MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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A 
propriedade preexiste ao registro ; mas este é exigido 
como condiçâo do exercicio da acçâo criminal, ficando 
sempre e em todo o caso salva a acçâo civel por perdas e 
damnos. 
Nâo limita o projecto unicamente a usurpaçâo do 
nome industrial por meio de estampilhas ou marcas falsas 
; estende sua acçâo ao uso fraudu-lento das mesmas 
estampilhas ou marcas verda-deiras appostas em 
productos estranhos ao fabricante dono dellas, porque é 
ainda a usurpaçâo que aqui se vai ferir. 
Amplia, finalmente, o projecto seu dominio aos 
que venderem ou expuzerem a venda productos con- 
trafeitos, mas faz depender a criminalidade destes- 
como condiçâo sine qua, da existencia provada 
da fraude. 
Quanto a penalidade, quiz a commissâo ap-plicar a 
mesma corn que o Codigo Criminal pune a falsidade, 
mas cedeu desse proposito diante do 
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rigor daquella penalidade, que em muitos casos daria 
logar a absolviçôes escandalosas; e tambem pela 
consideraçâo de que nestes delictos conyém de 
preferencia punir a cubiça, sendo a pena mais ade-quada 
â. este intuito a multa, que por isso prepon-dera no 
projecto. 
Em relação- á satisfação do damno, comquanto o 
exemplo da legislação franceza pudesse autorizar o 
confisco dos productos falsificados, a commissâo, sempre 
coherente corn os principios da liberdade e com as 
grandes idéas da constituição, preferiu nâo adoptal-o, 
deixando á parte lesada o direito de in-demnisação civil 
com a mesma latitude que o Codigo Criminal prescreve. 
Fôra talvez occasião de completar este as-sumpto, 
regulando as condiçôes de existencia da propriedade 
litteraria, artistica e industrial, mas sobre reclamar este 
projecto um estudo mais com-pleto, mais proprio do 
codigo civil, confiado ás luzes de um jurisconsulte 
distincto, a violação da propriedade litteraria e artistica 
acha-se prevenida e de modo satisfactorio no Codigo 
Criminal.» 
Terminava a illustrada Commissâo submet-tendo â 
consideraçâo da Camara um projecto, que mezes depois 
foi, com pequenas alteraçôes, conver-tido na Lei 2.682, 
de 23 de Outubro de 1875, cujo regulamento elaborado 
pelos CONSEI.HEIROS AFFON-so CELSO, VISCONDE DE 
PARANAGUÁ, ANDRADE PINTO, GANSANSAO DE SINIMBÚ, 
MARTI M FRANCISCO E JOSE 
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BENTO DA CUNHA FIGUEIREDO, nunca foi, entretanto, 
promulgado. 
9\u2014Si a referida lei não primou pela perfeição de 
seus dispositivos, si defeitos e omissões foram logo 
apontados, todavia, servindo de incentivo para novos e 
mais reflectidos estudos acerca do assumpto, teve o 
merecimento de fazer renascer a confiança, as-segurando. 
embora de modo incompleto, a tâo soli-citada e necessaria 
protecçâo as marcas industriaes. 
Posteriormente, não só as lacunas referidas, como a 
Convenção assignada em Pariz, a 20 de Março de 1883, 
ratificada e promulgada pelo Dec. n. 9.233, de 28 de 
junho de 1884, em virtude da qual o Brazil, a Belgica, 
Hespanha, Italia, os Paizes Baixos, Portugal, Servia, a 
Confederação Suissa, a França, Guatemala e S. Salvador 
se consti-tuiram em União para protecçâo da propriedade 
industrial, vieram reclamar a urgente elaboraçâo de uma 
nova lei. 
Assim se fez, e ao eximio jurisconsulto SENADOR 
AFFONSO CELSO, secundado por seu illustre collega DR. 
LEÃO VELLOSO, Senador pela Bahia, foi devida a 
elaboraçâo de um novo projecto de lei, apresentado ao 
Senado, na sessão de 27 de Maio de 1885, o qual, sem 
alterações importantes, foi mais tarde convertido no 
Decreto n. 3.346, de 14 de Outubro de 1887, cujo 
regulamento foi promulgado pelo Decreto n. 9.828 de 31 
de Dezembro do mesmo anno. 
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10\u2014O advento da Republica aceitou sem alte-raçôes 
o Decreto n. 3346 citado. Melhorando grande-mente o 
systema de garantias estabelecido pelo Decreto de 1875, o 
de 1887, durante dezesete annos soffreu apenas as 
modificações introduzidas pelos arts. 353 a 355 do 
Decreto 847, de 11 de Outubro de 1890. 
