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DisciplinaIntrodução ao Direito I92.918 materiais689.126 seguidores
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devendo ser necessariamente 
ouvido sobre ellas o Tribunal do Thesouro Nacional com o 
seu parecer (Decreto n. 2,343 de 29 de Janeiro de 1859, 
art. 4.° § 1.° art. 2.° e art. 5.°§ 1.°). 
Similhantemente é da competência dos Presidentes 
das províncias decidir provisoriamente taes questões, quan-
do se moverem entre os chefes das repartições de fazenda 
que lhes forem subordinadas, ouvindo as respectivas The-
sourarias, e remettendo os papeis concernentes com a sua 
decisão ao Thesouro Nacional, Decreto cil. art. 20 (§117). 
§ 151.- 
ABUSOS DAS AUTORIDADES ECCLESIASTICAS.\u2014RECURSO Á COROA. 
Ainda hoje assim se denomina o meio legal de obviar e 
reprimir taes abusos. Esse recurso era antigamente pro-
cessado nos termos daL. de 18 de Janeiro de 1765, e do 
Decreto das Cortes Constituintes Portuguezasde 21 de 
Maio de 1821, mandado observar pela L. de 20 d'Outn-
bro de 1823, e posteriormente na forma do Reg. n. 10 de 
19 de Fevereiro de 1838. (*) 
Posto que já o Decreto n. 1,406 de 3 de Julho de 
1854 houvesse declarado sem effeito e implicitamente re-
vogado pela L. n. 234 de 23 de Novembro de 1841 o 
citado Reg. n. 10 de 1838, todavia foi o novo Decreto n. 
1,911 de 28de Março de 1857, quederogou expressamente 
aquelle Reg. de 1838, quanto á competência das Relações 
para conhecer dos abusos das autoridades ecclesiasticas ; 
a qual passou para o Conselho d'Estado em virtude da 
citada L. da sua creação ( n.234 ), declarando em vigor 
somente os arts. 13 e 14 do dito Regulamento. (**) 
O mesmo Decreto n. 1,911 determinou os casos em 
que tem lugar o recurso á Coroa ; a que autoridades com-
pete conhecer d'elie ; a quem cabe o direito de interpô-lo, 
e de que autoridades ; quaes os effeitos da sua interposi-
ção ; a forma d'esta, seu julgamento, e sua execução. 
(*) Independentemente do recurso ao JUÍZO da Coroa por vio- 
9 
lencias c usurpações dejurisdicção, podem oecorror questões, aliás 
graves, de competência entre Prelados e autoridades ecclesiasticas. 
Nos termos do art. 9.» § 10 do Reg. das Relações, e da L. de 22 
de Setembro de 1828, art. 2.° § 6.° in fine, a attribuição de decidir 
taes questões era conferida ás mesmas Relações. Hoje porém deve 
entender-se que pertence também ao Conselho d'Estado. Todavia 
nem a Lei respectiva nem o seu Regulamento são bem explícitos a 
esse respeito, como convinha. Quando cumprir que o poder temporal intervenha, e isso pôde 
ser indispensável em certos casos, parece fora de duvida que deve (intervir por meiojda autoridade administrativa, e não da judiciaria. (*') Comquanto, segundo o disposto no art. 3.° do supracitado 
Decreto n. 1,911, só o Conselho d'Estado seja competente para co-
nhecer dos recursos á Coroa, todavia nos casos de usurpação de ju-
risdicção e poder temporal, ou de qualquer censura ecclesiastka 
contra empregados civis em razão do seu officio, podem também os 
Presidentes das províncias decidir provisoriamente as questões sus-
citadas, como decidem osconfiictos de jurisdicçio, e indicamos nó §117. 
§152. 
INTERPOSIÇÃO, E EFFEITOS DO RECURSO Á COROA. \u2014 Tem lu-
gar este recurso nos casos seguintes : 1.° por usurpação 
dejurisdicção e poder temporal; 2.° por qualquer censura 
contra empregados civis em razão do seu officio ; 3.° por 
notória violência no exercicio da jurisdicção e poder 
espiritual, postergando-se o Direito Natural ou os Cânones 
recebidos na Igreja Brasileira. (*) 
Exceptuam-se porém : 1.° o procedimento dos Prelados 
regalares intra clausirum contra os seus súbditos em matéria 
correccional ; 2.° as suspensões e mterdictos que os Bispos 
extrajudicialmente ou ex informata conscienlia impõem aos 
clérigos para sua emenda e correcção. 
