Apostila prof. Luciana - 28 mar 2011
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Apostila prof. Luciana - 28 mar 2011


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a) imputabilidade, maioridade e sanidade mental; b) potencial consciência da ilicitude; c) exigibilidade de conduta conforme o direito.
CLASSIFICAÇÃO DO CRIME
A classificação ou divisão em espécies distintas se faz necessária para permitir a adequada compreensão da natureza e dimensão de cada uma das categorias em que se aglutinam as condutas incriminadoras e das suas consequências jurídico-penais.
Quanto à gravidade 
Segundo a divisão tripartida, as condutas ilícitas mais graves são denominadas legalmente de crime, as intermediárias de delito e as menos graves de contravenção. Em consequência os crimes são punidos com penas mais severas (reclusão, prisão perpétua, morte,...); aos delitos são cominadas penas menos severas (detenção ou equivalente, restritiva de direitos, multa,...); e para as contravenções ficam reservadas as penas mais brandas (multa ou prisão simples). Esta é a classificação adotado pela legislação penal francesa, belga, entre outras.
Na divisão bipartida, adotada pelo Brasil, as mais graves são chamadas de crime e as mais leves de contravenção. Argentina, Itália, Alemanha, entre outros países. "Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente" (LICP, art. 1°).
As contravenções penais estão na chamada lei de contravenções penais (DL 3688/41).
Infração penal de menor potencial ofensivo 
A lei 9.099/95 incorporou a classificação dos crimes quanto a gravidade, introduzindo no art. 61, o conceito de crime de menor potencial ofensivo: "Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contraverições penais e os crimes a que a lei comine pena maxima não superior a um ano, excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial". O julgamento dessas infrações são da competência do Juizado Especial Criminal e deve observar os "critérios de oralidade, informalidade, economia processual e celeridade." (DL 9.099/95, art. 62).
No entanto, a Lei n° 10.259/2001, introduziu no ordenamento jurídico pátrio os Juizados Especiais Cíveis e Criminais na esfera da Justiça Federal. Nessa lei, o artigo 2°, parágrafo único, trouxe um novo conceito de infração de menor potencial ofensivo, enquadrando nele todo crime cuja pena não ultrapassa o limite de 2 anos.
A aplicação destas normas abstraías ao caso concreto deve ser dada pela conjunção de leis, a 9.099/95 e a 10.259/01.
Na conciliação, definida pelo art. 74 do Decreto-lei 9.099/95, o acordo extingue a punibilidade do crime, e a reincidência. Caso ocorra o inadimplemento do acordo, não gera efeito penal, mas somente civil, a vitima entra com o processo de execução no juizado civil.
Infração penal de médio potencial ofensivo 
Já os crimes cuja pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano podem ser denominados de médio potencial ofensivo, porquanto podem ser beneficiados com a suspensão condicional do processo criminal, transacionando com o Ministério Público, mediante certas condições, a teor do que autoriza o artigo 89 da Lei 9.099/95.
Infração penal de maior potencial ofensivo 
Diante desses critérios utilizados pela Lei 9.099/95 e 10.259/01, surgem os crime de maior potencial ofensivo, que abarcam as infrações penais cujas penas minimas são maiores do que l (um) ano e as mâxima maiores que 2 (dois) anos.
Infração penal de extrema potencialidade ofensiva (hediondos) 
Há também os crimes considerados de extrema potencialidade ofensiva, que são os denominados crimes Hediondos, cuja Lei 8.072/90, equipara-os com tais. (Homicídio praticado por grupo de extermínio e o qualificado, latrocínio, extorsão qualificada pela morte, estupro, atentado violento ao pudor, epidemia com resultado morte, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e o terrorismo).
Quanto ao sujeito 
Crime comum é a infração penal que pode ser cometida por qualquer cidadão, desde que tenha a maioridade penal, ou seja, não exige nenhuma condição ou situação especial.
Crime próprio ou especial é a infração penal que somente pode ser praticada por uma categoria específica de pessoas. A lei exige que o sujeito ativo seja portador de determinada condição ou qualificação jurídica para que possa cometer esse tipo de infração penal. Por exemplo, um crime cometido pela mãe (CP, art. 123, infanticídio).
Estas classificações, acima mencionadas, são decorrentes de leis.
Quanto ao resultado 
Quanto ao resultado, os crimes podem ser materiais, formais ou de mera conduta.
No crime material ou de resultado há uma alteração na natureza das coisas, necessita de um resultado externo à ação, descrito na lei, e que se destaca lógica e cronologicamente da conduta (conduta + resultado). Todos os crimes provocam lesão ou perigo para o bem jurídico, por exemplo, furto, homicídio, etc.
No crime formal não há necessidade de realização daquilo que é pretendido pelo agente, e o resultado jurídico previsto no tipo ocorre ao mesmo tempo em que se desenrola a conduta, havendo separação lógica e não cronológica entre a conduta e o resultado. Não há resultado natural, produz somente o resultado jurídico. A lei antecipa o resultado no tipo: por isso, são chamados crimes de consumacão antecipada.
Nos crimes de mera conduta ou de simples atividade a lei não exige qualquer resultado naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente, ou seja, não há preocupação com o resultado, tipo penal é o comportamento. Não sendo relevante o resultado material, há uma ofensa (de dano ou de perigo) presumida pela lei diante da prática da conduta. Por exemplo, todas as leis de contravenções penais.
CRIME DE DANO E DE PERIGO
Os crimes de danos só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico visado, por exemplo, lesão à vida, no homicídio; ao patrimônio, no furto; à honra, na injúria.
Nos crimes de perigo, o delito consuma-se com o simples perigo criado para o bem juridico.
Estes podem ser crime de perigo concreto, quando a realização do tipo exige a existência de uma situação de efetivo perigo, e crime de perigo abstrato no qual a situação de perigo presumida, como no caso da quadrilha ou bando, em que se pune o agente mesmo que não tenha chegado a cometer nenhum crime.
O perigo também pode ser individual, quando expõe ao risco o interesse de uma só ou de um número determinado de pessoas ou bem jurídico (CP, arts. 130, 132, ss.). O perigo é coletivo, quando ficam expostos ao risco os interesses jurídicos de um número indeterminado de pessoas ou de bens jurídicos, tais como nos crimes de perigo comum (arts. 250, 251, 254, ete.)
Perigo atual é o que está ocorrendo, como no estado de necessidade, (art. 24 CP). Perigo iminente é o que está preste a acontecer (art. 132 CP). Perigo futuro (ou mediato) é o que, embora não existindo no presente, pode advir em ocasião posterior.
Os crimes de dano só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico. Já os crimes de perigo são os que se consumam tão-só com a possibilidade do dano.
CRIMES QUANTO AO COMPORTAMENTO DO AGENTE
Quanto ao comportamento do agente o crime pode ser:
Crimes comissivos são os praticados mediante ação. ou seja, o sujeito faz alguma coisa, um ato criminoso; é um comportamento positivo.
Crimes omissivos são praticados mediante inação, ou seja, o sujeito deixa de fazer, abgtêm-se de alguma atitude.
Os crimes omissivos próprios ou de pura omissão se denominam os que se perfazem com a simples abstenção da realização de um ato independentemente de um resultado posterior. É perfeitamente enquadrável no tipo penal descrito na lei (CP, art. 135).
Crimes omissivos impróprios (ou comissivos por omissão) são aqueles em que o sujeito tinha o dever juridico de evitar o resultado, e portanto, por este, responderá (CP, art. 13, §2°). A omissão do agente comporta responsabilidade da ação.
O crime de conduta mista (ação e omissão) o tipo penal descreve