EconomiaEngenhariaCustos_apostila
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fixos. Enquanto no custeio por absorção podemos falar em lucro 
por produto, ou seja, que do preço de venda, deduzidos os custos de produção, temos o lucro, 
no custeio variável isso não ocorre. Nesse, os produtos geram uma margem denominada 
margem de contribuição. 
A margem de contribuição é o quanto resta do preço, ou seja, do valor de venda de um 
produto são deduzidos os custos e despesas por ele gerados. De outra forma, representa a 
parcela excedente dos custos e despesas que os produtos provocam (caso o preço de venda 
de um produto seja inferior aos seus custos e despesas variáveis, temos uma situação de 
margem de contribuição negativa, que deve ser revista ou, por condições comerciais, 
suportada). A empresa só começa a gerar lucro quando a margem de contribuição dos 
produtos vendidos suportar os custos e despesas fixos do exercício. 
Assim, essa margem pode ser entendida como a contribuição dos produtos aos custos e 
despesas fixos e também ao lucro. 
\u201c A Margem de Contribuição, conceituada como diferença entre Receita e soma de Custo e 
Despesa Variáveis, tem a faculdade de tornar bem mais facilmente visível a potencialidade de 
cada produto, mostrando como cada um contribui para, primeiramente, amortizar os gastos 
fixos e, depois, formar o lucro propriamente dito.\u201d 
Assim, a obtenção da margem de contribuição obedece ao seguinte cálculo: 
 MC = RT - (CV + DV) ou em termos unitários: Mcu = PV - (CVu + DVu) 
Onde: 
 MC = Margem de Contribuição MCu = Margem de Contribuição Unitária 
 RT = Receita Total PV = Preço de Venda 
 CV = Custos Variáveis CVu = Custo Variável Unitário 
 DV = Despesas Variáveis DVu = Despesa Variável Unitária 
 
Exemplo: Uma empresa fabrica os produtos X, Y e Z. Em outubro/20xx foram produzidos e 
vendidos com os preços e custos abaixo: 
 
Produtos Quantidade 
Preço de Venda 
Unitário 
Custo Variável 
Unitário 
X 
Y 
Z 
 1.000 u 
 800 u 
 1.500 u 
238,00 
404,00 
382,00 
183,00 
367,00 
350,00 
 
 As despesas variáveis de vendas (comissões) representam 5% do preço. 
 Os custos e despesas fixos totalizam $ 55.000,00 no mês. 
O resultado dessa empresa é obtido da seguinte maneira: 
 
 73 
1) Cálculo da margem de contribuição de cada produto 
 
Produtos 
Preço 
Unitário 
Custo 
Variável 
Unitário 
Despesas de 
Venda 
Unitária 
Custo (+) 
Despesas 
Variáveis 
Margem de 
Contribuição 
 a b c = a x 5% d = b + c e = a - d 
X $ 238,00 $ 183,00 $ 11,90 $ 194,90 $ 43,10 
Y 404,00 367,00 20,20 387,20 16,80 
Z 382,00 350,00 19,10 369,10 12,90 
 
2) Cálculo da margem de contribuição total 
 
Produtos 
Quantidade 
Vendida 
Margem de 
Contribuição 
Unitária 
Margem de 
Contribuição Total 
X 1.000 u $ 43,10 $ 43.100,00 
Y 800 u 16,80 13.440,00 
Z 1.500 u 12,90 19.350,00 
 Total 75.890,00 
 
3) Cálculo do resultado 
 
Margem de Contribuição Total $ 75.890,00 
(-) Custos e Despesas Fixos 55.000,00 
(=) Lucro Operacional 20.890,00 
 
Outra maneira de demonstrar o resultado seria: 
 
