MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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loi à de semblables marques etrangères 
non reconnues par leur legislation, serait contraire aux 
principes que nous venons de degager et d'après lequel 
c'est la loi d'origine (c'est-à-dire la loi du pays où se trouve 
l'établissement) qui doit être consultée pour tout ce qui 
con-cerne les conditions d'existence» (290). 
E' portante, a lei do paiz de origem que cumpre 
consultar, quando se tratar de apreciar o caracter legal de 
uma amarca estrangeira. 
Por isso, ensina BRAUN: «Les étrangers devront 
donc justifier que leur marques, en ce qui concerne les 
signes qui la composent, satisfait à la loi étrangère; ils 
devront justifier, en outre, de l'accomplissement, dans leur 
pays, des fórmalités aux quelles est subordonnée la 
protection légale» (291). 
Do contrario poder-se-ia chegar ao extremo de, no 
Brazil, concedera marca registrada no estrangeiro mais 
direitos do que poderia gozar no paiz em que é situado o 
seu estabelecimento (292). 
Isto, porém, como condiçâo preliminar para! 
admissibilidade do registro no Brazil. 
(290) Op. cit. pag. 25. 
(291) Op. cit.n. 265. 
(292) POUILLET\u2014Op. cit. n 333 bis ; BRAUX\u2014Ob. H. 265. E'en-
tretanto, contrario à doutrina esposta o commentario das : PANDECTES 
FRANÇAISES'\u2014V.° Marques de fabrique vol- 40n 1.530. 
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Feito, po'rém, o deposito e satisfeitos os demais 
requisitos, a marca estrangeira gozarâ das inteiras 
garantias da lei brazileira, pouco importando que no 
respectivo paiz de origem essa protecçào seja maior ou 
menor (293). 
E' o que se deve inferir do preceito expresso contido 
no art. 33 da Lei 1.236 de 24 de Setembro de 1904 e art. 4 
do Dec. 5.424 de 10 de Janeiro de 1905. 
Pôde succeder que a marca registrada no es-
trangeiro contenha emblemas, dizeres, denominaçâo, etc., 
que não sendo offensivas da respectiva legis-laçâo local, 
não sejam, entretanto, permittidas pela legislação 
brazileira. 
Uma vez que a legislaçâo do paiz de origem per-
muta o registro, e assegurando elle reciprocidade de 
garantias para as marcas brazileiras, o deposito no Brazil 
não poderâ ser recusado, uma vez que oEstado faça parte 
da União internacional para protecçào da propriedade 
industrial, salvo si fôr considerada como contraria a 
moral ou a ordem publica (294). 
Essa tem sido a jurisprudencia adoptada pelos 
tribunaes francezes, suissos e allemães. (295) 
O\u2014Pode succeder que o individuo domicitiado e 
estabelecido no estrangeiro, depois de ter regular- 
(593) VIDAL-NAQUET\u2014Op. cit. pag. 85.. 
(294) Vide: VIDAL-NAQUET\u2014 Op. cit. pag. 25; Convenção de 20 de Mario 
de 1883 art. 6; Acto addicional ao accórdo de 14 de Abril de 1891 art. $. 
(295) VIDAL-NAQUET\u2014Op. cit. pags. 25 e 26. 
 
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mente aqui depositado a sua marca, transfira o seu 
estabelecimento para o Brazil. 
Deverá fazer novo registro na Junta Commercial, ou 
bastara o deposito anterior para garantir as suas marcas ? 
Sem embargo da opinião contraria de MESNJL, 
que entende ser sufficiente aquelle deposilo, (296), 
parece-nos que o novo registro é indispensavel por- 
quanto a condição juridica do estrangeiro se trans- 
fôrmou, e passando a ser domicitiado no Brazil o 
registro competente deverá ser feito na Junta ou 
Inspectoria Commercial da séde do estabeleci 
mento. (297) 
6\u2014O deposito do respective modelo e certidào do 
registro devem ser feitos na Junta Commercial do Rio de 
Janeiro, não s6 para organisaçâo do indice d'essas marcas 
estrangeiras, cujo exame será facul-tado a quem solicital-o 
(298), como tambem para que essa Repartiçção possa 
examinar os respectivos documentos, afim de avaliar da 
sua authenticidade e si não são offensivas dos principios 
da moral e ordem publicas. 
E', portanto, indispensavel que do modelo e certidào 
do registro se verifique: 
(296) Des marques de fabrique et de commerce et du nom commercial 
dans les rapports internationaux pag. 243. 
(297) VIDAL-NAQUET\u2014Op. cit. pag. 83 ; Lei 1236 de 24 de Se-
tembro de 1904 art. 4. 
(298) Dec. 5.424 cit. de 1905 art. 29. 
