MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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para servirem como marcas de 
industria ou de commercio. 
Assim são chamadas aquellas que, creadas ou nâo 
pelo industrial ou commerciante, ou nâo se re-lacionam de 
modo algum com oproducto em que são appostas, ou com 
elle apenas mante m uma relação mais ou menos 
affastada. 
Nesse caso o que constitue a marca é a propria! 
denominaçâo que, sem duvida alguma, pertencerá aquelle 
que a imaginou e adoptou como tal (210). 
(208) PAXDECTES FRANÇAISES\u2014V. Marques de fabrique vol. 40;». 171. 
(209) COUHIN\u2014Op. cit. vol.3î,pag- 114. 
(210) POUILLET\u2014Op. cit. «. 46; CALMELS\u2014Op. cit. n. 278; BLANC \u2014 
De la contrefaçon en lotis genres pag. 707; BEDARRIDE\u2014Op. cit. ». 823. 
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E' enorme a serie das denominaçôes que a ju-
risprudencia franceza tem acceito ou rejeitado como 
denominaçôes de fantasia (211). 
O nome do logar da producçào, como ficou dito, 
pertence cumulativamente a todos os productores nelle 
estabelecidos. 
Ninguem tem o direito de se utilizar do nome de um 
logar de fabricaçâo para designar producto natural ou 
artificial fabricado ou proveniente de logar diverso 
Entende-se por indieaçâo da proveniencia dos 
productos a designaçâo do nome geographico que 
corresponde ao logar da fabricaçâo, elaboração ou 
extracçâo dos mesmos productos. 
Não haverá falsidade de indicaçâo de proveniencia 
quando se tratar de denominaçâo de um producto por 
meio de nome geographico que, tendo se tornado 
generico, designar em linguagem commercial a natureza 
ou genero do producto. 
Esta excepçâo nâo é applicavel aos productos 
vinicolos (212). 
Dahi não resulta, porém, a exclusâo das deno-
minações geographicas como marcas, mesmo para ca-
racterisar uma determinada qualidade de productos 
vinicolos procedente de logar diverso, uma vez que, 
(211) Vide :PANDËCTES FRANÇAISES\u2014in loc. cit. as. 185 c seguintes ; 
ALLART\u2014Tr. theor. et prat. de concurrence déloyale pags. 142 a 144; RUBEN 
DE COUDER\u2014Op. cit. in eod. loc. us. 45 e seguintes; MARAFY \u2014Dict. de pro-
prieté industrielle in loc. cit.; COUHIN\u2014Op. cit. vol. 30 pag. 115 e seguintes. 
(212) Dec. 5.424 cit. de 10 de Janeiro de 1905 arts, il, 12 e 13. 
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quanto a estes, na mesma marca se indique clara-mente o 
logar da fabricaçâo ou da proveniencia. 
A denominaçâo, em tal caso, será puramente 
arbitraria ou de fantasia, porquanto de modo algum 
poderâ illudir o consumidor relativamente ao pro-ducto 
que compra, maxime se no logar indicado na referida 
denominaçâo nâo se fabricar absolutamente producto 
identico. 
Exempta illustrant : \u2014 Existe no nosso mer-cado de 
vinhos a seguinte marca\u2014 Vinho Velho do Porto\u2014 « 
Acreano ». 
Nâo se poderâ enxergar no vocabulo\u2014«Acreano» 
\u2014 uma indicação de proveniencia, nâo só porque esta se 
acha indicada como sendo do\u2014Pôrto \u2014, como tambem 
porque no territorio do Acre nunca se conseguirâ 
fabricar\u2014Vinho Velho do Porto. 
 Por isso, ensinam WEISS ET FRENNELET : 
«La denomination formée d'un nom 
 de lieu, n'est pas déceptive dés que les 
produits aux quels ce nom est imposé ne 
peuvent être tirés de cette localité (213). 
Igualmente POUILLET considera subsistente marca 
identica : 
«si le nom de localité, ainsi employée 
 pour designer un produit, n'avait aucun ra- 
(213) PANDECTES FRASÇAISES\u2014loc. cit. ». 281. 
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pport avec lui, et indiquait, sans fraude 
d'ailleurs,une provenance purement et cer-
tainement imaginaire» (214). 
 Assim, tem sido julgado que as marcas:\u2014Perles du 
Japon, Paraguay, Pilules suisses, encre indienne, tantar 
indien, bonbons suisses, savon du Congo, etc.\u2014; para 
caracterisar productos fabricados, em Paris, são 
perfeitamente validas. (215) 
Relativamente a \u2014 Perles du Japon\u2014 assim se 
pronunciou em um dos seus considerandos, o Tribunal 
correccional de Nantes : 
 «Attendu que la denomination Perles 
 du Japon (216) doit être considerée comme 
purement fantaisiste, puis qu'il est établi que 
Je Japon ne produit ni perles, ni tapioca; 
qu'une telle denomination, entièrement 
arbitraire, demeure essentiellement 
appropriable, etc. (217). 
