Apostila prof. Luciana - 28 mar 2011
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Apostila prof. Luciana - 28 mar 2011


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APOSTILA DIREITO PENAL I 			 COMPLETA
ROTEIRO DA APOSTILA DE DIREITO PENAL I - VERSAO UNIFICADA COMPLETA
Direito Penal 
Objeto Do Direito Penal 
Caráter Fragmentário do Direito Penal
Princípios Fundamentais Do Direito Penal 
Fontes Do Direito Penal 
Lei Penal 
Interpretação Da Lei Penal 
Lei Penal No Tempo 
Lei Penal No Espaço 
Lei Penal Em Relação às Pessoas 
Conflito Aparente De Normas 
Teoria Do Crime 
Classificação Do Crime 
Crime De Dano E De Perigo 
Crimes Quanto Ao Comportamento Do Agente 
Crimes Em Relação Ao Resultado 
Concursos De Crimes 
Tipicidade 
Sujeitos Do Crime 
Conduta 
Erro De Tipo 
Erro De Proibição 
Erro Determinado Por Terceiro 
Erro Sobre A Pessoa 
Erro Na Execução 
Resultado Diverso Do Pretendido 
Discriminantes Putativas 
Resultado 
Ilicitude / Antijuricidade 
Culpabilidade 
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Direito Penal
Das necessidades humanas decorrentes da vida em sociedade surge o Direito, que visa garantir condições indispensáveis à coexistência dos elementos que compõe o grupo social. Quem contraria a norma de direito, gera um ilícito jurídico, e este tem a obrigação de pagar por isso. As sanções civis mostram-se insuficientes para coibir a pratica de ilícitos graves, que atingem não apenas interesses individuais, mas também bens jurídicos relevantes, em condutas profundamente lesivas à vida social. Pode-se dizer, assim, que o fim do Direito Penal é a proteção da sociedade e, mais precisamente, a defesa dos bens jurídicos fundamentais. "É o conjunto de normas jurídicas que o Estado estabelece para combater o crime, através das penas e medidas de segurança". Basileu Garcia. "O conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os pratica". E. Magalhães Noronha. "O Direito penal é o segmento do ordenamento jurídico que detêm a função de selecionar os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade, capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social, e descrevê-los como infrações penais, cominando-lhes, em consequência, as respectivas sanções, alem de estabelecer todas as regras complementares e gerais necessárias à sua correta e justa aplicação". Fernando Capez.. 
Noções fundamentais 
A missão do Direito Penal é proteger os valores fundamentais para a subsistência do corpo social denominados bens jurídicos. Essa proteção é exercida não apenas pela intimação coletiva, mas sobretudo pela celebração de compromissos éticos entre o Estado e o individuo.
A natureza do direito penal de uma sociedade pode ser aferida no momento da apreciação da conduta. Toda ação humana está sujeita a dois aspectos valorativos diferentes. Pode ser apreciada em face da lesividade do resultado que provocou e de acordo com a reprovabilidade da ação em si mesma.
Toda lesão aos bens jurídicos tutelados pelo direito penal acarreta um resultado indesejado, que é a valoração negativa, afinal foi ofendido um interesse relevante para a coletividade, mas não quer dizer que a ação causadora da ofensa seja em si mesma sempre censurável. A reprovação depende não apenas do desvalor do evento, mas acima de tudo, do comportamento consciente ou negligente do seu autor.
Ao prescrever e castigar qualquer lesão aos deveres ético-sociais, o direito penal acaba por exercer uma função de formação do juízo ético dos cidadãos, que passam a ter bem delineados quais os valores essenciais para o convívio do homem em sociedade.
Desse conteúdo ético-social do direito penal resulta que a sua missão primaria é assegurar a real observância dos valores da consciência jurídica; todos constituem o fundamento mais sólido que sustenta o estado e a sociedade. A mera proteção dos bens jurídicos tem só um fim preventivo, de caráter policial e negativo. Ao contrario, a missão mais profunda do direito penal é de natureza ético-social de caráter positivo.
