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K 
§ 190. t 
SYSTEMA ROMANO\u2014Os Romanos que distinguiam os rios 
públicos dos particulares, que caracterisavam uns e outros 
com signaes distinctivos, e que distinguiam os navegáveis, 
ou o que os constituía navegáveis, legislaram que dos pri-
meiros ninguém podia extrahir agua sem licença e autori-
dade do Príncipe, nem n'elles fazer obra, pela qual se 
dilBcultasse a navegação, ou se-alterasse o seu curso ; 
mas que dos segundos fosse permiUulo tirar livremente 
agua, ainda que com esta restricção : « Nisi Imperator aut 
Senatus vetei. » (*) 
(*) Assim os Romanos, que fizeram publico o uso tios rios na-
vegáveis para a navegação e pesca, e dos não nívegaveis para a ex-
tracção das suas aguas e outros usos, parece que com este uso pu-
blico, mas restricto, suppozeram também a propriedade commum 
do povo Romano, bem como quanto ás praias do mar. As riban-
ceiras porém dos rios públicos eram particulares e publicas para 
diversos (Ins. 
Não eram pois os rios públicos entre os Romanos um direito 
realengo; e o que*acerca (Telles foi legislado, era por \irtude do 
império e protecção para regular o uso da propriedade commum, 
c para que nenhum particular com alguma obra d'utilidade pró-
pria prejudicasse o uso commum e publico. 
§ 200.' 
DIREITO FEUDAL\u2014Por este Direito passaram os rios pú-
blicos a ser um direito realengo. O mesmo Direito, quan-
to a,esses rios, constituía um direito convencional e par-
ticular da nação, e não um direito commum Romano ; e 
em muitas nações não foi depois observado. Com tudo 
alguns Imperantes adoptaram como direitos reaes todos 
os referidos no Liv. 2.° dos Feudos, Tit. 56, debaixo da 
rubrica \u2014Qii&sint regalia,\u2014especialmente no tocante aos 
rios públicos. (*) 
(*) K pois visto: 1.» que a cilada Ord. adoptou o Direito Um 
dal, enumerando entre os direitos reaes o* rios navegáveis, e os de\ 
que se fazem os navegáveis; 2.» que os demais rios públicos que oiti 
são navegaveis;nem concorrem para constituir um rio navegável, 
nem foram comprehendidos na Ord. nem o eram no Direito feudal; 
e3.°que por consequência o direito relativo a estes,- como ommi so, 
se deve regular pelas disposições do D. R. em quanto conforme á 
boa razão e equidade, segundo a L. de 18 d'Agosto de 1769. 
§ 201. 
CARACTERÍSTICOS DOS RIOS PÚBLICOS E PARTICULARES. \u2014 São 
característicos dos rios pnblicos : 1.°ser navegável mediata 
ou íramediatamente; 2.° ser perennc; (*)3.° ser grande ; 4.° 
ser geralmente reputado publico ; 5.° ser também publico o 
seu uso, etc. Por via de regra os rios se reputam públicos, em 
quanto se não prova que são particulares. Sâo porém 
particulares e de uso particular os que não reúnem os 
referidos característicos ; isto é, os que não são perennes ; os 
que tão depressa crescem, como diminuem ; os que#correm 
tão somente de inverno, ou com as aguas da chuva ; os que 
nascem em algum prédio particular, e correm por entre 
prédios particulares até entrar no rio publico. (") 
(*) Chama-se perenne o rio que corre em todo o tempo, ainda 
que em algum verão muito secco seque em todo ou em parte. (**) Os rios particulares, ou propriamente ribeiros, em nada 
diflerem das outras cousas particulares; o que o Direito dispõe a 
respeito d'estas, deve applicar-se áquelles. E assim pertencem aos 
possuidores dos prédios lateraes, lendo cada um direito até ao meio 
do seu alveo. Mas nascendo n'um prédio commum a muitos con-
senbores, ou correndo por elle, vèm aser-lhes commum. 
