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IPEMIG - Metodologia Cientifica - Modulo 2

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IPEMIG - Instituto Pedagógico de Minas Gerais 
Matéria: Metodologia Científica 
Curso: Pós-graduação em Educação Inclusiva Módulo 2 
 
 
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5 - FERRAMENTAS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DO NÍVEL SUPERIOR 
Para Cervo, Bervian e Silva (2007) não se pode deixar de tratar dos conceitos, 
leis, teorias e doutrinas quando estamos falando em Metodologia Científica, mesmo 
porque o profissional do nível superior, principalmente das áreas de ciências 
humanas e sociais, utiliza em seu trabalho, ferramentas teóricas e não ferramentas 
manuais ou técnicas como é característico dos níveis de formação de ensino médio e 
técnico. 
“Ferramentas teóricas são um conjunto de ideias, códigos, símbolos e valores que 
indicam uma série de operações realizáveis, física e/ou mentalmente, a partir da 
manipulação de conceitos abstratos” (FERRARI, 1974, p. 98). 
 
5.2 Conceitos, leis, teorias e doutrinas 
Conceitos ou constructo pode ser entendido como ideia, sentença, opinião 
(FERREIRA, 2004). 
Para Lakatos (1983, p. 99) “conceito expressa uma abstração, formada 
mediante a generalização de observações particulares”. Para os que privilegiam a 
teoria em detrimento da prática, conceito seria uma técnica utilizada para obter ou 
medir alguma coisa para além do próprio fenômeno que descreve. Inversamente, 
para aqueles que privilegiam os fatos em detrimento da teoria, conceito significa uma 
série de operações realizáveis física e/ou mentalmente, empreendidas com a 
finalidade de justificar ou reproduzir os referentes do fenômeno que está definindo. 
Conceitos são construções lógicas, estabelecidas de acordo com um sistema de 
referência e formando parte dele. São considerados, por um lado, como instrumentos 
de trabalho do cientista e, por outro, como termos técnicos do vocabulário da ciência 
(FERRARI, 1974, p. 98). 
De todo modo, cada ciência ou área de conhecimento em particular possui um 
vocabulário técnico específico que precisa ser de domínio comum de seus 
praticantes. 
Poucas ciências, entretanto, conseguem ou podem construir vocábulo e 
conceitos originais, sendo necessário que elas invadam o campo semântico de outras 
ciências, ocorrendo a migração de conceitos ou a apropriação de conceitos de uma 
ciência para outras. 
 
 
 
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Conceito é a pedra angular para a construção das teorias, assim como a família é a 
pedra angular para a construção da sociedade e a célula, a pedra angular para a 
existência dos corpos vivos (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 
Nos processos de observação, descrição, análise, comparação e síntese das 
propriedades gerais e específicas dos objetos, fatos e fenômenos, a ciência encontra 
certas regularidades que, se uniformes, constantes e regulares, possibilitam a 
classificação e a generalização para objetos, fatos e fenômenos semelhantes por 
admitir-se que: 
“se um fato ou fenômeno se enquadra em uma lei, ele se comportará conforme o 
estabelecido na lei” (KNELLER, 1980, p. 94). 
São duas as principais funções da lei: 
1. Resumir grande quantidade de fatos e de fenômenos; 
2. Possibilitar a previsão de novos fatos e fenômenos. 
Desse modo, temos leis gerais para explicar o comportamento dos líquidos, 
dos gases, da matéria, dos grandes números, do movimento etc., bem como 
presumimos leis gerais para explicar a natalidade, a mortalidade, o movimento de 
populações ou o desenvolvimento pessoal e social. 
Quando a lei é abordada pela Metodologia Científica, trata-se de lei científica, 
sem qualquer conotação legislativa ou jurídica, conforme estamos acostumados a 
pensar. As leis científicas são, nas palavras de Montesquieu “as relações constantes e 
necessárias que derivam da natureza das coisas”. As leis exprimem quer relações de 
existência ou de coexistência (a água é um corpo incolor, inodoro, tendo tal 
densidade, suscetível de assumir o estado líquido, sólido e gasoso etc.), quer relações 
de causalidade ou de sucessão (a água ferve a cem graus centígrados, o calor dilata os 
metais, etc.), quer, enfim, relações de finalidade (o fígado tem por função regular a 
quantidade de açúcar no sangue) (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 
Nas ciências experimentais, as leis possuem maior rigor e exatidão do que nas 
ciências humanas e sociais, pois, enquanto estas estão condicionadas, mais ou 
menos, à liberdade humana, aquelas seguem o curso fatal do determinismo da 
natureza. Desse fato, entretanto, não se pode concluir que as ciências humanas e 
sociais se constituam em simples opiniões mais ou menos viáveis. 
As ciências humanas e sociais realizam todas as condições para se 
constituírem em ciência: 
• Os fenômenos que estudam são reais e distintos dos tratados nas 
ciências experimentais; 
 
