Filosofia da Ciência - Rubem Alves
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Filosofia da Ciência - Rubem Alves


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sobre a ciência, a um ponto de 
exclamação ético. Porque descobrimos uma ciência, em virtude do seu 
\u201cnascimento em pecado\u201d, viciada pelas mesmas obsessões inquisitoriais que 
ela denunciou nas organizações eclesiásticas 
\u201cA matriz coletiva da ciência, num certo momento, é determinada por um 
conjunto de instituições que incluem universidades, sociedades de cientistas e, 
mais recentemente, os corpos editoriais de jornais técnicos. Como outras 
instituições, elas se inclinam consciente ou inconscientemente pela 
preservação do status quo \u2013 em parte porque as inovações não ortodoxas se 
constituem numa ameaça para a sua autoridade, mas também pelo medo mais 
profundo de que o edifício intelectual, tão laboriosamente erigido, possa cair 
sob o seu impacto. A ortodoxia corporativa tem sido a maldição dos gênios, de 
Aristarco até Galileu, Harvey, Darwin e Freud. Através dos séculos as suas 
falanges têm defendido tenazmente o hábito, em oposição à originalidade\u201d 
(Arthur Koestler. op. cit. p. 239). 
Já que a ciência não pode encontrar a sua legitimação ao lado do 
conhecimento, talvez ela pudesse fazer a experiência de tentar encontrar o seu 
sentido ao lado da bondade. Ela poderia, por um pouco, abandonar a obsessão 
com a verdade, e se perguntar sobre o seu impacto sobre a vida das pessoas: a 
preservação da natureza, a saúde dos pobres, a produção de alimentos, o 
desarmamento dos dragões (sem dúvidas, os mais avançados em ciência!), a 
liberdade, enfim, esta coisa indefinível que se chama felicidade. A bondade 
não necessita de legitimações epistemológicas. Com Brecht, poderíamos 
afirmar: \u201cEu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a 
miséria da existência humana\u201d. 
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OBRAS CITADAS 
 
 
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FIM DO LIVRO 
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Biografia Rubem A. Alves (em 1981) 
 
Eu nasci em Boa Esperança, Minas Gerais. Poucos foram lá, mas muitos 
ouviram a \u201cSerra de Boa Esperança\u201d, do Lamartine Babo. Em 1933. 
Depois, pinguei por várias cidades pequenas, até uma juventude no Rio de 
Janeiro. 
Estudei música, teologia e quis ser médico, por amor a Albert Schweitzer. 
Fui pastor numa igreja do interior de Minas, Lavras, cidade de ipês e de 
escolas. Convivi com o povo, e de 58 a 64 deixei os livros, sem remorsos, para 
viver dores e alegrias de outros. Assim vivem pastores protestantes e, imagino, 
sacerdotes católicos. 
Passei algumas vezes pelos Estados Unidos. Lá fiz meu doutoramento. 
Princeton, New Jersey. 
Livros: 
A Theology of Human Hope, três edições em inglês. Traduzido para o italiano, 
o francês e o espanhol. Tomorrow\u2019s Child, um livro sobre a imaginação e a 
magia, a esperança e a utopia. E sobre plantar árvores em cuja sombra nunca 
nos assentaremos. O Enigma da Religião (Vozes). Protestantismo e Repressão 
(Ática). O que é Religião (Brasiliense). 
Concordo com Octávio Paz quando ele diz que a tarefa do intelectual é fazer 
rir pelos seus pensamentos e fazer pensar pelos seus chistes ...