Questões de Marx RESOLVIDAS
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Questões de Marx RESOLVIDAS


DisciplinaIntrodução Às Ciências Sociais441 materiais1.689 seguidores
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a questão do juros pelo motivo da instrumentalização do dinheiro - este surgira como mediador das trocas e aqui (Crematística, D-M-D) se torna o início e o fim do processo (D-M-D), sendo fonte de ganho e não mais usado para o fim a que fora inventado.
Qual a contradição básica da fórmula geral do capital?
23R) A contradição BÁSICA é o escamoteamento de relações sociais. A fórmula D-M-D\u2019 esconde o conjunto das relações de compra e venda e aparece como uma troca de dinheiros mediada por uma mercadoria, o que, no fundo, é ilusório. É ilusório porque a esfera da circulação simples que é a superfície da sociedade capitalista, portanto, uma troca de mercadorias que se media por dinheiro M-D-M, congregando pessoas (relações sociais) trocando as mercadorias.
Porém, existem contradições mais profundas a que entrarei a partir de agora, e que, ao meu ver, são as contradições a serem pensadas de forma mais radical.
Fórmula Geral = D-M-D\u2019
Aos olhos do capitalista essa fórmula representa a compra de uma mercadoria de A e a posterior venda dessa mercadoria para um sujeito B. 
Se olharmos, pela ótica dos sujeitos há uma inversão. 
A vende uma mercadoria para o capitalista e ganha dinheiro com isso M-D. 
Da mesma forma que o B compra, com dinheiro, a mercadoria do capitalista D-M.
 No geral, do ponto de vista do capitalista isso é um processo onde ele compra de A e vende para B, há seqüência no processo. 
Do ponto de vista dos agentes A e B, não há essa interconexão, dado que A não se importa com o que farei com a mercadoria e B, não quer saber como nem porque eu a possuo, apenas quer comprá-la.
 A e Capitalista = M-D
 B e Capitalista = D-M
 Capitalista = D-M-D\u2019
Por meio da inversão da seqüência percebemos que o que, para mim, capitalista era D-M-D\u2019 virou, M-D-M. 
Por quê? Porque a minha compra para A, é uma venda. A minha venda para B, para ele, é uma compra. Dado isso, A e B percebem ser supérfluo meu intermédio e passarão a intercambiar entre si, chegando ao M-D-M. Porém, como haverá formação de Mais-Valia em uma simples circulação de mercadorias? 
Na troca de mercadorias pressupõe-se a troca entre equivalentes, portanto, A e B trocam o que não tem utilidade para si pelo que tem, portanto, há ganhos para ambos dado que agora terão o valor de uso a que necessitavam/queriam. Porém, o valor de troca permanece o mesmo, sem alteração porque se trocou apenas de mão, antes a mercadoria de A estava com A e agora, está com B, porém, se são equivalentes e permutam-se, elas possuem o mesmo valor de troca. 
( Ninguém tira da circulação nada mais do que lança nela, portanto! 
Resultado ( Troca de equivalentes não gera mais-valia.
Investigaremos a troca de não equivalentes por hipótese.
Supondo que houvesse alguma forma de A tirar vantagem da venda. A venderia mais caro, por exemplo, venderia a 110 o que vale 100 (aumento nominal de 10%). O vendedor cobra, portanto, uma mais-valia de 10. Mas depois de ter sido vendedor ele se torna comprador, e o vendedor da transação cobrará dele os mesmos 10%, sendo que, no agregado o agente ganha 10 na venda pare perder 10 na compra. (lembrar que todo vendedor é, também vendedor, afinal, ninguém produz tudo o que necessita para viver)
Resultado ( Troca de NÃO--equivalentes não gera mais-valia.
Portanto, chega-se à conclusão de que a MAIS-VALIA não pode originar-se da CIRCULAÇÃO e que em sua formação deve ocorrer algo por trás de suas costas invisível nela mesma! 
Mas pode a mais-valia originar-se de outro lugar que não a circulação? (circulação é a soma de todas as relações recíprocas dos possuidores de mercadorias, fora dela (circulação) apenas há um homem com uma mercadoria em suas mãos, nada mais.) 
