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DisciplinaIntrodução ao Direito I93.035 materiais694.218 seguidores
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as aguas d'esta 
natureza são regidas pelo Direito civil ou pelos 
Regulamentos locaes. A acção da Administração geral 
estende-se a ellas só quando são derivadas d'outras, cuja 
disposição e inspecção lhe competem. Assim limitado o 
regimen das agtfas, comprehende duas grandes div$ões : as 
que fazem parte do domínio publico ; e as correntes que não 
são navegáveis nem caudaes ( Cabantous ). (") 
(*) Dous princípios dominam a acção administrativa em re-
lação és aguas correntes. Á Administração incumbem a conser-
vação dos rios, a direcção e abertura dos canaes. A Administra-
ção deve promover e indicar os meios de se obter o livre curso 
das aguas, de evitar que os campos sejam inundados pela exces-
siva elevação das represas, dos moinhos, e por outras obras d'arte 
feitas nos rios; e em summa dirigir, quanto fòr possível, todas 
as aguas do território para um fim futilidade geral, segundo os 
princípios da irrigação. \_ Sc_sjj_a^lcjidêr a qne pela 
navegação c fluetuação servem as 
aguas correntes de meios de coram unicação e transporte; quq 
pelo seu pendor e volume fornecem motoros á industria; que] 
pela sua extensão abrigam, e alimentara o peixe,- preparando 
assim meios de subsistência publica; e finalmente que pelos 
seus princípios fecundantes favorecem a agricultura, comprenen- 
der-se-ha a razão porque o Legislador deve prover attentamente 
a este elemento de prosperidade publica (Maçarei). *| 
í m.
 
DEFINIÇÕES \u2014Enlende-se por um rio navegável ou cau-
dal uma reunião d'agua corrente por um alveo ou leito 
d'uma extensão considerável, que serve para o transporte 
de gente e mercadorias em barcos ou jangadas. 
Chama-se canal toda a corrente, natural ou aberta 
pela mão do homem, para receber as aguas do mar, dos 
rios, ribeiros ou regatos, e conduzi-las d'um lugar para 
outro. Dividem-se em canaes navegáveis ou fluentes, e 
canaes artificiaes. Ha varias espécies de canaes artificiaes: 
uns d'irrigação, outros de'derivação para as fabricas, e 
outros d'esgotamento. Os canaes d'irrigação teem por 
rim especial levar aguas para derramâ-las sobre terrenos 
cuja aridez se pretenda corrigir, tornando-os assim fres-
cos e férteis. Os canaes de derivação para as fabricas ser-
vem para augmentar o volume das aguas. Os cTesgota-
mento são canaes artificiaes que servem para fazer escoar 
as aguas dos campos ou pântanos, e eonseguir-se assim 
o seu esgoto. (") 
(*) Para se saber quaes são os direitos da Administração so-
bre as correntes, é mister fazer-se distineção entre as navegáveis 
ou caudaes, as correntes não navegáveis nem candaes; e os ca: 
naes artificiaes. A Administração tem acção ou direito adminis-
trativo epolicial sobre as correntes navegáveis e caudaes; assim 
como sobre as que não são navegáveis nem candaes. Mas sobre os 
canaes artificiaes tem apenas um direito d'inspecção. 
I 195. -Rios NAVEGÁVEIS E CAUDAES.\u2014Estes formam uma 
dependência do dominio publico ; e por isso são 
imprescripti-veis e inalienáveis. O direito de declarar 
navegável um rio que o não era, pertence ao Governo 
depois (rum in- 
->si59o» 
querito administrativo de commodo. et incommodo que tem 
por íim veriiicar-se a opinião publica sobre as vantagens. 
e os inconvenientes d'um projecto qualquer. B Todavia não 
pôde o rio ser declarado navegável, senão salva a 
indemnisação devida aos proprietários ribeirinhos pela 
servidão com que os seus prédios ficarem onerados . De 
feito elles conservarão a propriedade das margens do 
rio,mas sujeita aos ónus estabelecidos para o serviço da 
navegação. (*) 
(*) Estando porém o domínio publico fluvial fora do commer-
cio, e não devendo nunca soffrer usurpação prejudicial ao serviço 
publico, segue-se : 1 .°que nenhuma plantação, construcção, ou dis-
posição qualquer pôde ter lugar na margem ou no alveo d'uni rio 
navegai ou caudal sem previa autorisação administrativa; 2.° que 
as concessões, por mais amplos que sejam os seus termos, nunca 
importam transferencia de propriedade, e são essencialmente re-
vogáveis ou modificáveis sem indemnisação. Qualquer estabeleci-
mento não autorisado só existe pela tolerância da Administração, e 
para com esta nenhuma prescripção pôde legalisâ-lo. Quanto ás 
concessões antigas, são ellas tão revogáveis ou modificáveis como as 
recentes ; sò com a diflerença de que a suppressão ou alteração 
d'aqueílas pôde em certos casos dar direito a uma indemnisação 
YV. Hesolução de Consulta de 27 de Julho de 1854). 
