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DisciplinaIntrodução ao Direito I92.910 materiais688.833 seguidores
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para a communicação dos 
municípios ; mas que não fizeram objecto d'uma declara-
ção de vicinalidade. Devem ser reconhecidos com as mes-
mas formalidades qne os caminhos vicinaes ou municipaes; 
mas o acto administrativo que os declara rwaes, não lhes 
attribne o solo respectivo. A propriedade d'estc é regida 
pelas regras do Direito commum. Quando os recursos or 
dinários da municipalidade são mais do que suííicientes 
para cobrir todas as despezas obrigatórias, é que a admi 
nistração municipal pôde applícar fundos para esses cami 
nhos. Certos autores francézes lhes recusam o caracter 
d'imprescriptibilidade ; outros porém, como Foucart, os 
consideram imprescriptiveis, em virtude do art. 2,226 
do Código civil. (*) u 
(*) A policia regulamentar e de vigilância dos caminhos ru-
raes é confiada á autoridade municipal. Quanto aos caminhos aber-
tos nos campos pelos proprietários para a cultura das suas terras, e 
que por tolerância servem ao publico, são propriedades particula-
res ou servidões, cujo conhecimento compete aos tribunaes ordiná-
rios (Pradier). 
§ 214. 
LEGISLAÇÃO.\u2014Pela Ord. Liv. 2.° Tit. 26 § 8.° que tam-
bém enumera entre os direitos reaes as estradas publicas, 
pertencem estas hoje á nação. 
Pela Legislação antiga posterior á citada Ord. os ca-
minhos e atravessadouros particulares, feitos por fazendas 
lambem particulares que não se dirigem a fontes ou pon-
tes com manifesta utilidade publica, ou a fazendas que não 
possam ter alguma outra serventia, podem ser abolidos 
por officio dos Juizes (L. de 9 de Julho de 1773 § 12). 
Ninguém podia também abrir caminhos ou estradas 
novas para as minas que estivessem descobertas, sem li-
cença regia, debaixo das penas impostas contra os des-
caminhadôres da Real Fazenda ( Alv. de 27 d'Outubro de 
1733). Era igualmente prohibido que alguém podasse em-
baraçar os caminhos públicos com tapadas de fazendas ; 
e as Camarás podiam fazê-las embargar, pelo Alv. de 27 
de Novembro de 1804 § 7.° 
Pelo Decr. das Cortes constituintes portuguezas de 23 
d'Agosto de 1821, mandado observar pela L. 6.ade 201 
d'Outubro de 1823, pertencem á Secretaria d'Estado dos 
negócios do Império os objectos relativos a estradas, i Os 
Presidentes das províncias também podem, e devem propor 
a abertura de melhores estradas e conservação das 
~ol73^ 
existentes (L. 5.a de 20 d'Outubro de 4823, art. 24 § 5.°). 
Antigamente incumbia aos commissarios de policia não 
só a perseguição dos ladrões e salteadores pelas estradas e 
pelos caminhos públicos, senão também solicitarem 
perante as autoridades competentes a conservação dás 
mesmas estradas e seus reparos, fácil e livre transito, a 
abertura de novos caminhos, etc. (Instrucções annexas á 
Portaria 2.a de 4 de Novembro de 1825, § 14). (*) 
(*) Hoje pela L. do l.° dTutubro de 1828, art. G6§6.°com: pete 
ás Camarás municipaes prover á construcção, aos reparos, e á 
conservação das estradas e dos caminhos, e á plantação d'arvorcs 
para preservação dos seus limites e commodidade dos viajantes. 
Consegui n temente devem as ('amaras fazer repor no antigo estado 
ás servidões e os caminhos públicos, não consentindo de maneira 
alguma que os proprietários dos prédios usurpem, tapem, estreitem 
ou mudem a seu arbítrio as estiadas publicas (L. cit. art. 41). 
Devem pois as'Camarás desempenhar esta attribuição, ou pela 
execução das posturas respectivas que houverem promovido pelos 
«eus procuradores e fiscaes, na conformidade dos arts. 81 e 85 ; ou 
pelo que deliberarem, e acordarem, precedendo todas as necessá-
rias informações e exames, ficando livre aos que se sentirem ag-
gravadoso recurso do art. 73 (Aviso de 16 de Novembro de 1830). 
Os Juizes de paz também teem obrigação de procurar a compo-
sição de todas as contendas e duvidas que se suscitarem entre mo-
radores dos seus respectivos districtos acerca de caminhos particula-
res, atravessadouros, etc. ( L . de lg d'Outubro de 1827,art. 5."§| 14, 
suscitado pelo art. 91 da L. de 3 de Dezembro de 1841,. 
