MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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Assim o modo de apposiçâo fica ao inteiro cri-terio 
e a vontade do productor, bastando que a marca permitta 
distinguir um producto de outros similares. (94) 
7\u2014 Igualmente é necessario que a marca 
possa ser vista pelo consumidor, porém, nâo é 
indispensa-vel que seja apparente. 
(91) Lei r'236 cit. eod. loc. 
(92) MARAFY\u2014Grand dictionnaire international de la proprieté indus-
trielle V.º Marques », 14; BLANC\u2014Trailé de la contrefaçon en tous genres 
pag. 773; LUCIEN BRUN \u2014 Op. cit. pag. 7; BEDARRIDI \u2014Op. cit. n. 836; 
GEORGES DE Ro-Op. cit. pag. III; PANDECTES FRANÇAISES\u2014 V Marques de 
fabrique n. 36. 
(93) Op. cit. pag. 129. 
(94) RUBEN DE COUDER\u2014Op. cit. 1º Marques de fabrique ». 23 ; 
MAYER\u2014Op. cit. pag. 148 «. 65- 
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Na maioria dos casos verifica-se que a marca é 
apparente eapposta em lugar exterior do producto, mas 
nada obsta que tal apposiçâo seja feita interna-mente, sem 
que, por isso, o respectivo proprietario possa ficar privado 
da protecçâo legal. (95) 
Basta que a marca seja caracteristica, pouco im-portando o 
lugar em que possa ser apposta. (96) Cumpre, 
entretanto, que tal permissâo seja bem comprehendida. 
\u2022Ella significa simplesmente, diz COUHIN, que nâo é 
necessario que a marca appareça â primeira vista, isto é, 
no acto da compra do producto ou da mercadoria. 
Mas é indispensavel, certamente, que possa ser 
percebida pelo consumidor em um dado mo-mento. 
Um signal completamente invisivel nada teria 
de distinctivo, e nâo poderia, portanto, constituir 
marca, no sentido proprio e legal da palavra. (97) 
A questão já foi resolvida pelos Tribunaes fran- 
cezes, a proposito das marcas 'appostas nas rolhas 
das garrafas de Champagne ( V. Cliquot Ponsardin.) 
Tendo um dos tribunaes de primeira instancia 
se recusado a reconhecer taes marcas, a pretexto de 
que o consumidor se encontrava sempre na impos- 
(95) RENDU\u2014Traité pratique des marques de fabrique et de commerce 
et de la concurrence déloyale n. 16 ; BEDARRIDE \u2014 Op. cit. n. 847; POUILLET 
\u2014Op. cit. n. -12 ; MAYER\u2014Op. cit. pag. 148 ». 65. 
(96) GEORGES DE RO\u2014Op. cit. pag. 110 ». 10. 
(97) op- ci- vol. 3 pag. 98. 
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sibilidade de verifical-as, no acto da compra das re-
spectivas garrafas.foi o julgado reformado pela Côrte 
Suprema de Paris, que, entre outros considerandos, 
declarou : 
«Attendu. . . que toute marque ap- 
 «posée conformément aux usages du com- 
«merce doit jouir de la protection des lois; 
«qu'il n'est point méconnu que l'usage « des 
fabricants de vins de Champagne est 
«d'apposer leur marque sur la partie du 
«bouchon qui entre dans la bouteille; 
«que cette marque, encore bien qu'el- 
 «le ne soft pas apparente, n'en constitue 
«pas moins une véritable marque de fa-
«brique, un signe distinctif a l'aide duquel «le 
fabricant garantit l'origine de ces pro-«duits; 
«qu'en admettant, comme dit le juge- 
«ment attaqué, que, placée de cette mani- 
 «ére, elle ne puisse pas servir à tromper 
«l'acheteur, ce n'est point la une conside-« 
ration à laquelle il faille s'arrêter; qu'en 
«effet, la contrefaçon des marques de fa-« 
brique est un délit spécial dont il ne faut «pas 
méconaitre le caractère; 
« que ce délit a été prévu et défini, 
«moins dans l'interêt des achêteurs, qui «sont 
protegés par les dispositions du Code 
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«penal, que dans celui du fabricant, à qui 
«la loi a voulu garantir l'usage exclusif de 
«sa marque, afin de lui assurer par là la 
«jouissance exclusive des avantages et 
«de la clientèle qui s'attachent a sa reputa 
tion commerciale ; qu'ainsi, c'est à tort 
 «que le jugement attaqué c'est fondé,. . . 
«etc.» (98). 
E' evidente, pois, a inanidade do argumento de que a 
marca nâo sendo apparente nâo poderâ illudir o 
comprador, sendo indiscutivel e fora de duvida que o 
simples facto da apropriaçâo indevida, abstrahindo a ideia 
de prejuizo ou confusâo, constitue usurpaçâo criminosa. 
