Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (9)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (9)


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somente produzirá efeitos após o pagamento da taxa devida. Trata-se de uma condição (um evento 
futuro e incerto) de que depende a eficácia desse ato de natureza administrativa.
Além disso, a lei pode impor que a eficácia de um ato administrativo esteja subordinada a prévia edição de 
outro ato, que o confirme. Assim, nas chamadas "homologações", em que a autoridade superior confirma o 
ato da autoridade subordinada.
Portanto, o ato pode ser válido e não produzir efeitos, em razão da existência de um desses fatores que venha 
a impedir a produção desses efeitos. 
Um ato inválido, por sua vez, não deveria ser capaz de produzir efeitos jurídicos válidos. Porém, em nome do 
princípio da boa-fé e do princípio da segurança jurídica, se permite a preservação dos efeitos de um ato 
administrativo, ainda que haja nele uma mácula. Isso será estudado quando tratarmos da anulação e da 
convalidação do ato administrativo.
Concluindo essa parte, chegaremos a seguinte conclusão: para que analisemos um ato jurídico, no caso, 
um ato administrativo, ele precisa ser sempre perfeito, isto é, existente. Porém, uma vez que ele exista, ele 
pode ser: 
A - Perfeito, válido e eficaz;
B - Perfeito, válido e ineficaz; 
C - Perfeito, inválido e ineficaz; 
D - Perfeito, inválido e eficaz.
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Elementos do Ato Administrativo
 
A análise jurídica do ato jurídico implica na separação dele em elementos logicamente distintos. Utilizaremos 
a divisão mais conhecida, em cinco elementos, quais sejam:
1. SUJEITO
2. OBJETO
3. FORMA
4. MOTIVO 
5. FINALIDADE
1) Sujeito: Chama-se sujeito ou agente a pessoa que se encontra investida dos poderes legais para a prática 
do ato administrativo. É costume acrescentar o adjetivo "competente", ressaltando que, para o Direito 
Administrativo, não basta que aquele que produz o ato tenha a capacidade civil, mas que disponha de uma 
competência para tanto. Isto é, que esse sujeito esteja investido de um poder legal para a prática daquele 
ato. Se ele é um funcionário público, que aquela atividade esteja entre suas atribuições legais. Se ele é um 
contratado, que esses poderes estejam previstos nas cláusulas contratuais que ele firmou com a 
Administração. 
Para a verificação dos poderes atribuídos ao agente, devem ser analisados os seguintes aspectos: 
a) aspecto material: se o ato praticado se encontra no rol de matérias atribuídos àquele agente;
b) aspecto territorial: deve o agente praticar atos dentro do âmbito espacial definido na lei e em seus 
regulamentos; 
c) aspecto temporal: há que se analisar se o ato foi produzido durante a competência do agente; 
Através da análise do elemento sujeito, pode-se constatar diversos defeitos, capazes de levar à anulação do 
ato. São eles:
A) Incapacidade: Como sabemos, a incapacidade não é vício exclusivo dos atos administrativos, mas de 
todos os atos jurídicos. A questão, aliás, é regulada no Código Civil, que dispõe sobre as causas de perda ou 
suspensão da capacidade civil. Porém a incapacidade civil nem sempre viciará o ato administrativo. Haverá 
vício apenas quando para a prática de tal ato for imprescindível o uso da capacidade volitiva pelo agente.
Ainda no tema incapacidade, devemos ainda lembrar que pode ocorrer a incapacidade do agente para a 
prática de determinados atos, em razão de sua suspeição ou impedimento. Sobre a suspeição e o 
impedimento vide Lei 9.784/99 (Lei Federal de Procedimentos Administrativos), artigos 18 a 20. 
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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B) Incompetência: Ela pode decorrer de duas situações diversas: 
- Usurpação de poder: é a situação do agente sem titulação legal, isto é, que não se encontra investido em 
funções públicas e que pratica o ato como se tivesse tal investidura. Trata-se de conduta criminalmente 
tipificada.
- Funcionário de fato: situação em que há uma irregularidade na investidura do agente, mas este exerce as 
atribuições com aparente legalidade;
- Excesso de poder: situação em que o agente, embora tenha a titulação legal para a prática de atos 
administrativos, extravasa os poderes que a lei lhe confere, invadindo a competência de outra autoridade ou 
praticando atos não previstos na lei. Pode configurar conduta criminalmente tipificada como crime de abuso 
de autoridade (Lei nº 4.898/65).
 
2) Objeto: MARIA SYLVIA DI PIETRO nos define o objeto ou conteúdo do ato administrativo como "o efeito 
jurídico imediato que o ato produz". Isto é, aquilo que o ato prescreve, aquilo que nos permite reconhecê-lo 
como um ato típico. Assim, o objeto de um ato de demissão do servidor é o rompimento do vínculo de 
trabalho que o unia à Administração. O objeto da desapropriação é a transferência forçada da propriedade 
para o ente expropriante. 
Tal como no Direito Privado, o objeto do ato administrativo deve ser lícito, certo, moral e possível. Vejamos 
um a um tais requisitos e as conseqüências de seu descumprimento:
a) Licitude: para o Direito Administrativo tem um significado particular, pois já vimos que a Administração 
está sujeita ao princípio da legalidade estrita. Por esse princípio ela somente pode eleger os objetos 
claramente autorizados ou impostos pela lei. Um objeto ilícito, por exemplo, seria a aplicação da pena de 
confisco pelo não pagamento de um tributo. 
b) Certeza: está relacionada com o princípio da segurança jurídica que nos diz que não deve pairar dúvida 
sobre o sentido das prescrições contidas no ato administrativo. Um exemplo verídico, já ocorrido, por incrível 
que pareça, foi a de um ato autorizando uma licença a um servidor cujo nome a autoridade desconhecia, 
pois estava ilegível. 
c) Moralidade: também é princípio da Administração Pública, conforme já vimos. Um exemplo interessante e 
também verídico sobre a imoralidade de um objeto é o caso, que saiu nos jornais, do candidato a prefeito, 
que celebrou negócio registrado em cartório com o presidente da Câmara Municipal, visando à nomeação 
de apadrinhados em troca do apoio eleitoral. 
d) Possibilidade: é pressuposto lógico para a existência do ato. Ela abrange a possibilidade material e a 
possibilidade jurídica. Possibilidade material significa possibilidade desse objeto ser realizável de fato. A 
possibilidade jurídica significa que este objeto pode ser realizado, do ponto de vista da lógica que existe nas 
relações jurídicas. 
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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3) Forma 
* Podemos dizer que, em sentido amplo, o conceito de forma compreende:
- a exteriorização do ato administrativo.
- as formalidades e também o procedimento a ser seguido na produção desse ato.
A exteriorização do ato administrativo, em geral, se dá pela forma escrita. Essa é a regra geral, pois a forma 
escrita é a que melhor atende à necessidade de segurança e também de publicidade desses atos. Isso não