 Produto 
X 
Produto 
Y 
Produto 
Z 
Total 
Quantidade Vendida 1.000 u 800 u 1.500 u 
Preço de Venda Unitário 238,00 404,00 382,00 
Receita 238.000,00 323.200,00 573.000,00 1.134.200,00 
Custo Variável Unitário 183,00 367,00 350,00 
Custo Variável 183.000,00 293.600,00 525.000,00 1.001.600,00 
Despesas Variáveis (5%) 11.900,00 16.160,00 28.650,00 56.710,00 
Total Variável 194.900,00 309.760,00 553.650,00 1.058.310,00 
Margem de Contribuição 43.100,00 13.440,00 19.350,00 75.890,00 
(-) Custos e Despesas Fixos 55.000,00 
(=) Lucro Operacional 20.890,00 
 
 
Para entendermos melhor a utilidade do uso da Margem de Contribuição para tomada de 
decisões, vejamos e exemplo que se segue: 
 
Suponhamos que uma empresa fabrique três produtos (L, M e N), e que tenha as seguintes 
características: 
 74 
 
Custos Indiretos de Produção = $ 3.100.000 num certo mês, dos quais $ 2.480.000 são Fixos, 
compreendendo Mão de Obra Indireta (maior parte), Depreciação etc., e $ 620.000 são 
variáveis (Energia Elétrica e Materiais Indiretos). 
 
Outros dados: 
 
PRODUTO QUANTIDADE CUSTO DIR./u PV CUSTO IND. VAR./u 
 L 2.000 700 1.550 80 
 M 2.600 1.000 2.000 100 
 N 2.500 750 1.700 80 
 
Os Preços de Venda são os fixados pela empresa líder do mercado, e a empresa em pauta não 
pretende modificá-los, mas está fazendo um estudo para verificar qual o produto mais 
lucrativo para tentar incentivar sua venda. 
 
 Lu = PV - CTu 
 
Como o Custo Indireto Fixo, maior parte é Mão de Obra, vamos ratear em função das horas 
de Mão de Obra Direta 
 
PRODUTO HORAS de M.O.D./u TOTAL DE M.O.D. CUSTO I. FIXO/u 
 L 20 20 x 2.000 = 40.000 20 x 16 = 320 
 M 25 25 x 2.600 = 65.000 25 x 16 = 400 
 N 20 20 x 2.500 = 50.000 20 x 16 = 320 
 155.000 
 2.480.000 = 16 
 155.000 
 
Cálculo do Lucro Unitário (Lu): 
 
PRODUTO C. DIR. C. IND .VAR. C.IND. FIXO CTu PV Lu 
 L 700 80 320 1.100 1.550 450 
 M 1.000 100 400 1.500 2.000 500 
 N 750 80 320 1.150 1.700 550 
 
O resultado apresenta como prioritário para incentivo de venda o produto N, como mais 
lucrativo, ficando o L em último lugar. 
 
E se utilizássemos outro critério de Rateio? 
 
Suponhamos que essa empresa tenha tido custos por hora de Mão de Obra Direta 
diferenciados para cada produto e resolveu atribuir, ao invés de por horas, por valor em $ de 
Mão de Obra Direta. Para isso verifica o quanto foi aplicado, desmembrando o Custo Direto. 
Assim, temos: 
 
PROD. MOD/u M. PRIMA/u C. DIR./u M.O.D.TOTAL C.I.FIXO/u 
L 195 505 700 195 x 2.000 = 390.000 195x1,33=260 
 M 300 700 1.000 300 x 2.600 = 780.000 300x1,33=400 
 N 275 475 750 275 x 2.500 = 690.000 275x1,33=366 
 75 
 1.860.000 
 
 2.480.000 = 1,33 
 1.860.000 
 
Cálculo do Lucro Unitário (Lu): 
 
PRODUTO C.DIR. C.IND.VAR. C.IND.FIXO CTu pv Lu 
 L 700 80 260 1.040 1.550 510 
 M 1.000 100 400 1.500 2.000 500 
 N 750 80 366 1.196 1.700 504 
 
Neste caso, o produto L passou a ser o mais lucrativo. 
 
Afinal, qual o produto mais lucrativo? 
 
Toda a dificuldade reside