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DisciplinaIntrodução ao Direito I93.035 materiais694.218 seguidores
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respectivos dos domicilios dos locatários o conhecimento de 
todas as acções, derivadas de contractos de locação 
©47M 
ie serviços que continuam 'a ser da privativa competência dos 
mesmos Juizes, seja qual fôr o seu valor, com recurso para os 
de direito. (*) 
Ás Companhias de aprendizes menores, creadas nos arsenaes 
de guerra, deu-se nova organisação pelo Beg. n. -113 de 3 de Janei-
ro de 1842, eInstrucções em 11 do mesmo roez eanno para execu-
ção da L. n. 243 de 30 de Novembro de 184i, art. 39. 
Nesses estabelecimentos e companhias não se pode alistar ne-
nhum menor de 8 annos d'idade, nem depois de 12 completos: e 
só podem ser n*elles admittidos expostos, orphãos indigentes, me-
nores que vivam abandonados, e filhos de pães nimiamente pobres. 
Também nenhum menor pôde ser admittido nas referidas com-
panhias, sem que seu pae ou tutor obrigue por termo, assignado no 
Juizo dos orphãos respectivo, a pessoa do mesmo menor ao cum-
primento dos ónus que no citado Regulamento se impõem aos 
aprendizes menores. Ba nos arsenaes escolas primarias que os 
aprendizes menores são obrigados a frequentar ate saberem lêr, es-
crever e contar. Nas horas vagas são entretidos nas diversas oííici-
nas em trabalhos próprios da sua idade e capacidade, e applicados 
aos officios, para que parecem mais idóneos. 
Mandaram-se igualmente admittir em companhias de aprendi-
zes marinheiros, menores de 10 até 17 annos d'idade, de constitui-
ção robusta e própria para a vida marítima, que se apresentarem 
voluntariamente, assim como orphãos e desvalidos; os quaes apren-
dem também a lêr, escrever c contar, e fazem todo o serviço de 
marinheiros queé compatível com as suas forças e idades respecti-
vas, pelo Decreto n. 304 de 2 de Junho de 1843, alterado pelo de 
n*411 A de 5 de Junho de 1845, art. 31 (V. Decretos n. 1,517 de 4 
de Janeiro de 1855, n. 2,003 de 2i d'Outubro de 1857, e n. 2,188 de 
9 de Junho de 1858 ). 
Ultimamente providenciou-se sobre a instrucção publica ele-
mentar ou primaria dos menores de 12 annos que vagarem em 
qualquer dos districtos do Município da Corte em estado de pobre-
za e mendicidade, e sobre o seu futuro destino, pelo Decr.n. 1,331 
A de 17 de Fevereiro de 1854, arts. 62 e 63; dispondo que depois 
de receberem a instrucção do 1,° grau, sejam enviados para as com-
panhias d'aprendizes dos arsenaes ou de imperiaes marinheiros, 
ou para as omcinas publicas ou particulares, mediante um contracto 
n'este ultimo caso com os respectivos proprietários soba fiscalisa-
ção do Juiz dos orphãos. 
£180 >- 
SECÇÃO II. 
rubricas perigosas, insalubres ou íncotnntudus 
I §421. 
PRINCÍPIOS GER.VKS\u2014Gomo se disse no princípio d'estB' 
Capitulo a industria manufactôi cujo fim è transformar 
em productos variados as matérias primas, fornecidas pe 
la industria agrícola, deve ser livre de tropeços, animada 
em sua marcha progressiva, e protegida no seu desenvol 
vimento. A abolição pois dos privilégios de profissões, 
corporações d'ofíicios, seus juizes, escrivães e mestres; 
dotou a todo o cidadão da liberdade de fazer qualquer ne 
gocio ou exercer a profissão, arte ou officio que lhe aprou 
ver {Const.art. 179 §25). I 
m Mas deverá essa liberdade tão necessária ser favoreci 
da á custa do interesse geral, cuja protectora natural é a 
Administração ? Por mais livre que deva ser a industria 
manufaclôra, é necessariamente sujeita a certas restric- 
cões exigidas pela ordem social. 