O produtor de mercadorias apenas forma um valor, não um valor que se valoriza. Ele pode, mediante outro trabalho, aumentar o valor de sua mercadoria, mas, no entanto, não será um valor que se valorizou autonomamente, foi mediante um novo trabalho. ( é impossível que fora da esfera da circulação o capitalista valorize seu valor sem entrar em contato com outros possuidores de mercadorias, assim, tornando seu dinheiro ou sua mercadoria em capital. ( Capital, portanto, deve originar-se e não se originar da circulação (contradição).
Como esta contradição é resolvida?	
24R) Essa contradição é resolvida da seguinte forma: D-M-D\u2019 
Na compra D-M não há como se valorizar o valor, afinal, o dinheiro e a mercadoria têm o valor permutável, não há diferença de magnitude entre ambos.
Na revenda tampouco, M-D\u2019, afinal, há apenas a retransformação da mercadoria em forma dinheiro.
Portanto, o processo de valorização do valor tem de ocorrer nesse hiato entre a compra e a revenda. Seria interessante, portanto, que se conseguisse comprar alguma mercadoria, posta no mercado à venda, que pudesse pela sua utilidade ser fonte de valor. Porém se é o trabalho quem gera valor, o consumo dessa mercadoria deveria gerar valor, portanto, somente a FORÇA DE TRABALHO pode ser essa mercadoria. Quando se consome força de trabalho gera-se valor. [O valor de uso da força de trabalho é a efetivação das faculdades físicas e espirituais]
Portanto, resolver-se-á o problema da contradição da geração de mais-valia na esfera da circulação encontrando-se uma mercadoria que possa gerar mais-valia (mais-valor) ( Força de Trabalho. 
 
Por que motivo \u201co prosseguimento dessa relação exige que o proprietário da força de trabalho só a venda por determinado tempo...\u201d?
25R) O proprietária de sua força de trabalho vende, por determinado tempo, sua força de trabalho porque, se o fizesse em bloco, de uma vez por todas, venderia a si mesmo, tornando-se ele, em si, mercadoria - e não mais sua força de trabalho que é a sua única mercadoria.
 Em outras palavras, se ele vendesse toda sua força de trabalho ele se escravizaria nas mãos do comprador e, no limite, ele, em si, se tornaria mercadoria.
O que define, para Marx, a liberdade do trabalhador assalariado?
R26) Para Marx há uma dupla liberdade do trabalhador assalariado. Ele é livre para vender sua força de trabalho, diferentemente do trabalhador compulsório ou do servo e é livre também da propriedade dos meios de produção.
Em síntese, essas duas partes da liberdade são as liberdades necessárias para que o capitalista encontre a força de trabalho como mercadoria. 
Trabalhador é proprietário de sua capacidade de trabalho e de sua pessoa
Trabalhador é proprietário unicamente de sua força de trabalho em forma de sua corporalidade viva. Ele não tem outra mercadoria a alienar em uma troca recíproca, dado que ele não é detentor dos meios de produção, sendo, portanto, a força de trabalho sua única mercadoria.
Como é determinado o valor da força de trabalho?
27R) O valor de toda mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho necessário à produção e reprodução desse artigo específico. Sua produção pressupõe sua existência, sua reprodução é sua manutenção. Para sua manutenção o indivíduo necessita de alguns meios de subsistência, e portanto, o tempo de trabalho necessário à produção da força de trabalho é o tempo necessário à produção desses meios de subsistência, e, conseqüentemente, o valor da força de trabalho é o valor desses meios de subsistência necessário à manutenção do trabalhador. 
Essa condição dos meios de subsistência se sustenta posto que o trabalhador precisa trabalhar um dia, e quando findada sua jornada, precisa, noutro dia, ter as mesmas condições de exercer, ao mesmo nível, o trabalho outrora exercido; portanto, é necessário uma quantidade de coisas para manter essa força de trabalho existente no trabalhador, e, no limite, que o trabalhador em si, esteja no mesmo patamar de potencialidades. Comida, vestuário, moradia, etc. são as necessidades à manutenção do trabalhador em seu estado de vida normal, porém, são mutáveis dado o país e dadas as condições culturais de cada povo, sendo, por isso, além de determinado por um elemento histórico, é, também, determinado por um elemento moral.
Qual é o valor de uso da força de trabalho?
28R) O valor de uso da força de