Não deixa porém de ser publico um rio que tem principio em 
lugar privado, porque a essência de publico consiste na perennida- 
de. Os rios que se dividem em braços ou ribeiros, não perdem a I 
natureza ; mas as aguas dos rios públicos, extrahidas d'elles por 
meio (Tartificios, logo que entram em terras de particulares que 
lhes são adjacentes, perdem a natureza de publicas, e revestem a do 
prédio em que entram (V. Almeida e Souza, Tratado das Aguas, 
Cap. 1.° e Direitos Dominicaes, §§ 48\u201454). 1 
1 § 202. ] 
CONTINUA A LEGISLAÇÃO\u2014A Resolução de 17 d'Agosto 
o'W3 
de 1775 fixou as seguintes regras acerca do domínio e 
posse das aguas : l.a sendo a agua particular, pertence ao 
senhor do prédio onde nasce, e também ao do prédio in-
ferior, se mostrar titulo de compra cVella, ou açude, ou 
canal permanente que o faça presumir ; 2.a o senhor do 
prédio onde nasce a agua, depois de usar d'aquella que 
lhe fôr precisa, não pôde distrahi-la para outra parte em 
ódio e prejuízo dos prédios inferiores, devendo-se repartir 
os sobejos por dias ou horas, segundo o prudente arbítrio 
de louvados nomeados pelas partes. 
O Alvará de 27 de Novembro de '1804 determinou nos 
§§ 14 e seguintes, como se tiram as aguas dos rios, ribei-
ros, paúes, ou nascentes, e passam pelas fazendfas alheias 
por canaes ou levadas para regar ; e o mesmo para esgo-tâ-
las. As aguas em levadas ou canaes foram pois assim 
reguladas pelo citado Alvará, cujas disposições se manda-
ram observar no Brasil inteiramente sem duvida ou inter-
pretação alguma no que fosse applicavel, por outro Alv. 
de A de Março de 1819. (*)" 
(*) Á abundância e limpeza das aguas proviam antigamente os 
commissarios da Intendência geral da policia, na forma determina-
da pelo art. 16 das Instrucções de 4 de Novembro de 1825 : mas 
hoje incumbe ás Gamaras municipaes prover á conservação e aos 
reparos d as fontes, aqueductos, chafarizes, poços e ianques, pela L. 
do 1 .o d'Outubro de 1828, art. 66 § 1.° 
Aos Juizes de paz porém compete procurar a composição de 
todas as contendas e duvidas que se suscitarem entre moradores 
dos seus respectivos districtos acerca de atravessadouros e passagens 
de rios ou ribeiros, edo uso das aguas empregadas na agricultura 
ou mineração, segundo a L.de i5 d Outubro de 1827, art. 5.° § 14, 
que lhes conferiu essa attribuiçâo policial, a qual lhes foi conserva-
da pelo art. 9i daL. de 3 de Dezembro de 1841. 
Mas as obras que teem por objecto promover a navegação dos 
rios, abrir canaes ou construir aqueductos; podem ser desempenha-
das por emprezarios nacionaes ou estrangeiros, associados em com-
panhias ou sobre si, como dispõe a C. de L. de 29 d^gosto de 1828. 
Nas sociedades de mineração ordenou-se a observância dos 
Regimentos das terras e aguas mineraes com as mais Leis e Ordens 
em vigor, pelo Av. 1.° de 23 de Julho de 1831. 
Pertence na Corte á administração das obras publicas vigiar na 
conservação dos diversos encanamentos, chafarizes e fontes, pelo 
Decreto do i.° de.Dezembro de 1836, substituído pelo Reg. n. 41 
do 12 de Marco do 1810, e afinal pelo de n. 302 de 2 de Junho de 
1843. 
ciUi 
Para a concessão iVaguas dos aqaeductos públicos no municí-
pio da Corte para aso das casas e chácaras particulares, pelo Minis-
tério <lo Império deu-se o Reg. n. 39 de 15 de Janeiro de 1840, aW 
te pelo Decr. n. 295 de 17 de Maio de 1843; o qual dispõe que 
só tenha lugar por arrendamento animal. 
A Resolução n. 853 de 12 de Julho de 1845 enumera no art. 
l.° |4.° entre os casos em que ha lugar a desapropriação por 
utilidade publica geral ou municipal da Corte, a construcção de 
fontes, aquednctos, etc. 
A Resolução n. 374 de 94 de Setembro de 1845 e o respectivo 
Reg. n. 465 de 17 d'Agosto de 1846 também regularam a concessão 
das aguas pertencentes a terrenos diamantinos para a sua minera-
ção. 
\u25a0 Finalmente aos Poderes geraes do Estado cumpre promover a 
navegação dos rios do Império, o no interior das províncias ás As-
scmbllãs proviuciaes, quando não pertençam á Administração ge-
ral; pelo Acto Addicional art. 10 § 8.° N'esta parte corre por conta 
do Ministério do Império. 
Quanto á navegação por vapor dentro dos rios, foi declarado 
pela L. ii. 00 de 8 d Outubro de 1833 pertencer ao Governo a facul-
dade ilc favoreci-la com privilégios. E posto que essa L. seja an-
terior ao Acto Addicional, todavia ella como todas as outras