A L. porem, que determina como poderão ser as construc-ções 
das estradas desempenhadas por emprezarios nacienaes ou 
estrangeiros, associados em companhias ou sobre si ê a de 29 de 
Agosto de 1828. Esta mesma L. estabelece no art. 2.° a classifica-
ção das estradas (comprehendidas nas obras especificadas no art. 
1.°) em geraes, provinciaes, e municipaes; considerando como 
geraes as que pertencem á província, capital do Império, ou a mais 
d'uma província ; provinciaes as que são privativas d'uma só 
província; e municipaes as que o forem do Termo d"alguma cidade 
ouvilla; e determinando que as l.as sejam promovidas pelo Ministro 
e Secretario d'Estado dos negócios do Império, as 2.»s pelos Pre-
sidentes das províncias, e as 3.,,s pelas respectivas Camarás muni-
cipaes. 
Todavia, segundo o Aviso de 4 de Janeiro do corrente anno, 
ainda não está declarado quaes são as obras, estradas e navegarão 
que se devem considerar provinciaes : em quanto não houver Lei 
que faça esta declaração, as concessões que as Assembléas provin-
ciaes fizerem sobre esses objectos, em virtude do §8.° do art. 10 do 
Acto Addic. devem ficar dependentes da approvaçào da Assembléa 
geral, a quem compete regular esta matéria, mantendo-se no en- 
tanto as concessões ju feitas do mesmo modo por que a Lei interpre-
tativa daquelle Acto manteve as Leis provineiaes anteriormente de-
rrotadas que eram olTeiísivasd'eUe. Quanto ás estradas que são servidas por vapor, qualquer que 
seja a sua extensão, devem ser classificadas entre as geraes (V. o § 3.o da Consulta do Conselho d Estado de 27 de Setembro de 1859, a 
que se refere o citado Aviso). 
§ 215. 
LEGISLAÇÃO RELATIVA AO TRANSITO PUBLICO. \u2014 O transito 
por algumas estradas publicas é sujeito ao pagamento de 
certas taxas d'uso e passagem, denominadas direitos de por-
tagem, que se cobram em cerlas paragens, a que se dá o nome 
de barreiras ;-\u2014e que são estabelecidas com a necessária 
differença entre pedestres e cavalleiros, as diversas espécies 
deanimaes, e os differentes vehículos que por ellas passam. 
Todo o produeto dos direitos de portagem que se arrecada 
em cada uma das estradas publicas, éj applicado ao 
respectivo concerto e melhoramento. 
São porém isentas de pagaras taxas d'uso e passagem as 
pessoas que transitam pelas mesmas estradas em acto do 
serviço nacional ; e bem assim todos e quaesquer géneros e 
effeitos da nação que por ellas são transportados. (*) 
(*; Esta matéria é regida, quanto ás estradas construídas por 
em prezas particulares, pelas disposições da citada L. de 29 d'Agasto 
de 1828 ; e quanto ás construídas por administração publica, são 
as respectivas taxas o barreiras reguladas por uma Resolução de 25 
d'Outubro de 1831, alterada e ampliada por outra de 3 de Novem-
bro de 1832, para cuja execução baixou o Regulamento de 17 de 
Maio de 1833, explicado no art. 7.° pela Ordem de 17 d'Agosto do 
mesmo anno. 
Os proprietários, por cujos terrenos se teem de abrir as estra-
das, são attendidos em seus direitos nos termos da L. de9 de Se-
tembro de 1826, e indemnisados não só das bemfeitorias, mas até do 
solo; quando á vista dos seus títulos se mostre que devam ser isen-
tos de os dar gratuitamente (L. cit. de 1828, art. 17;. 
Assim a abertura como o alargamento ou prolongamento das 
estradas justificam a desapropriação por utilidade geral ou munici-
pal da Corte, segundo também dispõe a Resolução n. 353 de 12 de 
Julho de 1845, art. t .<\u2022 § 4.° 
As Assembléas provineiaes porém legislam sobre os casos o a 
forma, porque podo ter lugar a desapropriação por utilidade pro-1 
~>Q'175O~&quot; 
vincial ou municipal (Acto Adilic. art. 10 § 3.u). Compete-lhes 
igualmente legislar sobre as estradas do interior das províncias que 
não pertençam á Administração geral do Estado (cit. art. §8.°). 
§ 216. 
LEGISLAÇÃO RELATIVA A ESTRADAS DE FERRO.\u2014A.