A denominaçâo usual ou vulgar e a necessaria, em 
regra, nâo sâo susceptiveis de apropriação como 
propriedade exclusiva a titulo de marcas. 
 (214) Op. cit. ». 64. 
(215) PANDECTES FRANÇAISES\u2014IN LOC. Cil. NS. 282 E Seguintes. 
(216) Na especie a marca\u2014Pertes du Japon\u2014fora adoptada para dis-
tinguir uma qualidade de massa alimenticia feita de tapioca. 
(217) COUHIN,\u2014Op. cit. vol. 3° pag. 118 not. 1.204. 
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A denominação vulgar é a designação em-pregada, 
de um modo corrente e geral, pelo publico ou pelo 
commercio ou por ambos. 
A denominaçâo necessaria não é, como pensam 
BLANC (218) e GASTAMBIDE (219), a unica e indis- 
pensavel designaçâo por que é conhecido o pro- 
ducto, mas, como diz COUHIN, qualquer designação 
tirada da linguagem vulgar que, embora possa ter 
equivalentes, apparece como o nome mais verda- 
deiro e ao mesmo tempo o mais simples e natural 
do producto (220), ou se tornam necessarias pelo 
uso. (221) 
Assim definidas, taes denominaçôes são communs e 
genericas, e por isso mesmo improprias para singularisar 
ou distinguirem os productos de uma determinada 
industria ou commercio. 
Portanto, os vocabulos\u2014fumo\u2014, \u2014charutos\u2014, 
phosphoros\u2014sâo denominaçôes vulgares e necessa- 
(218) De la contrefaçon en tous genres,pag. 705. 
(219) Traité theorique et pratique des contrefaçons en tous genres ». 482. 
(220) Op. cit. vol. 3. pag. 137 ; No mesmo sentido : POUILLET\u2014 Op. cit. 
n. 50. 
(221) GEORGES DE Ho\u2014marques de fabrique et de commerce, pag. 115; 
Vide: BERT\u2014De la concurrence déloyale pag. 53 e seguintes ; RENDU\u2014 
Droit industriel n. 38. 
«La dénomination nécessaire ou générique d'un produit, escreve ALLAI»-
, est celle qui constitue sa désignation obligée ou habituelle, si bien qu'il est 
impossible de lui donner un autre nom, ou que tout au moins cette appellation 
est .consacrée par l'usage. Tel est, par exemple, un qualificatif tiré de la 
nature ou des qualités mêmes du produit auquel il est appliqué. Tel est encore 
un mot qui, sans être la désignation habituelle du produit, constitue sa 
dénomination scientifique. Celui qui le premier fait un usage commercial de 
cette dénomination, ne saurait s'en attribuer le monopole et interdire à d'autres 
le droit d'employer, pour désigner le même produit, un mot qui est dans le 
domaine public de la science. (De la concurrence déloyale, pag. 145), 
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rias, e nâo poderiam ser adoptadas como marcas, e 
impedido o seu uso a fabricantes de productos identicos. 
 Todavia, se assim consideradas, as denomina-ções 
usaes e necessarias nâo sâo susceptiveis de apro-priaçâo 
podem, entretanto, constituir objecto de marca se 
revestirem uma fórma distinctiva. (222) De facto, as 
expressôes\u2014fumo veado,\u2014charu-tos bahianos, \u2014
phosphores brilhantes \u2014 apresentam caracteristico 
especial e se distinguem de quaesquer outros da mesma 
natureza. (223) 
Denominações estrangeiras\u2014As marcas de 
productos fabris nacionaes em lingua estrangeira devem 
conter o nome do fabricante, da fabrica, e da localidade 
d'esta, ou a declaraçâo\u2014Industria Nacio nal\u2014 em 
caracteres bem visiveis ; nâo bastando, comtudo, esta 
ultima indicaçâo quando as marcas se destinarem a 
assignalaçâo de generos ou substancias alimentares. 
(224) 
9 \u2014Emblemas\u2014O emblcma, podendo ser a re-
presentação de uma idéa pela figura do objecto que 
symbolisa (225), é tambem a representação de qual-quer 
signal caracteristico v. g.\u2014uma ancora, um animal, etc., 
etc. 
(222)Dec. 5.424 cit. de 1905 art. 19. 
(223) AFFONSO CELSO\u2014Marcas industriaes e nome commercial n. 40 ; e 
deniais autores citados. 
 (224) Dec. 5.424 cit. de 1905 art. 21 § 3° n\u2022 2 ; Dec. 452 de 30 de' 
Novembre de 1897 art.1ºlet.c § 2.º 
(225) LAROUSSE\u2014Grand dictionnaire V. Emblème. 
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E a representaçâo de um objecto determinado, pela 
qual se designa muitas vezes o proprio producto que o 
acompanha. (226) 
 A marca emblematica tem sobre as outras o me-rito de 
ser comprehendida nâo só pelos illetrados como pelos 
estrangelros,