descriminalização do uso de drogas
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aplicação das penas alternativas são aqui aplicadas, mais nomeadamente o previsto nos artigos 44 e 46, do
Código Penal, atentando, entretanto, para a particular regra para sanção quanto ao descumprimento da pena imposta, devendo-se levar em conta
também, quanto à aplicação e observâncias presentes na Lei de Execução Penal que trata da espécie de pena restritiva de direito em questão.
Afirma o artigo 30, da nova Lei, que a imposição e execução das penas prescrevem em dois anos, devendo-se observar o disposto nos artigos 107 e
seguintes do Código Penal.
Em qualquer caso, o usuário deverá fazer tratamento de saúde, gratuito, na rede pública, e de preferência ambulatorial, se o caso assim permitir, que
deverá ser determinado pelo Juiz.
Chegamos aqui no ponto que consideramos ser o mais importante da presente Lei e que, de forma alguma, poderá passar desapercebido. O
parágrafo 2º do artigo 28, da nova Lei Antidrogas determina os critérios de análise para o juiz verificar se a droga se destinava a consumo pessoal ou
não. Afirma o dispositivo:
\u201cPara determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às
condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente\u201d.
Uma determinante realmente causa espécie, mas deixa bem clara, por outro lado, o caráter seletivo do direito penal. Afirma, assim, entre outros, que
as circunstâncias sociais e pessoais serão índices de verificação se a droga destinava-se ao consumo ou ao tráfico. Enfim, fica patente a máxima:
rico é usuário e pobre é traficante.
Os membros das camadas superiores conseguem impor ao sistema uma quase total impunidade de suas próprias condutas criminosas, como bem
expõe Andrade (2003), devendo-se ressaltar que são estes quem, em regra, cometem crimes mais lesivos à sociedade. Assim, os pobres são os que
acabam por constituir o sistema penal, não por terem mais tendência à delinqüência, mas simpelo fato de sua imagem estar mais associada ao
crime, visto serem constantemente estigmatizados como criminosos. 
A criminologia crítica trabalha com o paradigma da reação social ou controle social, que se refere às formas pelas quais a sociedade trata
comportamentos e pessoas que considera como desviantes, problemáticos, indesejados, podendo ser este controle tanto formal[3] ou informal[4]
Enfim, aqui verifica-se claramente a distinção de tratamento garantida ao pobre e ao de camada social mais elevada. Esse critério se quer deveria
constar como determinante para o juiz verificar se a droga encontrada destinava-se ao uso ou ao tráfico. Esse paradigma é inconstitucional, pois viola
preceito inscrito no artigo 5º, da Carta Magna, que determina que todos somos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Viola
também um dos objetivos da República Federativa do Brasil, prescrito no artigo 3º, IV, qual seja \u201cpromover o bem de todos, sem preconceito de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação\u201d.
Essa constatação é de suma importância, pois, como já visto, a conduta do usuário foi descriminalizada, enquanto a do traficante não o foi.
Quanto aos aspectos processuais relativo ao usuário, deve-se dizer que o mesmo será encaminhado aos Juizados Especiais Criminais, salvo se em
concurso com os crimes previstos nos artigos 33 a 37, da nova Lei (artigo 48, parágrafo 1º), não podendo, ainda, ser preso em flagrante (até porque
a pena privativa de liberdade não lhe é mais imposta), caso em que será imediatamente levado ao Juizado competente ou, em sua falta (comarca na
qual não haja Juizado de plantão), deverá o usuário assumir compromisso de comparecer, lavrando-se termo circunstanciado (artigo 48, parágrafo
2º, da Lei). Assim, também não se fala mais em inquérito policial.
Se o usuário de drogas, em razão da dependência, ou sob o efeito de drogas, consumida por força maior ou caso fortuito, cometer qualquer infração
penal, será isento de pena, caso, no momento da ação ou da omissão, seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de se
determinar conforme este entendimento (artigo 45, da Lei Antidrogas). Entretanto, se sua capacidade de entendimento e de autodeterminação eram
somente reduzidas, no mesmo sentido será sua pena, com decréscimo de 1 a dois terços (artigo 46, do mesmo Diploma Legal).