\u25a0 A Administração, guarda dos interesses de todos, está 
encarregada de applicar essas restricções, em cujo nume^ 
ro se acham comprehendidos Os limites postos ao direito 
de estabelecer certas fabricas, cuja visinhança possa ser 
perigosa, insalubre ou incommoda ; ao de fabricar e em-
pregar certos instrumentos que ameacem a segurança pu-
blica e individual; e ao de fundar certos estabelecimentos 
que absorvessem comum fim d'interesse particular certos, 
objectos d'utilidade geral. (') 
(*) Assim é que os estabelecimentos industríaes de tal nature-
za que possam arriscar a segurança dos habitantes, a saúde dos 
homens e anímaes domésticos, ou o estado das colheitas e dos fru-
ctos da terra, não podem fundar-se por causa d'essas circumstancias, 
senão em virtude d'uma autorisaçâo administrativa. 
São commumente designados, pelos nomes de fabricas perigo^ 
sas, insalubres ou incom modas. É o principio superior do interesse 
geral que tem feito derogar a respeito d'ellas o principio -secundário 
da liberdade do trabalho e da industria. 
.-o18L-. 
§ 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIA ES ___ A liber- 
dade do trabalho é a regra ; as disposições que a coar-
ctara, não podem ser senão a excepção : donde se segue 
que as providencias respectivas da Lei só podem ser ap-
plicadas a estabelecimentos especialmente classificados 
para esse fim; e que todos os que não fizeram objecto 
d'essa designação, ficam sob o império da Lei com-mum 
.- 
Em França são os estabelecimentos perigosos, insa-
lubres ou incommodos, divididos em três classes, que se re-
ferem a estas diversas qualificações. A 1 .a cl asso com-
prehende os estabelecimentos que devem estar afastados 
das habitações particulares ; c a 2.a aquelles cujo afasta-
mento das habitações não ó rigorosamente necessário, mas 
cuja formação todavia importa que se permitia somente 
depois de haver a certeza de serem as suas operações de tal 
modo praticadas que não incommodem os proprietários 
visinhos, nem lhes causem damnos. Na á.a classe são 
collocados os estabelecimentos que podem perma-j necer 
sem inconvenientes perto das habitações ; mas que devem 
ficar sujeitou á vigilância da policia. (*) 
(*) A Administração, distinguindo Ires classes de estabeleci-
mentos industriaes, sujeita a autorisação para elles exigida, e por 
ella concedida, a diversas formalidades, conforme pertencem á 1.° 
2.s ou 3.a classe. Se porém as condições requeridas não são satis-
feitas, pôde ser retirada a autorisação com formalidades pouo dif- 
i ferentes das que se observaram para a sua concessão. 
As questões de propriedade e de damnos materiaes são da com-
petência dos iribunaes civis; mas a questão de diminuição do valor 
I das propriedades visinhas, resultante da'proximidade d'algum dos 
referidos estabelecimentos, é do domínio da Administração, ejnlga- 
[ se prevenida pela autorisação. 
§ 223. 
LEGISLAÇÃO\u2014Pelos Regulamentos fiscaes n. 364 de 15 
de Junho de 4844, art. 18, e n. 081 de 10 de Julho de 
1850, art. 48, todos os estabelecimentos industriaes estam I 
sujeitos a licenças annnaes das Camarás municipaes. 
-'c/182. 
À fisealisação porém dos estabelecimentos perigosos, 
insalubres ou incommodos, está também a cargo das mes-
mas Gamaras, e das autoridades sanitárias creadas pela 
Resolução n. 598 .de 14 dé Setembro de 1850, art. 3 o (*) 
Ás Gamaras municipaes compete prover por suas posturas á 
economia e aceio dos curraes e matadouros públicos, á 
collocação dos cortumes, á venda e fabrico da pólvora, de 
todos os géneros susceptíveis d'explosão, e de fogos 
d'artiíicios que pelo seu perigo só se podem vender e 
fazer nos lugares marcados pelas mesmas Camarás, e fora 
dos povoados, impondo multas aos contraventores ( L. do 
1.° crOntubro de 1828, art. 66 §§ 2.° e 11). 
(*; Á Junta central, ou ao seu Presidente na Corte, e aos Inspec-
tores de saúde publica nas provindas, compete exercerem a po-j 
licia sanitária, examinando as localidades, onde se achem fabricas, 
cujos trabalhos sejam nocivos á saúde, ou ainda de cheiro incein-
modo, ptarcando as distancias em que devam ficar dos povoados, 
e podendo mandà-las fechar, até que se realise a remoção determi-
nada . 
Das decisões dos Inspectores de saúde publica ha recurso para 
a Junta central, assim como d'esta para o Conselho d'Estado (Decr. 
Reg. n. 828 de 29 de Setembro de 1851, art. 40, alterado pelo § 3.° 
do art.