MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO
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MARCAS DE FABRICA E DE COMMERCIO


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luta, 
muitas vezes, ao cabo de grande es-forço e grande 
dispendio de dinheiro, vê o seu tempo perdido e ainda por 
cima, é obrigado a pagar custas enormes áquelle que 
falsificou seus generos. Armar o negociante e o industrial 
para a defesa immediata do seu direito é uma necessidade 
indis-pensavel, e é por isso que deve ter a autoridade junto 
de si. 
Nâo vejo em que uma diligencia policial no caso 
possa ser negada ; si as autoridades policiaes podem fazer 
buscas em casos criminaes, si podem, dentro dos termos 
precisos da lei, invadir domicitios, por que razâo 
havemos de prohibir a autoridade de prestar seus serviços 
a requerimento, como disse, da parte, que vae buscar 
soccorro para seus direitos ? 
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Si a autoridadc no momento nâo é encontrada, o commerciante 
recorre â pretoria, ao tribunal e em qualquer delles póde encontrar o 
remedio para a offensa ao seu dircito, procedendo a autoridade, neste 
caso, à apprehensâo requerida. 
Ex-officio essa apprehensâo poderá ser feita : a) nas 
alfandegas, no acto da conferencia , dos productos. 
Ha grande numero de negociantes e industriaes 
europeus que, em virtude de tratados e convenções com 
o Brazil, têm direito a protecçâo de suas marcas entre 
nos. 
Ninguem ignora que aquelles paizes com quem 
temos convençôes neste sentido, têm o direito de exigir 
de nós defesa constante para os seus productos e para as 
suas marcas. 
 Introduzidn pelas alfandegas, pôde perfei-tamente, o 
encarregado, no acto da conferencia, da verificação da 
mercadoria, fazer apprehensâo de todo o producto que 
entrar com marca falsificada, assim como pôde 
apprehender tambem as marcas, as etiquetas, as fórmas 
para reproducçâo de marcas que sâo introduzidas pelas 
alfandegas. 
A autoridade aduaneira é investida jâ, em muitos 
casos, de attribuiçôes desta natureza. 
Sabemos que, pela nossa legislaçâo aduaneira, 
conferentes ou quaesquer empregados da alfandega sâo 
obrigados a apprehender grande numero de 
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productos, cujo commercio é prohibido ou consi-derado 
illicito. 
Em taes condiçôes, não é uma novidade, o que eu 
creio, poder a autoridade do fisco fazer taes apprehensôes, 
dado o caso de uma marca registrada ser falsificada. 
Ainda ex-officio pôde ser feita a apprehensão : 
b) pelos fiscaes de impostos de consumo sempre que 
encontrarem taes falsi/icaçôes nos estabelecimentos que 
visitam. 
No vigor da lei que decretou os impostos de 
consumo, os fiscaes têm o-direito de invadir todos os 
estabelecimentos industriaes, nâo havendo um só 
compartimento d'esses estabelecimentos onde nâo possam 
penetrar. N'essas condiçôes, elles, podem ser grandes 
auxiliares do commercio e da industria, si lhes der 
autorizaçâo para apprehen-derem todas as falsifîcaçôes e 
imitaçôes que encontrarem dentro d'essas fabricas. 
A maior parte das denuncias que se referem or-
dinariamente aos negociantes, aqui, parte dos em-
pregados da fiscalisação dos impostos de consumo. 
Sâo elles que têm visto, em uma infinidade de casos, 
nos fundos das fabricas, falsifîcaçôes e imitaçôes. 
Além d'isto, ainda a apprehensâo poderâ ser feita por 
outras quaesquer autoridades em outros casos. 
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Nâo cuidei, porém, na minha lei, simplesmente de 
resguardar o commerciante ou o industrial, mas, ao 
mesmo tempo trato de defender o cidadão contra qualquer 
devassa odiosa, de modo a garantil-o sem-pre contra 
medidas vexatorias requeridas com ma fé. 
Obrigo a pagar perdas e damnos sempre que uma 
diligencia negativa tenha sido feita de ma fé, no intuito 
exclusivo de vexar aquelle em cuja casa se'der a busca, ou 
mesmo para outro fim mysterioso que possa escapar a 
minha perspicacia, como seja, por exemplo, um individuo 
querer conhecer os methodos, os processos usados por 
determinado fabricante e| lançar mão d'este meio para 
violar o interior da fa-brica, introduzindo-se n'ella a 
pretexto de descobrir falsificaçôes, mas com o fim real de 
sondar tudo quanto existe dentro do estabelecimento. 
