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desigualdade social

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O trabalho (in) dignifica o homem
 No Brasil, existe uma enorme desigualdade social em relação a moradia, ao mercado de trabalho, alimentação, entre outros. No mercado de trabalho em especial, existe uma grande influência nesses diferentes fatores. Pois, senão há uma renda fixa, como seria possível se alimentar, ou ser saudável? Morar em um ambiente confortável? A verdade é que nada disso acontece justamente porque as pessoas que encontram-se fora do mercado de trabalho de modo formal, também chamado de “CLT” (consolidação das leis de trabalho), quando não estão conseguindo atender as suas necessidades básicas buscam alternativas como o “bico” (trabalho informal), trabalho esse que é visto como desagradável, não seguro e muitas vezes como única opção.
 Atualmente, com o avanço das novas tecnologias, é reforçada a ideia da necessidade de qualificação. A pessoa precisa possuir uma espécie de currículo extenso, comunicação impecável, relacionamentos interpessoais espetaculares e ainda que esse indivíduo seja o melhor em uma determinada função, mas não tenha essas características, ele com certeza não atenderá aos mínimos critérios de uma corporação por exemplo. Dessa forma, fica nítido que uma pessoa pobre, ela não tem um emprego, consequentemente não terá recursos para se qualificar, estará fora do mercado de trabalho e precisará buscar alternativas cabíveis através do “bico”. Essas pessoas vivem nas favelas, em condições desconfortáveis, em bairros abandonados pelos governantes, sem segurança e onde a violência predomina. Esses indivíduos têm cor. Os lavadores de carros e os catadores de lixos fazem parte desse contexto. São pobres, desqualificados e muitas vezes não tiveram melhores oportunidades.
Existe um cenário presente na criação do indivíduo pobre, no qual é passado de geração para geração, que eles aprendem o que não devem ser, muito mais do que o que deveriam ser. Isso acontece por conta de estigmas que são postos ao negro, pobre, que são ladrões, vagabundos e no caso das mulheres, prostitutas. Eles passam a vida toda tentando evitar esses caminhos. Alguns se enquadram na fictícia classe média, patamar o qual alguns pobres conseguem ter uma vida razoável, os filhos frequentam escola particular, família bem estruturada, mas em determinado momento os filhos abandonam os estudos e isso pela necessidade de desviar do que é errado, mais do que preocupar-se com o lugar que deveria chegar. Então, existem casos que eles se sentem culpados por estarem desqualificados e nas condições que se encontram, quando não refletem sobre a raiz de toda essa problemática. Para ambos, o trabalho qualquer que seja, já é de bom tamanho, a maior preocupação é está longe da vida do crime. O “bico” traz segurança, ao ser confundido por policiais, como bandidos por exemplo. Também entregam o destino nas mãos de Deus, pois lhe parece incerto. As suas buscas por direitos e dignidade são tão pequenas e aparentemente inalcançáveis, que chega a ser incomodo. 
Além disso, a criação desses indivíduos é muito comum, o que complica ainda mais. Muitos são criados com a ausência de uma figura paterna, com pais alcoólatras, agressivos ou simplesmente com os pais que trabalham e não conseguem tempo para fazer parte da vida deles. Isso influencia negativamente para o seu desenvolvimento enquanto ser humano. Sabe-se que os filhos são reflexos dos pais e isso pode atingi-los diretamente. A mulher, mãe assume um papel difícil de ter que cuidar da casa e educar os filhos, quando o papel deveria ser dos dois. A violência quando é presente em casa, é também levada para o ambiente escolar e é possível perceber isso em diversos casos de brigas entre alunos ou agressões aos professores. Nem todas essas famílias são estruturadas dessa forma, mas a maioria delas.
Para eles o que se define por viver com dignidade, além do trabalho, são os bens materiais o que estão também diretamente relacionados a renda. A falta de oportunidade, gera a pouca efetividade numa ação individual na tentativa de melhorar a situação. A ideia de depender de alguém por exemplo, é humilhante, transmite a incapacidade e pouca utilidade no contexto social. Pois, ser independente é motivo de ser respeitado e ser tratado como igual a todos. Essas pessoas apesar de tudo, reconhecem o valor do estudo e a importância de chegar ao menos ao ensino médio e ainda que os pais não cheguem a tanto, exigem isso dos filhos. Por isso, é importante reconhecer o trabalho deles, que descobrem o seu valor através de um aperto de mão, um olhar ou um pagamento um pouco a mais.
 Max Weber disse uma vez a frase: “O trabalho enobrece o homem”, mas se refletimos sobre tal afirmação, concluímos que ele estaria equivocado. Isso levando em consideração o trabalho fragmentado. Existem algumas esferas do trabalho que não estão associadas a dignidade do homem, como no caso dos lavadores de carros e catadores de lixos. Os segundos, por exemplo são responsáveis por recolher os lixos de toda a população, não por escolha, mas por única opção. Inclusive são considerados os principais responsáveis por separar os lixos corretamente do modo como é determinado para reciclagem. Os catadores optam por tal “bico” pela necessidade que é imposta na vida que levam.
Eles se queixam da forma como são tratados perante a sociedade, através de estigmas de delinquentes, cachaceiros e até usuário de drogas. Por isso muitas vezes esses indivíduos preferem passar despercebidos, já que são considerados invisíveis.
Um dia assistir um vídeo, no qual uma garota que vendia brigadeiros em um parque de São Paulo, se não me engano, para pagar sua faculdade de jornalismo e um youtuber perguntou a ela, o preço e disse que estava de dieta, mas se ela dissesse uma palavra que o agradasse, ele poderia sair da dieta e compraria todos os brigadeiros. Ela escolheu a palavra “empatia” e ele pediu para que ela justificasse a sua escolha. Ela disse que escolheu essa palavra, por conta da rotina dela durante a venda de brigadeiros e que sentia a necessidade dessa característica nas pessoas, que muitas vezes não olhavam para ela, nem escutavam, nem falavam que não queriam, simplesmente a deixavam falando sozinha.
A verdade é que os lavadores de carros, catadores de lixo, entre outros diversos “bicos” são considerados indignos socialmente, a partir do momento em que julga-se um indivíduo por ele exercer uma função considerada, não qualificada, ou ação “que qualquer um possa fazer “está claro a carência de respeito em relação ao próximo. Tornar essas pessoas invisíveis define que o trabalho em alguns casos não enobrece o homem, pelo contrário, ele determina um lugar no contexto social, ele estigmatiza um ser humano e o transforma em uma pessoa sem valor, quando na verdade eles buscam apenas torna-se um cidadão.