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1°\u2014a descripçâo do que constitua a marca, 
com todas as suas explicações e cara-
cteristicos; 
2°\u2014a representaçâo, por meio de desenho, 
 gravura, impressão ou processo ana- 
logo, do que constitua a marca com 
todos os accessorios, inclusive a tinta 
ou tintas com que deve ser usada; 
3°\u2014declaraçâo do genero de industria ou de 
commercio a que se destina, bem como 
da profissâo do seu requerente e seu 
domicitio (299). 
Sem esses requisitos a marca não poderá ser 
depositada, e si o fôr incorrerâ na privação do re-spectivo 
deposito (300). 
7\u2014E' ainda fórmalidade substancial a publi-cidade 
d'esse deposito, isto é, que a certidão do re-gistro e a 
explicação da marca depositada sejam pu-blicadas no 
Diario Officiai do Districto Federal. 
O deposito sendo feito para garantir a marca e 
affirmar ao publico a sua authenticidade, e sendo esse o 
seu destino não se comprehenderia que fosse secreto. 
 Do contrario, não se levando ao conhecimento de 
todos os interessados o registro da marca, sem 
(299) Dec. 5424 cit. de 1905 art. 22 « § 2° 
(300) Dec. 5424 cit. de 1905 arl. 25 § 40 
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duvida, era bom direito, não se poderia reprimir qualquer 
usurpaçâo ou contrafacçâo muitas vezes involuntaria. 
Essa publicaçâo deve ser feita pelo interessado 
dentro de 30 dias contados da data do dcposito, que ficara 
insubsistente si fôr excedido aquelle prazo, salvo o direito 
de renovar o pedido, com obediencia as mesmas 
fórmalidades (301). 
D'ahi decorre que o proprietario de marca re-
registrada no estrangeiro, não depositada no Brazil,. não 
poderâ absolutamente reinvindical-a aqui, alle-gando uso e 
posse anterior (302). 
Todavia VIDAL-NAQUET estabelece dois tempe-
ramentos a esse systema, nos seguintes termos : 
1°\u2014II est bien entendu que si le deposant 
national est de mauvaise foi, il ne 
Pourra se prevalier de son dépôt, et 
 ne pourra poursuivre l'industriel ou 
le commerçant étranger, ni tout autre 
contrefacteur (303). 
2°\u2014Lorsque le pays dans lequel la marque 
était usitée a conclu, avec la France, 
(301) Dec. 5424 cit. de 1905 art. 25 e § 3° (302) VIDAL-NAQUET\u2014Op. cit. 
pcg. 57; POUILLET \u2014Op. cit. n. 24; BARBEROT\u2014De la propriété industrielle 
dans les rapporte inlerua-tion ux pag. 93 ; AUGER\u2014Des brevets d'invention 
des marques de fabrique, \et de commerce e du nom commercial considerés au 
point vue international, hag. 86. 
(303) DALLOZ\u2014Repert. V.° Industrie u 325;Pouillet\u2014Op. cit. us. 24 
e 335/ BARBEROT\u2014Op. cit. pag. 93. 
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 un traité dont l'effet est de faire ré- 
puter les marques de ce pays légalement 
connues en France, il y aura également 
exception à la règle sus indiquée (304). 
8\u2014Gozarzão, entretanto, das garantias asse-
guaradas pela lei brazileira os estrangeiros que, em vez 
de depositarem certidào do registro feito em seu 
respectivo paiz, requererem directamente o registro de 
sua marca no Brazil (305). 
Para se tornar, porém, effectivo o registro, assim 
requerido directamente, deverào os inreressados 
apresentar certidào negativa do registro em seu re-
spectivo paiz e documento que prove ahi explorarem 
estabelecimento commercial ou industrial (306). 
Sem a prova da effectividade da industria ou do 
commercio seria inadmissivel o registro. 
Os documentos para esse effeito devem provir do 
respectivo paiz, porque sómente assim poderiam attestar 
a affirrmativa da existencia do estabelecimento 
commercial ou industrial. 
9\u2014Os estrangeiros residentes e estabelecidos no 
Brazil são equiparados aos nacionaes em tudo quanto 
disser respeito as garantias estabelecidas em 
(304) Op. cit. pag.55 e seguintes. 
(505) Lei 1236 cit. de 1904 art. 33 paragraphe unico ; Dec. 5424 cit. de 
1905 art. 4 § 1° 
(306) Dec 5424 cit. de 1905 art. 4 § 2 
 
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favor das marcas de fabrica e de commercio e ao nome 
commercial (307). 
Àssim parece que o preceito legal quiz su-bordinar 
esse favor a tres condições : 
a) que o estrangeiro resida no Brazil; 
â) que explore aqui um estabelecimento commercial