Função da tutela jurídica 
A função especifica do direito penal é a tutela jurídica, que visa proteger os bens jurídicos.
O direito penal visa a proteger os bens jurídicos mais importantes, intervindo somente nos casos de lesões de bens jurídicos fundamentais.
OBJETO DO DIREITO PENAL
O direito penal somente pode dirigir os seus comandos legais, mandando ou proibindo que se faça algo, ao homem, pois somente este é capaz de executar ações com consciência do fim. Assim, lastreia-se o direito penal na voluntariedade da conduta humana, na capacidade do homem para um querer final. Desse modo, £^âmbito da normatividade jurídico-penal limita-se as atividades finais humanas.
"O objeto das normas penais é a conduta humana, isto é o ativo e o passivo corporal submetida à capacidade de direção final da vontade. Esta conduta pode ser uma ação, isto é, o exercício efetivo da atividade final, ou a omissão de uma ação, isto é, o não exercício de uma atividade final possível. Para as normas do direito penal a ação está em primeiro plano, e a omissão notoriamente em segundo plano". Welzel.
CARÁTER FRAGMENTÁRIO DO DIREITO PENAL
Caráter fragmentário quer dizer que o direito penal só pode intervir quando houver ofensa a bens fundamentais para a subsistência do corpo social. Caráter subsidiário significa que a norma penal exerce uma função meramente suplementar da proteção jurídica em geral, só valendo a imposição de suas sanções quando os demais ramos do direito não mais se mostrem eficazes na defesa dos bens jurídicos. Isso quer dizer que a sua intervenção no círculo jurídico dos cidadãos só tem sentido como imperativo de necessidade, isto é, quando a pena se mostrar como único e ultimo recurso para a proteção do bem jurídico.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL
Principio da insignificância / bagatela: 
Segundo tal principio, o direito penal não deve preocupar-se com bagatelas, do mesmo modo que não podem ser admitidos incriminadores que descrevam condutas incapazes de lesar o bem jurídico.
A tipicidade penal exige um mínimo de lesividade ao bem jurídico protegido.
O principio da insignificância não é aplicado no plano abstrato.
Tal principio deverá ser verificado em cada caso concreto, de acordo com as suas especificidades. O furto não é uma bagatela, mas a subtração de um chiclete pode ser.
Principio da presunção do estado de inocência: 
Ninguém será considerado culpado até o transito em julgado de sentença penal condenatória. (CF, art. 5°, LVII).
Dele decorre a exigência de que a pena não seja executada enquanto não transitada em julgado a sentença condenatória.
Principio do "no bis in idem" 
Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. Possui duplo significado: 1°) penal material: ninguém pode sofrer duas penas em face do mesmo crime; 2°) processual: ninguém pode ser processado e julgado duas vezes pelo mesmo fato.
Principio da Intervenção mínima: 
A intervenção mínima tem como ponto de partida a característica da fragmentariedade do direito penal.
Somente haverá direito penal naqueles raros episódios típicos em que a lei descreve um fato como crime; ao contrario, quando ela nada disser, não haverá espaço para a atuação criminal.
O ramo penal só deve atuar quando os demais campos do direito, os controles formais e sociais tenham perdido a eficácia e não sejam capazes de exercer essa tutela. Sua intervenção só deve operar quando fracassam as demais barreiras protetoras do bem jurídico predisposta por outros ramos do direito.
Principio da proporcionalidade: 
Alem de encontrar assento na imperativa exigência de respeito a dignidade humana, tal principio aparece insculpido em diversas passagens de nosso texto constitucional, quando abole certos tipos de sanções, .exige individualização da pena, maior rigor para casos de maior gravidade e moderação para infrações menos graves. Baseia-se na relação custo-benefício.
Principio da humanidade:
Disso resulta ser inconstitucional a criação de um tipo ou a cominação de alguma pena que atende desnecessariamente contra a incolumidade física ou moral de alguém.
Principio da legalidade: 
Art. 1° C.P.: