ELEMENTOS
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do plano da obra e das plantas dos 
prédios comprehemlidos, e convocação dos proprietários 
por bandos, editaes e jornaes (art. 3.°); 
2.a Certidão cVessas publicações, e termo de compa-
recimento dos proprietários pelo Secretario da Camará 
quê lhes toma as declarações e reclamações verbalmente 
ou por esciipto ; as quaes são depois recebidas pela mes-
ma Camará que ouve o parecer de pessoas proíissionaes, 
dá o seu, e passados 20 dias remette tudo ao Presidente 
da provincia ; o qual interpõe lambem o seu parecer, c 
submette essas reclamações com os pareceres á decisão 
<!o Governo Imperial a quem compete approvar definitiva-
mente os planos das obras (arts. 4.°\u20147.°); 
§..a Pronuncia da desapropriação, que compele ao 
Juiz do Civel de 1> instancia, perante quem è promovida 
pelo Procurador da Coroa ou outro agente do poder exe-
cutivo para isso designado, á vista de documentos que 
provem haverem sido praticadas todas as formalidades 
exigidas pela L. de 1845 ( arts. 10 e 11); 
4.a Oíferta da indemnisação, declarada por termo 
nos autos pelo Procurador ou agente que promove a desa-
propriação, e intimada ao proprietário e mais interessa-
dos conhecidos, ou publicada pelos jornaes ; os quaes 
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interessados, dentro em 40 dias depois da intimação, são 
obrigados a declarar, se aceitam a dita offerta, ou quanto 
exigem ( arts. 13 e 14). 
§ 175. 
COMPETÊNCIA NOS CASOS DE NECESSIDADE.\u2014Os processos po-
rém para se verificar a desapropriação por necessidade 
publica, em cujo caso declara a L. de 1845 no art. 35 fi-
car em vigor a de 1826, continuam a ser promovidos no 
JUÍZO privativo dos feitos da Fazenda, na forma dos arts. -
4.°\u20147.° da mesma L. de 4826, a que se refere o art. 2.° 
§4.° do Regulamento n. 6 de 12 de Janeiro de 184-2, 
peio respectivo Procurador fiscal creado pela L. de 29 
de Novembro de 1844. (&quot;) No caso de perigo 
imminente, .como de guerra ou commoção, cessam 
todas as formalidades, e pode-se tomar posse do uso, 
quando baste; ou mesmo do domínio da propriedade 
particular, quando seja necessário, para emprego do bem 
publico, nos lermos do art. l.° da L. de 1826 ; logo que 
seja liquidado o seu valor, e cumpridas as disposições dos 
arts. 5.° e 6.° ficando reservados os direitos para se 
deduzirem em tempo opportuno ( art. 8.° ^;í 
{*) V. Apontamentos do Conselheiro Maia, nota 2tí. P 
§176. 
DESAPROPRIAÇÃO PARA A CONSTRUCÇÁO D'ESTRADAS DE FERRO. \u2014
Sobre desapropriações para construcçáo d'obras e serviços 
das estradas de ferro do Brasil baixou o Decreto Re-
gulamentar n. 1,664 de 27 d'0utubro de 1855, em execu-
ção da Resolução n. 816 de 10 de Julho do dito anno, 
relativa ao mesmo objecto. Esse Decreto estabelece um 
processo novo, especial e summarissimo, para a desapro-
priação dos prédios e terrenos que forem necessários á 
construcção das obras e mais serviços, pertencentes á es-
trada de ferro de D. Pedro II e outras do Brasil, e marca 
as regras para a indemnisação dos ditos prédios e terrasW*) 
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-O444G 
(T. também o Decreto n. 1,930 de 26 cTAbril de -1857, 
Gap. 6.°). 
(*) A sua desapropriação entenae-se foi lã pela approvação das 
respectivas plantas por Decreto. O processo de indemnisação é pro-
movido pelos agentes do emprezario ou da companhia perante os 
Juizes do Civeí ou municipaes dos respectivos Termos na falta de 
acordo com os proprietários, e instaurado com citação separada de 
cada um dos proprietários, os quaes nomeam dous árbitros que 
nos casos de revelia são nomeados pelo Juiz; sob cuja presidência 
reunidos com outros dous nomeados peio emprezario ou compa-
nhia, e com mais um designado pelo Governo procedem no dia, 
hora e lugar fixados pelo Juiz a avaliação da indemnisação devida, 
quando os proprietários não queiram aceitar as offertas do empre-
zario ou agentes da companhia, sem recurso algum. O mandado 
de posse, expedido pelo Juiz depois do pagamento ou deposito 
da indemnisação, é executado sem embargo de quaesquer embar-
gos, e serve de titulo ao emprezario ou companhia. 