(99) 
S.\u2014E' necessario ainda que a marca seja cspecial e 
disfincta, uma vez que, tornando-se proprie-dade do 
productor ou commerciante, se propôe a distingua os 
respectivos productos ou mercadorias c a differençar-se 
de qualquer outra marca ja empregada. 
Esses caracteres constituem o principal obje-ctivo da 
lei, e que foi justamente o de evitar a confusâo de uma 
marca com outra, facititando assim o seu prompto 
reconhecimento. 
A especialidadet ou menos exactamente a novi-
dade, da marca é inteiramente relativa. 
(98) DALLOZ\u2014 J. G. 845-, 1,527; PTAILLE\u2014Annales 1845; 2,655 
(99) MARAY\u2014 Ob. cit. V. Marques n. 13, e V .° Bouchons; BRAUN\u2014 
Op. cit « 29 ; POUILLET\u2014 Op. cit n. 12. 
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A novidade absoluta póde ser verificada em uma 
marca, como, na constituida por denominação de fantasia, 
porém, d'ahi nâo se segue, nem está no espirito da lei, a 
necessidade da invenção de um signal especial para 
constituir a marca. 
«Les signes adoptés comme marques de fabrique, 
ensina CALMELS, peuvent ne présenter en eux mêmes 
aucun caractère de nouveauté; il suffit que leur 
application soit nouvelle, c'est à-dire, qu'ils ne soient pas 
déjà employés à distinguer les produits similaires d'une 
autre fabrique. Dans la marque de fabrique, en effet, ce 
que la loi garantit,ce n'est pas une invention de nouveaux 
desseins, une conception de forme nouvelle, mais le 
produit lui même dont la marque indique l'origine. (100). 
Verifica se, portanto, a novidade quando, sem 
necessidade de attenção especial, isto é, sem esforço 
intellectual ou exame attento das duas marcas, pode-se 
immediatamente reconhecer a diversidade de ambas. 
(101) 
Assim, pouco importa que o signal adoptado, 
considerado em si mesmo, seja antigo, banal ou vulgar, 
ou ainda que já seja empregado para indi-vidualisar os 
productos de diversa industria ou de commercio 
differente. (102) 
(roo) Des noms et marques de fabrique et de commerce et de la con-
currence deloyale n. 171. 
(101) Pipia \u2014Dirillo industrialle n. 256. 
(102)MAYER\u2014Op. cit. pag. 150. 
90 
Desde que o alludido signal, na occasião em que foi 
adoptado pelo dono de qualquer estabeleci-mento 
industrial, agricola ou commercial, não con-stituia a marca 
dos productos similares de um esta-belecimento rival, ou a 
indicação usual ou neces-saria de todos os productos do 
mesmo genero, tem manifestamente os requisitos 
necessarios para dis-tinguir os produ:tos de quem o 
escolheu para seu! uso. (103) 
D'onde se conclue, que a apreciaçâo da novi-dade, 
isto é, da especialidade da marca é questão inteiramente 
de facto e subordinada ao criterio do Juiz e ao exame dos 
peritos. 
Ninguem se illudirá tomando um pacote de fumo por 
uma peça de seda, diz bem o illustre CONSELHEIRO 
AFFONSO CELSO, UMa barra de ferro por um rolo de 
cordas, tenham embora marca identica. (104) 
N'essa conformidade foi julgado pelo Tribunal Civil 
do Sena, em 6 de Abril de 1866, que as pala-vras\u2014Royal 
Victoria\u2014podem ser empregadas para marcar alfinetes, 
embora constituam a marca de um fabricante de agulhas, 
uma vez que o principio legal só attribue a propriedade da 
marca para cada especialidade de objectos do commercio. 
(105) 
(103) COUHIN\u2014()p. cit. vol.3.º 99; REXOUARD\u2014Op. cit., 368. 368 ; 
BEDARBiDE\u2014op. cit. ns. S22 e seguintes ; RUBEN DE COUDER \u2014 Op. cit.. V.º 
Marques de fabrique ns. 25 e seguintes. 
(104)op. cit. n. 29. (105) PATAILLE\u2014 
Op. cit. 66,70. 
91 
9) \u2014 Igualmentc pouco importa que a compo-sição 
da marca seja resultante da juncçâo de di-versos 
elementos je conhecidos ou empregados por outros. 
A marca assim constituida, não podendo deter-
minar a possibilidade de confusâo com nenhuma outra, é 
especial e nâo incide na censura, quer da lei, quer da 
doutrina. 
Assim tambem julgou o referido Tribunal Civil 
do Sena decidindo que as duas palavras \u2014 Royal 
Victoria\u2014embora já tenham sido empregadas cada 
uma separadamente, a sua reuniâo constitue uma 
nova marca, que póde ser validamente usada, mes- 
mo em industria identica. (106) 
 Pensar de modo differente seria ultrapassar o objectivo 
da lei,