 
 
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• As causas e as leis descobertas nessa área exprimem relações 
necessárias entre os fatos e entre os atos; 
• Suas conclusões têm um caráter incontestável de certeza, embora de 
ordem diferente da certeza das ciências experimentais. 
As ciências humanas e sociais ocupam, sem dúvida, lugar distinto na 
hierarquia das ciências quanto aos quesitos de precisão, certeza e rigor de seus 
resultados. 
Muitos dos fatos considerados nas ciências humanas e sociais não são atingidos 
diretamente, como os fenômenos psíquicos que apenas se manifestam no 
comportamento. Isso acarreta dificuldades tanto para a experimentação quanto para 
a generalização (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 
Os fatos humanos e sociais implicam maior complexidade do que os 
quantitativos ou físicos. A abordagem e a análise qualitativa comportam algo da 
subjetividade do próprio ser humano, que tende a abordar e analisar os fatos 
orientados por matrizes filosóficas e ideológicas exteriores a eles. Enfim, pode-se 
dizer que as incertezas e as angústias humanas em relação a sua origem, finalidade e 
destino são componentes importantes na determinação do grau de certeza e de 
precisão na pesquisa, uma vez que o rigor metodológico aplicado na condução da 
própria pesquisa é sempre relativo. Essa é a base da origem da diversidade de 
opiniões, por vezes desconcertantes, sobre várias questões das ciências humanas e 
sociais (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 
Os fenômenos físicos, por serem regidos por leis determinísticas, podem ser 
previstos e alguns até provocados para serem mais bem observados; enquanto isso, a 
liberdade, que interfere mais ou menos nos atos humanos, impede que sua previsão 
seja absolutamente exata, tornando apenas aproximativos os cálculos quando 
aplicados às ciências humanas e sociais. 
Finalmente, as ciências da natureza tratam de fatos e objetos materiais que 
podem ser pesados e medidos, ao menos indiretamente. Assim, essa possibilidade de 
quantificação das propriedades físicas atribui aos resultados da pesquisa um pouco 
de rigor matemático. Aos fatos humanos e sociais, por serem essencialmente 
qualitativos, não são aplicáveis os processos de quantificação (pesar e medir). 
Embora sejam generalizadas as relações descobertas em amostras particulares, deve-
se sempre ter em mente que os homens, em tese, mesmo sendo iguais, agem, pensam 
e se organizam socialmente de formas diferenciadas (CERVO; BERVIAN; SILVA, 
2007). 
 
 
 
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Por esses motivos, os resultados, como também as leis das ciências humanas 
e sociais, são mais flexíveis e menos rigorosos, apesar de expressarem suficiente 
estabilidade e constância para se constituírem em verdadeiras ciências. 
O emprego usual do termo teoria opõe-se ao termo prática. Nesse sentido, a 
teoria refere-se ao conhecimento

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