E suspensivo o recurso que se interpõe no 1.° ei° dos 
casos em que tem lugar, e devolutivo no 3.° se o despacho de 
que se recorrer, fôr interlocutorio ; salvo : 1.° se o gravame 
fôr tal que não possa ser reparado por sentença definitiva ; 2.° 
se da sentença definitiva não couber appellação. Também não 
èsuspensivo no 3.° dos referidos casos, quando se recorre dos 
actos dos Bispos em visita, salvo procedendo elles\u2014 por via 
de Juízo ( Decreto n. 1,911, arte. l.°, 2.°, 12,13 e U). 
O.Cabe o mesmo recurso de quaesquor actos em que sedèr 
\u25a0 
usurpação de jurisdicção e poder temporal; ou o gravame seja ju-
dicial ou extrajudicial; assim na 1." como na 2.* instancia do Foro 
ecclesiastico. Pôde ser interposto pela parte interessada, ou pelo 
Procurador da Coroa em certos e determinados casos (1.° e 2.°); e 
interpõe-se de quaesquer autoridades e Juizes ecclesiasticos. Final-
mente é reciproco, podondo ser interposto pelo Bispo, quando al-
gum Juiz ou autoridade temporal usurpar jurisdicçõo ou poder es-
piritual ; caso em que são applicaveis as disposições relativas í De-
creto cit. arts. 4.°\u2014II e 25). 
§ 153. 
FORMA 1)0 JULGAMENTO E SUA EXECUÇÃO ------O reCUrSO á GO- 
ròa deve ser interposto por petição documentada perante 
o -Ministro na Corte e os Presidentes nas províncias ; os 
quaes devem decidir logo as questões que occorrerem so-
bre a suspensão dos recursos, e rejeitar os que forem in-
terpostos contra as disposições referidas no § precedente. 
Das decisões proferidas nos casos de suspensão e re-
jeição do recurso, podem as partes recorrer do Ministro 
da Justiça para o Conselho d'Estado, edos Presidentes das 
províncias para o mesmo Ministro. 
Interposto o recurso è logo intimado á autoridade ou 
Juiz ecclesiastico, assignando-se-lhe o prazo de 15 dias 
para allegar o que convier. Se o gravame fôr judicial, de-
vem ser remeltidos pelo Juiz ecclesiastico com a sua res-
posta os autos respectivos, ficando traslado; salvo, se o 
facto se dèr na Corte, e o recurso tiver o effeito devoluti-
vo somente. Com a resposta do Juiz ecclesiastico, ou sem 
ella, se a não dér no prazo assignado, ouvido o Procura-
dor da Coroa, e com informação do Presidente da provín-
cia, é o recurso remetlido para o Conselho cTEstado por 
intermédio do Ministro da Justiça, sem audiência da par-
te recorrida. (*) 
Decidido o recurso pelo Conselho d'Estado, é trans-
mittida a Resolução Imperial por Aviso do Ministro da Jus-
tiça ao Juiz ou autoridade ecclesiastica para fazê-la cumprir, 
como n'ella se contiver, no prazo que o mesmo Aviso fi-
xar na Corte, ou fôr fixado pelo Presidente da província 
(Decreto n. 1,911, arts. 15,20 e 23). O 
(*) O recurso deve ser instruído com os documentos e inquiri- 
\u25a0 
coes que u autoridade ou o Juiz ecclesiastico. Procurador da Coroa, 
Presidente da província, e Ministro da Justiça acharem convenien-
tes para a decisão da questão. 
Pôde porém a autoridade ou o Juiz ecclesiastico á vista da pe-
tição do recorrente reparar a violência que lhe fez, dando para esse 
fim 06 despachos necessários, e participando ao Ministro da Justiça, 
ou ao Presidente da província, a sua decisão para ficar sem offeito 
lo recurso interposto (Decreto cit. arts. 21 ez2). (") Se porém o Juiz ou a autoridade ecclesiastica não quizer cum-
prir a Imperial Resolução, deve elia ser executada pelo Juiz de di-
reito da comarca, declarando sem offeito as censuras e penas eccle» 
siasticas impostas aos recorrentes ; prohibindo e obstando a que a 
pretexto d'cllas se lhes faça qualquer violência, ou cause prejuízo 
pessoal ou real; mettcndo-os de posse de quaesquer direitos e pre-
rogativas, ou redditos, de que houverem sido privados; proceden-
do e responsahilisando na forma da Lei os desobedientes, e que re-
cusarem a execução. No caso de serem necessárias as providen-
cias do Juiz de direito, além das intimações que se fizerem aos Jui-
zes e autoridades ecclesiasticas, deve ser tudo annunciado por edi-
taes nos lugares públicos da comarca (arts. 13 e Udoítég. de li) 
de Fevereiro de 1838, mandados observar pelo cit. Decreto, art 24). 
*\u2022\u2022; \u2022\u2022 ?v 
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\u25a0 TERCEIRA PARTE.» 
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