Determino tambem que se dará a prisâo do fal-sificador 
no acto da apprehensão, que abrangerá tudo quanto seja 
destinado a fabrica, directa e indirecta-mente. 
Da prisâo se livrarâ o paciente desde que offe-reça 
uma fiança, nâo irrisoria como até hoje succede, mas 
fiança real, que garanta ajusta indemnizaçâo devida 
aquelle que foi lesado mais directamente com a sua 
acção. 
Marco o praso de 30 dias da apprehensâo para 
queixa; determino o tribunal competente, a fórma do 
processo, as diligencias indispensaveis e, ao mesmo 
tempo, determino que a sentença que con- 
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demnar o réo á prisâo o condemnarâ igualmente a 
satisfaçào do damno, correndo a execuçâo nos pro-prios 
autos da acçâo criminal, liquidada a sentença na fórma do 
Regulamento Commercial n. 737 de 1850, porque hoje 
quem obtem a condemnaçâo do falsificador no processo 
criminal ainda tem de ir pro-pôr no juizo commum acçâo 
por perdas e damnos contra esse falsificador. 
Mais simples é, na propria sentença que o declara 
criminoso, condemnal-o a satisfação do damno, que é 
liquidado nos proprios autos do processo criminal. 
Estabeleço, finalmente, a responsabilidade pelas 
infracçôes da lei para os donos de officinas onde se 
preparar o genero, onde fôr elle falsificado, para a pessôa 
que o tiver sob sua guarda, para o vendedor e dono da 
casa onde estiverem collocadosxos pro-ductos. 
A razâo é esta o falsificador hoje monta suas fa-
bricas em fundos de estabelecimentos que parecem 
completamente estranhos a falsificação. 
Quando alli comparece a autoridade para fazer a 
apprehensâo, nâo se encontra ninguem, o morador declara 
que alugou aquillo a um desconhecido, que nâo sabe 
aquillo que alli esta de quem é e nem para onde vae. 
Ha pouco, na rua do Senado, em uma das pri-meiras 
cocheiras do Rio, pertencente a uma soci-edade anonyma, 
presidida por pessôa de alta impor- 
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tancia, a autoridade encontrou uma falsificaçâo de vinho 
do Porto, em alla escala. 
Alli havia caixas amontoadas e grande quanti-dade 
do producto. 
 Penetrando alli, a autoridade não encontrou ninguem, e 
o gerente da cocheira declarou que havia alugado aquella 
parte do predio por 40$600; que o individuo alli 
engarrafava vinho, mas que nâo sabia de quem era nem 
para onde o levava. 
Ora, o Codigo pune o individuo que empresta sua 
casa para pratica de crimes, e nâo é admissivel, quando a 
lei dispôe que ninguem pode allegar igno-rancia para se 
eximir da responsabilidade, nâo é admissivel que essa 
situaçâo continue. 
O individuo nâo poderâ invocar ignorancia de que 
um caso d'esta natureza seja considerado de-lictuoso. 
No caso narrado, naturalmente, o gerente da 
cocheira nâo deixava de ser, pelo menos, interessado do 
falsificador. 
Apprehendeu-se ali a falsificaçâo da marca da Real 
Companhia Vinicolado Norte de Portugal. 
O vinho foi analysado e ficou provado que era 
altamente nocivo à saude. 
 Entretanto, vende-se esse vinho no mercado, em todas 
as casas de commercio, e'nâo se pode punir o autor da 
falsificaçâo pelo recurso de que lançam mão 
sei.-s cumplices. 
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N'essas condições, a lei por mim reformada n'este 
ponto vem garantir o fabricante contra essa evasiva, 
fazendo o locador solidariamente respon savel, quando 
nâo possa indicar o verdadeiro dono da mercadoria 
falsificada. quando nâo possa justificar a sua nâo 
interferencia, que se presume emquanto nâo se provar o 
contrario. 
Reformei igualmente uma disposiçâo da lei, quando 
disse que constitue crime imitar marcas de industria, de 
commercio, de modo que possa illudir o comprador. 
A disposiçâo assim como esta concebida tem sido a 
porta por onde muitas vezes se escapam os cumplices dos 
falsificadores, que sâo os vendedores. 
Nenhum negociante que vende um producto 
falsificado deixa de saber que está vendendo um producto 
falsificado. 
Elle que o vende em gerai mais barato é porque 
compra por preço mais baixo que o legitimo. Quando elle 
quer vender o legitimo, vai procural-o na casa de seus 
verdadeiros agentes.