3. Repressão À Produção Não Autorizada E Ao Tráfico Ilícito De Drogas
Esse é a rubrica inscrita no Título IV, da Lei n.º 11.343/2006, que se inicia com as disposições gerais acerca da necessidade de licença prévia da
autoridade competente para \u201c(\u2026) produzir, extrair, fabricar, transformar, preparar, possuir, manter em depósito, importar, exportar, reexportar,
remeter, transportar, expor, oferecer, vender, comprar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou matéria-prima destinada à sua
preparação, observadas as demais exigências legais\u201d. (artigo 31, da Lei)
As plantações ilícitas serão incineradas, pela autoridade policial judiciária, no prazo máximo de 30 dias, e após prévia autorização judicial e oitiva do
Ministério Público, guardando-se amostra para exame pericial. A destruição deverá ser feita na frente de membro do Ministério Público e de agente
da autoridade sanitária competente. A gleba será objeto de expropriação (artigo 32, da Lei n.º 11.343/76).
Os crimes previstos para o tráfico estão nos artigos 33 a 47, da nova Lei. Interesserá aqui somente os aspectos materias, deixando-se de lado,
proprositadamente, as questões instrumentais.
Percebemos alterações significativas nos preceitos primários e secundários dos dispositivos que prevêem crimes para o tráfico. 
O caput do artigo 33, da nova Lei passou a tratar das hipóteses que configuram o tráfico de drogas ilícitas, mantendo todas as condutas inseridas no
artigo 12, da extinta Lei n.º 6368/76, tendo, entretanto, aumentado os parâmentros em abstrato do preceito secundário, que passou de reclusão de
três a quinze anos e pagamento de multa de cinqüenta a trezentos e sessenta dias-multa para reclusão de cinco a quinze anos e pagamento de 500
(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
Outra novidade aqui se verifica quanto à quantidade de dias-multa, pois a regra geral prevista no artigo 49, do Código Penal estabelece um mínimo
de 10 e um máximo de 360 dias-multa. Pela primeira vez, após a introdução do sistema dias-multa, foi estabelecido parâmetro mínimo e máximo no
próprio preceito secundário.
O parágrafo 1º do artigo 33, da nova Lei prevê as hipóteses daqueles que incorrerão nas mesmas penas do caput deste dispositivo.
Segundo o que determina o parágrafo 4º, do artigo 33, da lei em análise, as penas previstas no seu caput e parágrafo primeiro, poderão sofrer
diminuição de pena de um sexto a dois terços, sendo vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons
antecedentes (o que já impossibilita a redução para o tecnicamente primário), não se dedique às atividades criminosas e nem integre organização
criminosa.
Com relação ao prescrito no parágrafo 2º, I, do extinto artigo 12, Lei n.º 6368/76, a conduta daquele que induz, instiga ou auxilia alguém ao uso
indevido de droga, sofreu uma redução, pois passou a ser punida com detenção de um a três anos, e multa de cem a trezentos dias-multa e,
administração, guarda ou vigilância, ou ainda consente que alguém venha a utilizá-lo, mesmo que de forma não remunerada, para o tráfico ilícito de
drogas.
A nova Lei, no parágrafo 3º, do artigo 33, passou a abranger e criminalizar aquele que oferece, de forma eventual e sem objetivar lucro, qualquer
droga a pessoa de seu relacionamento, para a juntos a consumirem, sendo, pois, punido com detenção de seis meses a um ano, além do pagamento
de setecentos a mil e quinhentos dias-multa, sem prejuízo do previsto no artigo 28, da Lei.
Assim, vejamos. Esse indivíduo que passa a ser criminalizado é também usuário da droga e quer companhia para consumir a droga,