Revisão de vários estudos, predominando estudos americanos, mostra boas evidências do 
benefício de visitas durante o período pré e pós-natal nas seguintes situações4,5: desenvolvimento 
da parentalidade [B], melhora de alguns problemas de comportamento da criança (segundo os 
pais) [B], melhora no desenvolvimento cognitivo de grupos específicos, como prematuros e 
recém-nascidos de baixo peso [B], redução de lesões não intencionais [A], melhora na detecção e 
manejo da depressão pós-parto [B], melhora na prática de amamentação [A]. A mesma revisão 
identifica evidências inconclusivas em relação ao fato de que a visita domiciliar possa interferir em 
situações como abuso, cobertura vacinal ou redução de hospitalização, pois os estudos revisados 
foram considerados pouco claros em relação à metodologia da visita domiciliar em si (os 
profissionais que devem realizá-la, a maneira como deve ser realizada em cada situação e por 
quanto tempo devem ser realizadas)5. No entanto, encontramos um estudo que mostra um 
desfecho positivo na redução de violência /negligência com crianças, trata-se de um estudo 
realizado nos EUA, onde ocorreram visitas domiciliares realizadas por enfermeiras, 
especificamente para mães adolescentes, primíparas, solteiras e com baixo nível sócio-
econômico8 [A]. Estudo recente realizado no Brasil reforça a importância de identificar sinais de 
depressão materna pós-parto, uma vez que tenha sido identificado um risco aumentado de 
desmame nos primeiros dois meses de vida entre as mães que se apresentam deprimidas6 [B]. 
A partir dos depoimentos das mães, da satisfação dos profissionais em realizar esta 
atividade e das evidências científicas, optamos por recomendar a continuidade desta prática de 
visitar as famílias dos recém-nascidos, desenvolvida há mais de vinte anos no SSC e 
recomendada pelo Programa Pra-nenê da Secretaria Municipal de Porto Alegre7. Enfatizamos que 
as visitas sejam estendidas às gestantes para estimular e auxiliar no preparo para receber o bebê, 
uma vez que alguns desfechos têm fatores que podem ser corrigidos antes do nascimento. 
Salientamos ainda que a maioria dos estudos que avaliou o impacto de VDs na saúde da criança 
utilizou um programa de VDs que iniciou durante a gestação e prolongou-se nos primeiros anos de 
vida5. 
Seguindo as recomendações dos ACS do SSC, depoimentos das famílias e evidências 
científicas, modificamos o conteúdo desta visita, que deverá ser guiada por formulário específico 
(anexo 1) e que tem como objetivo: 
\u2022 facilitar acesso ao serviço de saúde (ver item 16) 
\u2022 possibilitar ou fortalecer vínculo das famílias com as equipes de saúde 
\u2022 escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da família (ver item 1) 
\u2022 estimular o desenvolvimento da parentalidade (ver item 1) 
\u2022 orientar sobre os cuidados com o recém-nascido (ver item 3) 
\u2022 identificar sinais de depressão puerperal (ver item 1) 
\u2022 promover o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida (ver item 9) 
\u2022 prevenir lesões não intencionais (ver item 12) 
VISITA DOMICILIAR PARA A FAMÍLIA DO RECÉM-NASCIDO 
 
APOIO TÉCNICO EM MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE AÇÕES DE SAÚDE DO SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA 
 
21 
Referências 
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa de Agentes Comunitários de Saúde \u2013 PACS. Brasília, DF: Ed. 
Ministério da Saúde, 2001. 
2. FERRAZ, L.; AERTS, D. O cotidiano de trabalho do agente comunitário de saúde no PSF em Porto 
Alegre. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 347-355, abr./jun. 2005. 
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Grupo Hospitalar Conceição. Serviço de Saúde Comunitária. Colegiado 
Multiprofissional de Coordenação dos ACS do SSC/GHC: relatório de avaliação. Porto Alegre, 2005. 
4. NICE. Ante and post-natal home-visiting programmes: a reviews evidence briefing 1st edition \u2013 february 
2004. BULL, J. et al. Ante and post-natal home-visiting programmes: a reviews evidence briefing. 
2004. Disponível em: 
<www.nice.org.uk/aboutnice/whoweare/aboutthehda/hdapublications/ante_and_postnatal_homevisiting_ev
idence_briefing.jsp>. Acesso em: 21/08/2008. 
5. ELKAN, R. et al. The effectiveness of domiciliary health visiting: a systematic review of international 
studies and a selective review of the British literature. Health Technology Assessment, Downey, v. 4, n. 
13, 2000. Disponível em:< http://www.hta.ac.uk/execsumm/summ413.shtml>. Acesso em:20/08/2008 
6. HASSELMANN, M. H.; WERNECK, G. L.; SILVA, C. V. C. S. Symptoms of postpartum depression and 
early interruption of exclusive breastfeeding in the first two months of life. Cadernos de Saúde Pública, 
Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. S341-S352, 2008. Suplemento. 
7. PORTO ALEGRE. Secretaria Municipal da Saúde. Centro de Vigilância em Saúde. Programa Pra-nenê. 
Porto Alegre, 1997. 
8. OLDS, D. L. et al. Long-term effects of home visitation on maternal life course and child abuse and 
neglect: fifteen-year follow-up of a randomized trial. JAMA, Chicago, v. 278, n. 8, p.637-643, aug. 1997. 
 
 
 
 
 
 
A PRIMEIRA CONSULTA DO RECÉM-NASCIDO 
 
APOIO TÉCNICO