MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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et de commerce. Mr. (5) Les plus solennels arrêts et règlements du Parlement eu Bretagne vol. 
2 pag. 382. " 
(6) Liv. S cap. 14% 6. 
(7) Psalmo 21. 
13 
possédons encore. On en trouve sur des bronzes, sur des 
saumons en plomb, sur des vases de verre, sur des pierres 
de constructions et principalement sur les poteries. On a 
aussi découvert des sceaux destinès vraisemblablement à 
marquer des étoffes, des bois, etc.» (8), 
Esses signaes distinctivos (sigillum) eram geral-mente 
usados pelos Romanos, que os empregavam em suas 
mercadorias, e consistiam, ora em um simples signal, ora 
no nome do fabricante ou da locali-dade (9). 
A sua usurpaçâo, cbmquanto não fosse, como a do 
nome, punida criminalmente pela Lex Cornelia, De falsis, 
dava, entretanto, lugar â propositura de uma acçâo civil\u2014
actio injuriarum (10) ou actio doli, \u2014conforme os casos 
(11). 
Ainda o testemunho scientifico de BRAUN vem 
affirmar que a sciencia archeologica nâo registraria menos 
de seis mil marcas, constituidas por letras iniciaes e 
variadas combinaçôes, cuja collecçâo, além de representar 
um valor inestimavel para o scientista, demonstraria â 
saciedade que a antiguidade romana conhecia as marcas 
de fabrica. (12). 
Do assumpto occupou-se especialmente SCHU-
ERMANS, que, em detalhada monographia, explica em 
(8) Traité sur les marquis de fabrique et de commerce pag. III. 
(9) KOHLER\u2014Du droit des marques pag. 39. 
(10) YHERING\u2014Actio injuriarum. 
( 11) POUILLET\u2014Traité des marques de fabrique et de la concurrence délo-
yale pag. 2. 
(12) Traité des marques de fabrique pag. 2). 
14 
que consistiam taes signaes ou marcas, as suas formas e 
desenhos e o modo por que eram appostos nos artefactos 
d'aquella epoca. (13). 
Esse e outros estudos de archeologia (14) de-
monstram a uniformidade no emprego de marcas, signaes, 
desenhos, que os povos antigos applicavam aos productos 
de sua industria, com o fim evidente de distinguil-os as 
vistas do publico. Entretanto, a ideia de assignalar taes 
productos, surgio talvcz da necessidade de evitar a 
confusâo entre elles, sem o intuito, porém, da 
concurrencia commercial, em que especialmente se 
inspira hoje a escolha da marca. 
«Il marchio, escreve Bosio, era il distintivo a 
provare a chi apparteneva la mercanzia (15). 
Effectivamente lê-se em STRACCA :\u2014Ad signum 
cognoscitur ballae. Signum mercatorum facit rem eorum 
presumi quorum sunt signacula (16). 
Tambem a marca constituia a prova de tradicçâo, o 
que demonstra a seguinte passagem de CASAREGIS : \u2014Ex 
signis vel marchis in ballis parmorum seu mer-cium 
arguitur non solum dominium illarum esse illius cujus 
signum esse probatur, sed ex variatione primi marchi 
aliud imponendo super mercibus, ar- 
(3) Sigles Figulius, in Annales de l'Académie d'archeologie de Belgique 
XXIlI,pags. 16 e 17. 
(14) D'AGENCOVRT\u2014REcueil de-fragments de sculpture antique en terre 
cutte; COMARMOND\u2014Description des objecis d'art deposés dans les salles du 
palais des arts à Lyon. . 
(15) Op. cit. pag. 7. 
16) Rot. gen. dtcis. 201. 
15 
guitur traditio earum mercatori cujus est novum 
marchum». (17) 
Posteriormente, com o evoluir dos tempos e das 
civilisaçôes, é que apparece a marca propriamente dita, 
acompanhada ou não do nome do artifice, re-presentando 
o estadio de uma cultura mais aperfei-çoada e diffusa. 
A fabricaçâo de certo numero de objectos nâo é 
mais limitada as ordens do cliente e para seu uso pes-soal, 
mas é realizada em mais vastas proporções com o escopo 
de estabelecer um mais amplo commercio. 
Assim, a marca passou a ser considerada como um 
meio para lutar contra a concurrencia, associ-ando-se a 
ideia de melhorar a fabricaçâo dos pro-ductos congeneres, 
em proveito de um ou de outro fabriçante. 
4\u2014 E' sómente na Idade Media que a marca 
applicada aos objectos da industria e do commercio, 
conservando o seu caracter de signal distinctivo imposto 
pela necessidade, adquire uma significaçâo, por assim 
dizer, officiosa, e assume uma verdadeira funcçâo social 
(18). 
Da organisaçâo industrial das Corporações de artes 
e officios resultou, embora como privilegio, a adopçâo de 
uma marca especial para os respectivos productos de cada 
uma. 
(17) Disc. 10 add. n. 38. 
(18) Bosio\u2014Op. cit. n. 3. 
 
