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DisciplinaIntrodução ao Direito I92.958 materiais690.683 seguidores
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que 
se possam dizer contrarias ás disposições do mesmo Acto, tem-se 
entendido que continua em vigor, assim como continuam as Leis 
proviuciaes que se acham nas mesmas circumstancias, sfegundo o 
que está expressamente disposto no art. 8.° da Lei interpretativa 
dela de maio de 1840 (V. § 1.° da Consulta do Conselho distado de 
27 de Setembro de 1859, a que se refere o Av. de 4 de Janeiro do 
corrente atino . 
R SECÇÃO II. I 
Florestas e Matias. 
§203. 
PRINCÍPIOS GERAES\u2014Os Legisladores de todos os tempos 
lêem feito da conservação das florestas um objecto espe 
cial do seu zelo ; e de feito a existência das florestas é 
um bem inapreciável para os paizes que ss possuem ; ou 
porque protegem, e alimentam as fontes e rios ; ou por 
que sustentam, e segurara o solo das montanhas ; ou fi 
nalmente porque exercem na atmosphera uma influencia 
benéfica. ;'%| 
As florestas podem pertencer ao Estado, ás munici-
palidades, a secções destas, a estabelecimentos públicos, 
ou a particulares. À Legislação florestal è pois necessaria-
mente complexa. Com -tudo as florestas do Estado são 
sujeitas a regras particulares, e a regras commmuns a to-
do o complexo do regimen florestal. (*) A Legislação flo-
restal deve pois comprehender duas espécies de disposi-
ções : umas communs a todos os proprietários ; e outras 
especiaes á administração das florestas do Estado. 
{*) Cbama-se regimen florestal o complexo das regras de ge-
rência e administração, estabelecidas pela Legislação florestal. São 
sujeitas ao regimen florestal as florestas e maltas que fazem parte 
do domínio do Estado, as que pertencem a municipalidades, a sec-
ções d'estas, a estabelecimentos públicos; e finalmente aquellas em 
que uns e outros teem direitos indivisos de propriedade com parti-
culares. Quanto ás que são exclusivamente d'estes, não estai sob 
o regimen florestal; mas os seus proprietários, sob a inspecção 
toda protectora da Administração, exercem n'ellas todos os direitos 
resultantes da propriedade c conformes á Lei. 
§ 204. 
REGRAS COMMUNS A TODOS os PROPRIETÁRIOS\u2014Ta es são as 
que se referem aos direitos de uso, a certas providencias 
de conservarão e segurança, á servidão legal concernente 
ás arvores d'extremas e ás reservadas para o serviço da 
marinha, etc. 
De feito a destruição das florestas, independentemente 
dos interesses hygienicos e das necessidades cia industria, 
exerce a mais perniciosa influencia na agricultura, 
augmentando a duração das séccas, abrindo livre curso ás 
grandes ventanias que desfolham, e fatigam as plantas, e 
tornando as inundações mais frequentes. As florestas po-
rém formam uma das partes mais importantes da riqueza 
nacional ; e é por isso também que o Legislador deve dar 
certas providencias de conservação e segurança para pro-
tegê-las dos accidentes calamitosos ou das emprezas par-
ticulares. Sendo pois as florestas e mattasuma fonte im-
portante de riqueza para um Estado, a sua conservação è 
um dever interessante para a Administração. (*) 
(*) A agricultura, a architectura, e quasi todas as industrias 
achamn'ellas alimentos e recursos que nada poderia substituir, e 
necossarius aos indivíduos. As florestas não o são meãos aos Esta-
dos. No soio delias é que o cpmmercio acha os seus meios de 
transporte e de troca; e a ellas é que os Governos pedem elementos 
de protecção, segurança e gloria. Também n'estes princípios se 
funda toda a Legislação florestal (Magnitot et Delamarre).. 
~|205. 
| LEGISLAÇÃO. -AS florestas e maltas publicas ; isto é^J 
[as que não pertencem a particulares, e se acham devota»] 
tas, pertencem á nação, desde que pela Onl. Li?. 4.° Til. 
43 §9.° foram reguladas as sesmarias, ou datas dè terras 
para serem aproveitadas e cultivadas. I 
- Na conservação das florestas e matias publicas onde 
as houver, devem os Juizes de paz vigiar, e obstar ainda 
mesmo nas particulares ao corte de madeiras reservadas 
por Lei ( L. de 15 d'Outubro de 1827, art. 5.°. § 12), cuja 
observância foi instantemente recommendada pelas Cir-
culares de 19 de Janeiro de 183:3, 17 e 19 de Novembro 
de 183-4. e outras. 