SECÇÃO II. 
Servidões militares. 
§ 177. \u2022 *£ 
DEFINIÇÕES\u2014Ghamam-se servidões militares os ónus 
impostos á propriedade territorial para defesa das praças de 
guerra. Não se deve porém comprehender n'essa de-
nominação a obrigação imposta aos habitantes de aboletar 
tropas ou soldados, nem os encargos impostos aos mu-
nicípios para o aquartelamento. 
Entende-se por terrenos militares as fortificações e 
terrenos accessorios, assim no interior como no exterior das 
fortalezas, e que formam uma dependência do domínio 
publico, destinado á defesa do território. Essa dependência 
é rmprescriptivel e inalienável, emquanto conserva o seu 
destino. O terreno militar compõe-se pois do terreno das 
fortificações, e d'um espaço livre no interior da praça. 
O espaço interior chama-se rua da muralha ; e expla-
nada è o espaço livre exterior que deve existir entre toda a 
fortaleza e a cidade que ella defende. A demarcação do 
tereeno militar deve ser fixada por balisas. e comprehen- 
\u2022 
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der exteriormente- um espaço maior ou menor, segundo a 
importância das fortificações, a partir do cunhal dos muros 
exteriores. Esta demarcação è necessária, porque a partir dos 
limites do terreno militar 6 que começa o miõ de defesa ( V. 
Àlv. de 29 de Setembro de 1681, e Reg. do Exercito de 18 
de Fevereiro de 1708, Gap. 65). O 
(*) Além de se tirarem á agricultura c ao commercio certas 
porções de território a prol da defesa nacional, para cobri-lo de 
fortificações e fazer d'elle uma dependência do domínio publico, 
é mister ainda prover de modo que as obras d'arte que protegem as 
praças de guerra, não sejam embaraçadas pelas emprezas da 
propriedade particular. O terreno pois, que se estende diante 
das fortalezas até uma certa distancia da praça, deve com effei-
to ficar descoberto, para que nada possa servir a occultar ou 
defender às disposições do inimigo, e as sortidas dos sitiados 
não encontrem obstáculo algum. 
Da-se pois a denominação de raio de defesa á extensão de ter-
reno pertencente a particular e<} que a partir da extremidade do 
terreno militar até certos limites que variam, segundo a impor-
tância da praça, é onerada de servidões para o livre jogo das for-
tificações. Somente os terrenos comprehendidos no raio de defesa 
são sujeitos ás servidões militares. 
O raio de defesa dividc-se em zonas ou linhas paralisias, cu-jos terrenos intermédios são onerados de servidões mais ou me-
nos graves, segundo as zonas se approximam do terreno militar. É 
o limite d'esse' terreno militar que serve de ponto de partida com-
mum ás três zonas do raio de defesa. 
Ha duas excepções ás servidões militares: 1.&quot; quando as 
construcções particulares já existiam antes da fixação do raio 
de defesa, porque n'este caso são provisoriamente conservadas, 
e se posteriormente vém a ser destruídas, teem os proprietários 
direito a uma indemnisação; 2.a podem-se estabelecer moinhos e 
fabricas com autorisação da engenharia, mas também pôde a sua 
demolição ser ordenada em caso de guerra, sem que haja indemni-
sação alguma (V. Resol. de 4 de Julho de 1754, declarada por 
Av. de 30 de Maio de 1755). 
§ 178. 
DETERMINAÇÃO DOS LIMITES E COMPETÊNCIAS\u2014Osdifferenles-
limites dos terrenos militares são determinados por marcos 
plantados á custa do Estado e com audiência dos pro-
prietários. Mas as contestações sobre as questões de pro-
priedade e indemnisação são da competência dos tribunaes 
civis. Pôde ter lugar a indemnisação, ou por causa de 
r>1W> 
desapossamento, ou demolição d'edifícios, ou privação de 
gho .(*) 
r(') Ha desapossamento, quando o interesse das praças de 
guerra obriga o domínio militar a exigir a cessão das propriedades 
particulares. E' mu caso d'expropriação. Quanto á demolição d'edtficios é mister que se verifique por 
títulos que esses edifícios ja