16 
O trabalho do operario, antes de ser exposto a venda 
como industria da Corporaçâo, era por esta submettido a 
exame e approvaçâo. 
E como necessario se tornasse assegurar tal fis-
calisaçâo que, sem duvida, restringia a liberdade do 
trabalho, e ao mesmo tempo garantir ao compradora 
origem da mercadoria, foi adoptado o uso da marca da 
respectiva Corporaçâo ( 19). 
Não era vedado, entretanto, que o fabricante ou 
artista escolhesse uma marca especial para assignalar os 
seus productose distinguil-os dos outros da mesma 
Corporaçâo, porém, era obrigado a deposital a offi-
cialmente no respectivo Officio (20). 
Sob um tal regimen de constrangimento e de 
oppressão, em completa opposição as normas da 
liberdade, subordinada a severa regulamentaçâo das 
referidas Corporaçôes, nasceram e vegetaram as marcas. 
Por muito tempo, falseada em seu principio e 
affastada do seu objectivo, a marca, nâo obstante, 
correspondia a sua utilidade, até que tomou impulso e 
inteiro desenvolvimento com a suppressâo de taes 
instituições, realisando-se assim a effectividade pra-tica 
dos generosos esforços de Turgot (21). 
(19) GIAMBATTISTA VASCO\u2014Délle Universitd délie arti e mestieri. 
(20) DUPINEAU\u2014Coutume du pays et duché d'Anjou vol. 2° par. Soi ; 
BRAUN\u2014Op. cit. pag. 23. 
(21) RUBEN DE COUDER -Dictionnaire de droit commercial V. Marques 
de fabriques ». 1 ; PANDECTES FRANÇAISES\u2014vol. 40 V.° Marques de fabriques 
 
17 
Da Idade Media até a Revoluçâo as marcas ap- 
 parecem com uso gerai. 
 Nâo so para os artistas ou fabricantes, como 
para os commerciantes, era conhecido o uso da marca 
 individual. 
« Un livre ile commerce de Dantzig (1420), es-| 
creve DARRAS, cite un grand nombre de ces signes, dont 
les proprietaires étaient d'Amsterdam, d'Angleterre, de 
Gênes, etc. (22). 
Um outro livro publicado em Francfort, em 
1556, attesta o mesmo facto em relação a Venezae 
Anvers. 
 Outros documentos affirmam identico uso por 
parte dos mercadores de Lubeck, de Hamburgo e de 
 Riga (23). 
 O trabalho de STRUVIO, (24) publicado em 
1738, é um verdadeiro curso de direito industrial. 
Assimilada ao signal, a marca, embora sem uma lei 
positiva que a protegesse, representava uma pro-priedade 
collocada sob a salvaguarda da honesti-dade publica. 
Desde a Idade Media, na França, a usurpaçâo 
da marca alheia é considerada como um acto preju- 
 dicial que a justiça nâo pode tolerar, e que proteger 
o proprietario, importa igualmente na protecçâo ao 
consumidor, isto é, ao publico (25). 
(22) Op. cit. pag. 4. (2) 
BRAUN\u2014Op. cit. Int. 
(24) Systema jurisprudenti\u153 opificiaria. 
(25) LUCIEN BRUN\u2014Op. cit., pag. XVI. 
 
 
18 
Do seculo XIII em diante é que a usurpação da 
marca foi considerada crime, e como tal punida com 
penas corporaes. 
Um edito de Carlos V, de 16 de Maio de 1544, 
determinava que fosse cortado o pulso do contrafa-ctor e 
do falsificador (26). 
Em França um edito real de Carlos IX, de 1564, 
punia como moedeiros falsos, e, portanto,com a pena de 
morte, os que fossem convencidos de falsificação ou 
contrafacçâo de marcas. 
Posteriormente o art. 10 da Ordenança de Julho 
de 1681 e 43 da Declaraçâo de 18 de Outubro de 
1720, mitigaram taes rigores reduzindo a pena de 
morte a de galés (27). 
5\u2014A Revoluçâo assignala uma nova epoca na 
historia das marcas de fabrica. 
O Decreto de 7 de Março de 1791, abolindo por 
completo todas as antigas praticas e procla-mando a 
liberdade absoluta do commercio e da in-dustria, 
permittio, sein limitações, o livre exercicio de todas as 
profissôes, sem cogitar, entretanto, da necessaria tutella a 
boa fé commercial. Ao passo que se outorgava a qualquer 
negociante o direito de adoptar uma marca individual, não 
se tratou de estabelecer