Mas as contestações sobre as correntes que teem por objecto o 
interesse privado d'aquelles entre quem seagilam, devem ser jul-
gadas pelos tribunaes ordinários, sendo a autoridade administrativa 
a única competente, quando as '-.ontestações teem por objecto a po-
licia ou utilidade commum. As contravenções são administrati-
vamente processadas e punidas (Pradier). 
§ 196. 
Rios NÃO NAVEGÁVEIS NEM CAUDAES\u2014As correntes não na-
vegáveis nem caudaes estam incontestavelmente fora do 
domínio publico: mas èuma questão muito controvertida, 
se pertencem ao domínio privado, ou se devem ser con-
sideradas res nullius, cujo uso commum è regulado pelas 
Leis policiaes. Parece deduzir-se dos textos e espirito do 
Direito civil, que as correntes não navegáveis nem cau-
daes pertencem aos proprietários ribeirinhos, não só as 
aguas senão também o seu leito ; que é para elles uma 
propriedade caracterisada, mas não absoluta, por ser ne-
cessariamente limitada pelos direitos de policia e inspec- 
21 
ção que as Leis leein allribuido á Administração,. pelo 
interesse geral da agricultura e industria ( Cabantous). ('){ 
(*) Outros porém entendem que o leito dos rios não navegá-
veis perlence ao domínio publico, e que tendo os proprietários ri-
beirinhos apenas um direito de superfície ou d'usufructo perpetuo, 
goza a Administração do direito d'inspecção sobre as correntes d'esta 
categoria. Este direito d'inspecção consiste em assegurara limpeza 
e boa conservação das correntes não navegáveis nem caudaes. 
Em geral a limpeza de qualquer corrente incumbe a quem d'ella 
se aproveita. Assim a limpeza d»s rios não navegáveis está a cargo 
dos-ribeirinhos, e a dos navegáveis a cargo do Estado. Se porém 
a limpeza d'estes fosse causada por facto d'um particular ou de sua 
fabrica, deveria ser feita á sua custa; porque, quem pratica um acto 
prejudicial, deve reparâ-lo. A quota da contribuição de cada con-
tribuinte deve ser sempre proporcional ao grau d'in te resseque tem 
nos trabalhos de limpeza. 
§197. 
CANAES ARTIFICIAES\u2014Creados pelo interesse da industria 
ou da agricultura, são os canaes artificiaes objectos de 
propriedade privada. Todavia a presumpção de propriedade 
só se dá, quando se trata d'um canal artificial. Na falta de 
prova escripta da sua construcçSo, re-conhece-se que um 
canal foi feito pela mão do homem ; pela pesca, pela 
administração e limpeza, pelo aspecto dos lugares, etc. (') 
M (*) A Administração exerce sobre os canaes artificiaes um di-
reito d'inspecção e policia; porque pertence-lhe regular o uso ge-
ral das correntes, prescrever a limpeza, e distribuir asdespezas de 
repartição. Se porém cila dispozer do canal artificial para satisfazer 
o interesse publico, deve uma indemnisação ao proprietário; e no 
caso que a fabrica estabelecida sobre o canal desse lugar a inunda-
ções, poderia fazê-la demolir ( Pradjer). 
§ 198- 
LEGISLAÇÃO.\u2014-A Ord. Liv. 2.° Tit. 26, tratando dos dí 
reitos reaes diz no § 8.° « E as estradas e ruas publicas, 
antigamente usadas, e os rios navegáveis, e os de que se « 
fazem os navegáveis, se são caudaes que corram em todo « 
o tempo. E posto que o uso das estradas e ruas publi- 
|« cas, c dos rios seja igualmente commum a Ioda a gente, |« e ainda a todos os animaes, sempre a propriedade a elles |« fica no património real. » Mas para bem se entender 
esta Ord. o mister recorrer à sua fonte.