As incessantes relaçôes internacionaes desenvol 
vidas n'esse lapso de tempo, a benevolencia do le-gislador 
de 1890 supprimindo a pena de prisâo para os 
falsificadores, o reapparecimento da fraude disfar-çada 
sob novos aspectos, o desenvolvimento da in-dustria e do 
commercio e sobretudo as necessidades de uma mais 
segura e efficaz tutella a fé publica, começaram a exigir 
modificaçôes da legislaçâo em vigor. 
Em uma das Casas do Congresso Federal oc-cupou 
se do assumpto o Deputado Germano Has-locher que, em 
sessão realisada a 23 de Novembro de 1903, apresentou 
um projecto modificativo do Decreto de 1887. 
Justificou-o, o representante do Rio Grande do Sul, 
nos seguintes termos : 
 Sr. Presidente, venho apresentar a Camara um projecto 
de lei reformando disposiçôes do Decreto n. 3.346 de 14 
de Outubro de 1887. 
Refere-se o meu projecto a lei que defende as 
marcas de fabrica e de commercio. 
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Ha muito tempo que o clamor de todos os que 
trabaham e produzem se levanta contra os fabricantes 
falsificadores, que abusivamente se utilisam das marcas 
acreditadas pelo labôr honesto. 
Nossa legislaçâo, a principio, attendendo ás 
reclamaçôes dos industriaes e commerciantes, parecia 
soccorrel-os convenientemente contra os defrau-dadores; 
assim a primitiva lei, de 1882 (37) refor-mada 
porteriormente em 1887, parecia sufficiente, no momento, 
para garantir o commercio licito, o in-dustrial probo, 
contra o commerciante deshonesto e o industrioso, que 
vivem a sombra dos successos al-cançados por aquelles 
que dignamente se esforçam na luta industrial. 
 A lei de 1887 entretanto, Sr. Presidente, dentro de alguin 
tempo se tornou insufficiente para garantir o commercio, 
accrescendo que a decretação do nosso Codigo Penal, que 
supprimio a pena de prisão para os falsificadores, veio de 
novo animal-os, favorecendo assim as suas empreitadas 
illicitas. 
As formulas processuaes, muito complicadas, as 
diligencias, ,cercadas de difficuldades de toda a natureza, 
as exigencias da lei de 1887, tornavam summamente 
penosa a acçâo d'aquelle que, porven-tura, pretendesse 
defender seu producto conLra os falsificadores. 
(37) Este discurso tem a nota de não ter sido revisto pelo orador, e 
por isso, com certeza, as notas tachvgraphicas deve-se o erro quanto a 
indicação do anno, que deve ser 12875 e não de 1882. 
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 Assim, de certo tempo a esta parte, ninguem mais se 
anirnou, sinão em casos muito excepcionaes, a proceder 
contra os falsificadores e elles surgiram por todos os 
cantos, concorrendo, sobretudo, para prejudicar altamente 
a saude publica com verdadeiras drogas que são 
introduzidas na circulaçâo, acober-tadas com as imitaçôes 
das marcas acreditadas. 
O commercio e as industrias por vezes se teem 
manifestado, solicitando dos poderes publicos me-didas 
energicas que tornem a lei mais efficaz para defeza de 
seus direitos e perseguiçãodos seus defrau-dadores. 
A pratica nos tem ensinado, a nos que exer-cemos a 
profissão de advogado, os meios mais immediates para 
dar proficuamente uma campanha que acautele o trabalho 
dos industriaes honestos e a saude do consumidor contra 
os falsificadores. 
Elaborei um projecto reformando n'este sen-tido a 
legislaçào de 1887, mantendo grande parte de seus 
dispositivos, ampliando outros e substi-tuindo por 
completo alguns. 
A minha primeira modificaçâo consiste em 
accrescentar ao art. 2.° d'esta lei um paragrapho, 
determinando que marcas, tanto podem ser usadas no 
artigo directamente, como nos seus recipientes e 
envolucros. 
As opiniôes nas varias juntas commerciaes no Brasil 
variam por ser a lei um tanto omissa ou obscura n'esse 
ponto. 
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Quanto as marcas, entendem algumas e entende a 
Junta Commercial do Rio de Janeiro que nâo podem ser 
registradas sobre os envolucros ou recipientes dos 
productos destinados ao consumo. 
Assim, o negociante que quizer registrar a sua marca 
nâo a pode registrar por ser apposta sobre um envolucro 
como a garrafa ; n'estas condiçôes os fabricantes de 
productos destinados ao consumo sâo prejudicados, pois 
os falsificadores d'essas garrafas