Todavia já pelo Al?.,de 5 d'Outnbro de 1795 §§ 9.° c 
10.° fora determinado que não se dessem em sesmarias, 
nem se cortassem sem licença do Governotas madeiras 
que podessem servir para a construcção de navios da ar-
mada, e que estivessem em maltas próximas aos portos 
do Brasil. (*) 
\u25a0 {*) Havia antigamente conservatórias de cortes do madeiras, 
que foram extmetas pelo art. II da L. de 15 de Novembro de 1831, 
dando-se destino aos seus empregados pelo art. 12 da mesma L. Mio 
ficaram porém francos os cortes de madeiras, de modo que não seja 
precisa licença pára o corte das reservadas por Lei; mas a attri- 
h imicão de dar taes licenças compete á Secretaria d*Estado dos aa- 
gocio& da marinha, cumprindo ainda aos Juizes de paz e utats auto 
ridades locaes fazer executar as Leis que probibern ocóite d alga- 
roas madeiras para uso dos arseoaes ( Aviso de 3 de Novembro 
de 1833). -r 
Por Aviso de 3 de Dezembro de 1834 se mandou orcauis4 
trucçòes acerca do tempo do seu corto e de maneira de em 
las; em consequência do que foi app oba« 
tabeliã de 18 do mesmo mez e anuo, que as designou, confoj peças 
em que devem ser empregadas, por Onrular de 7 de Janeiro | de 
183.",. 
Por outra Circular de 31 de Dezembro de 184"» foi ainda re- 
-o 107 a- 
\u2022 oiumendado que se obstasse ao derriba meu to das madeiras de Lei 
próprias para a construcçào naval, danei o-se novas providencia* ao 
mesmo respeito por mais outra Circular de 18 de Setembro de 1846; 
c delerminou-se a forma da respectiva escripturação nas províncias 
onde ha cortes e depósitos de madeiras, pelo Aviso n. 60 de 21 de 
Março de 1847. 
Também se ordenou por Aviso de t d'outubro do 1850, como 
deve proceder-se contra os mestres das embarcações que conduzi-
rem madeiras de Lei,reservadas para construcçào, sem apresentarem 
licença da Secretaria da marinha que autorizasse o seu corte; e por 
outro Aviso II . 260 de 30 de Dezembro do mesmo anno se determinou, 
que nos trapiches alfandegados senão recebam madeiras reservadas 
por Lei, que não venham acompanhadas de documentos que justifi-
quem a necessária autorisaçao do Governo, assim como da guia da 
capitania do porto. 
As Instrucçòes de 5 de Maio de 1855, em additamenlo a outras 
da mesma data para o fabrico da pólvora na Fabrica nacional da Es-
treita, estabelecem regras para o plantio das arvores e corte das ma-
deiras que convém estabelecer-se nos terrenos da mesma Fabrica. 
O Aviso de 26 de Agosto do mesmo anno recommenda aos Presi-
dentes das províncias das Alagoas e de Pernambuco a fiel obser-
vância dos artigos VI. 87, e seguintes do Regulamento ti. 1318 de 
30 de Janeiro de 1854 sobre a conservação das maltas existentes 
n'cssasprovincias para a construcção naval. 
Finalmente o Aviso n. 26 de 26 de Janeiro de 1858 declarou 
que a multa do art. 27 da L. de 21 d'Outubro de 1813 c do Iteg. de 
20 de Junho de 1814 não é applicavel ao contrabando das madei-
ras de Lei ou reservadas, por ser especial para o do pat*-frra«M. Foi 
porém abolido pelo art. 12 da L. n. 1,040 de 14 de Setembro de 
1850 o estanco da venda do p>iu~bra»il, e permittido o commercio 
d'es to produeto nos termos da Legislação fiscal que regula o dos ou-
tros géneros d'exportaçào. 
CAPITULO VII. Vias 
de Comtnunicaçãu. 
| -206. 
PRINCÍPIOS GEKAI-.S\u2014 Entende-se por caminho (via) em 
geral um espaço de terreno que serve para communicar um 
lugar com outro, seja qual fôr a sua extensão ou largura, o 
independentemente de ser mais ou menos frequentado. Os 
caminhos, assim considerados genericamente, podem dividir-
se em públicos c particulares. Esta distinecio é fundada em 
Direito; por isso que, se é do de- 
ver da Administração assegurar a communicação das di- | 
versas partes do território,