MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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Não obstante, a opiniâo triumphante na juris-
prudencia, no intuito de concitiar o direito do com-prador 
com o interesse legitimo da familia do ven-dedor, 
estab.elece que, verificada a hypothese de ter o cessionario, 
na qualidade de successor, feito uso do nome do seu 
predecessor por tempo sufficiente para que em seu proveito 
se operasse a transmissão da 
(481) Op. cit.n. 76 ; Vide: HUMBLET\u2014Tr. des noms. ils. 280 e 285 
LALIER\u2014Op. cit. n. 218 ; Bouvy\u2014DES noms des personnes pags. 103 e 104; 
POUILLET--0p. cit. «. 552; MAYER\u2014 Op.cit. pag. 114; PANDECTS FRANÇAISES\u2014
V.° Nom commercialn. 199; THALLER\u2014Op. cit. n. 102. 
(482) REIBEL\u2014Op. est. n. 77; mAYER\u2014Op. cit. pag. 114; POUILLET\u2014 Op. 
cit. n, 558 ; LEBRE\u2014Op. cit. pag. 65. 
(483) MAYER\u2014Op. cit. pag. 114; Vide: ACHILLE-LEVY\u2014Op. cit. pags 
98 a 100. REIBEL\u2014Op. cit. n 83 ; COSACK\u2014Op. cit. vol. I.° pag 3 
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clientela, póde lhe ser vedada a continuação do uso do 
referido nome (484). 
O prazo para que se possa considerar realizada a 
transmissão da clientela, é variavel, confôrme a natureza 
do commercio ou da industria, e, era cada especie, 
segundo as circumstancias apreciaveis (485). 
4 \u2014 Somente o adquirente ou adquirentes directos 
do estabelecimento commercial podem usar do titulo de 
successor, quer a transmissào se opere inter vivos ou 
causa ?noriis, quer a titulo one-r.oso ou gratuito. 
Assim, o comprador do material do estabelecimento, 
das mercadorias, ou ainda o que viesse se estabelecer no 
local abandonado pelo commerciante, não poderia dizer-
se successor, nem se apropriar da denominaçâo do 
estabelecimento, do qual é acces-sorio (486), porquanto, 
como bem diz POUILLET, essas designaçôes se applicam 
aos estabelecimentos e não aos lugares em que sâo 
explorados (487). 
Si, todavia, a denominaçâo importar em uma 
designaçâo inherente ao immovel e não ao estabele-
cimento, o novo proprietario ou locatarios poderâo fazer 
uso d'ella (488). 
(484) LYON-CAEN ET RENAULT \u2014 Op. cit. vol. 3°, n..266 bis ; POUILLET 
\u2014 Op. cit. n. 55S ; LALLIER\u2014 Op. cit.n. 216 ; THALLER \u2014 Op. cit.n. 102 
infine. 
(485) ACHILLE-LEVY \u2014 Op. cit., pag. 96. 
(486) "REIBEL \u2014 Op. cit, n. 30. 
(487) Op. cit. M 
(488; VANDENBROUCQUE\u2014-Des Enseignes, -pag, 124; RUBES DE 
COUDER\u2014 Op. cit. V. Enseignes ns. 32 « 33. 
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5 \u2014 A transmissâo do nome que acompanha a 
cessâo do estabelecimento não priva o cedente do direito 
de usar do seu nome commercial, si este fôr constituido 
pelo nome patronymico. 
Pode usal-o, não só em commercio de natureza 
diversa, como em commercio similar, fôra do peri-metro 
do estabelecimento cedido, de fórma a evitar a confusão, 
ou depois de expirado o prazo fixado por convençâo ou 
pelo juiz para a transmissâo da clien-tela (489). 
Contraria seria a soluçâo se o estabelecimento fosse 
conhecido por uma denominaçâo arbitraria ou de 
phantasia, caso em que a transmissâo seria completa e a 
prohibiçâo absoluta. 
6\u2014O cedente do estabelecimento póde ser, ao 
mesmo tempo, o fabricante dos productos ahi vendi-dos 
com o seu nome. 
N'este caso, poderá vender o estabelecimento 
reservando, si lhe aprouver, o direito ás especiali-dades 
que trazem o seu nome, ou cedel-o a outrem (490). 
(489) Vide sobre os detalhes : ACHILLE-LEVY\u2014Op. cit. pags. 101 e 
102. 
(490) Assim decidio a Côrte de Paris na questâo Guyot. 
Este, que era proprietario, em Pariz, de uma pharmacia e de productos 
especiaes designados pelo nome de Alcatrâo-Guyot, vendeu separada-mente 
a dita pharmacia e os releridos productos. 
Não tardaram a surgir duvidas entre os respectivos cessionarios, sendo 
afinal julgado que o adquirente da pharmacia podia designal-a pelo nome 
Guyot, e o outro fabricar esclusivamente Alcatrâo-Guyot. (Vide ACHILLE-
LEVY\u2014Op. cit. pag- 82; LEBRE\u2014Op. cit. pags. 78 e 79). 
 
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 7\u2014A denominação do estabelecimento passa com 
este ao cessionario. 
«La propriété de l'enseigne, diz POUILLET, se 
confond le plus souvent avec la propriété du fonds de 
commerce, c'est-à-dire que l'enseigne et le fonds 
deviennent inseparables, l'un étant la chose dont l'autre 
est le nom» (491). 
Esse principio, entretanto, não é-absoluto. 
O proprietario pode ceder apenas o estabelecimento 
com a clientela, as vantagens da situaçâo do lugar em que 
esta elle situado, e vender separada-mente o direito a 
denominaçâo (492). E', porém, indispensavel uma 
convenção ex-pressa para que o cessionario do 
estabelecimento seja considerado como não tendo 
adquirido a respe-ctiva denominaçâo. 
Sem essa estipulaçâo clara e explicita pertence-lhe 
a propriedade da denominaçâo do estabelecimento 
vendido (493). 
8\u2014O nome commercial, quando não fôr con-
stituido pelo nome patronymico, perde-se : 
I\u2014pela cessaçâo do commercio em que era uti-
lisado. 
(491) Op. cit. n. 712. 
(492) GASTAMBIDE\u2014Des contrefaçons pag. 481; BLANC\u2014De la contre-
façon pag. 704; CALMELS\u2014Noms et marques de fabrique n 207; PARDESSUS \u2014
Droit commercial vol. 1.º n. 271; AUAUZET\u2014Code de commerce vol 1,º168 
RUBEN DE COUDER\u2014Op. cit. V.° Enseigne n. 16. 
(493) LEBRE\u2014Op. cit. n 58; POUILLET\u2014Op. cit. n. 712. 
é 
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Assim, diz REIBEL, si um commerciante aban-dona 
os negocios sem transmittil os, ou se despreza o genero de 
commercio que exercia para explorar um outro 
inteiramente diffrente, não poderâ quei-xar-se que outrem 
se apodere do seu distico ou das denominaçôes que 
adoptara para designaçâo dos seus productos (494). 
Pouco importa que esse individuo possa pre-tender 
mais tarde voltar ao seu antigo commercio. 
«Il est impossible, pondera GASTAMBIDE, d'en-
chaîner ainsi la liberté générale du commerce dans la vue 
d'une éventualité incertaine. 
«L'enseigne n'est une propriété qu'en vertu d'une 
possession liée a l'existence d'une clientèle ; le jour ou il 
n'y a plus ni clientèle, ni possession, l'enseigne n'est plus 
une propriétén (495). 
II\u2014Pela dissoluçâo ou liquidaçâo da so-
ciedade. 
As razôes sâo as mesmas:\u2014 desapparecendo a 
sociedade, cessa igualmente o respectivo commercio 
(496). 
III\u2014Pelo seu abandono. 
E' mister, porém, que o abandono seja certo e 
definitivo, e não momentaneo, ou resultante" de 
(494)Op. cit. pag. 189. 
(495) Des contrefaçons en tous genres pag, 482 ; POUILLET\u2014Op, cit. 
. 703. 
(496) Dec. 916 de 24 de Outubro de 1890 art. 9. 
 
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um caso de fôrça maior, como: o incendio, uma crise 
politica, etc. (497). 
IV\u2014Pela*transfórmaçâo, por uso con- 
 stante, repetido e sem opposiçâo, em nome 
commum e vulgar, para designar no com- 
mercio todos os productos similares, ca- 
hindo assim no dominio publico (498). 
 Todavia, confôrme pondenam REIBEL e MA-NOURY 
(499), os Tribunacs devem apreciar com ex-trema cautela 
taes circumstancias, pois, não raro, o publico dâ 
facitmente ao producto o nome do fabri-cante ou do 
inventor. 
Assim seria facit aos concurrentes se apode-rarem 
de um nome industrial, adquirido a custa de esfôrços do 
trabalho e da intelligencia. 
E' necessario, portanto, que o proprietario do nome 
tenha voluntariamente, sem opposiçâo, consen-tidp 
n'essa apropriaçâo pelo dominio publico. 
O nome de localidade não é susceptivel de ca-hir 
no dominio publico si designar, não o genero especial de 
fabricaçâo, mas a proveniencia de um producto natural 
(500). 
(497) REIBEL \u2014 Op. cit. pag. 189 ; GASTAMBIDE\u2014Op. cit. n. 492. 
(498) Op. cit. pag. 197. 
(499) Du nom commercial pag. 195. 
(500) POUILLET\u2014Op. cit., pag. 493. 
 
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9\u2014O direito que a outrem assista de obrigar o 
concurrente que tenha nome identico ou semelhante a 
modifical-o por fórma que seja impossivel erro ou 
confusâo, prescreve si não fôr exercitado até seis 
mezes depois do registro (501). 
Isto, porém, quando houver registro, isto é, 
quando o nome fizer parte de marca registrada. 
Quando não existir registro do concurrente não 
se verifica a perempçâo de tal direito, bastando para 
legitimal-o a prova da posse e uso anterior do nome. 
(501) Dec. 5.424 cit de 1905 art. 33 $2°; AFFONSO CELSO\u2014Op. cit. n. 
249. 
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