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de Contas ao 
respectivo Poder Legislativo, eis que esses órgãos que auxiliam o 
Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas, a Câmara Legislativa 
do Distrito Federal e as Câmaras Municipais possuem, por expressa 
outorga constitucional, autonomia que lhes assegura o autogoverno, 
dispondo, ainda, os membros que os integram, de prerrogativas 
próprias, como os predicamentos inerentes à magistratura. 
Revela-se inteiramente falsa e completamente destituída de 
fundamento constitucional a idéia, de todo equivocada, de que os 
Tribunais de Contas seriam meros órgãos auxiliares do Poder 
Legislativo. 
Na realidade, os Tribunais de Contas ostentam posição eminente na 
estrutura constitucional brasileira, não se achando subordinados, por 
qualquer vínculo de ordem hierárquica, ao Poder Legislativo, de 
que não são órgãos delegatários nem organismos de mero 
assessoramento técnico.\u201d 
O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no 
Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território 
nacional, podendo exercer, no que couber, as atribuições administrativas do art. 
96 da Constituição, outorgadas aos tribunais do Poder Judiciário. 
 
.................... 
 
Entretanto, o Tribunal de Contas da União \u2013 e, em decorrência da simetria, as 
demais Cortes de Contas \u2013 não dispõe de competência para determinar a quebra 
do sigilo bancário das pessoas submetidas ao seu controle. Com efeito, conforme 
a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, embora as atividades do Tribunal 
de Contas da União, por sua natureza \u2013 verificação de contas e até mesmo o 
julgamento das contas das pessoas enumeradas no artigo 71, II, da Constituição 
Federal \u2013, justifiquem a eventual quebra de sigilo, não houve essa determinação 
na lei específica (Lei Complementar n.º 105/2001) que tratou do tema, não 
cabendo a interpretação extensiva, mormente porque há princípio constitucional 
que protege a intimidade e a vida privada (CF, art. 5º, X), no qual está inserida a 
garantia ao sigilo bancário.34 
Não pode o Tribunal de Contas da União, tampouco, alterar determinações 
constantes de decisão judicial transitada em julgado, ainda que a decisão judicial 
implique a concessão de benefício a servidor ou a administrado e destoe daquilo 
que venha sendo decidido, em casos análogos, pelo Supremo Tribunal Federal.35 
Assim é porque a autoridade da coisa julgada não pode ser contrastada por 
nenhuma decisão administrativa \u2013 e as decisões das cortes de contas têm 
natureza administrativa. Sentença judicial transitada em julgado, em matéria cível, 
só pode ser validamente desconstituída, se for o caso, mediante ação rescisória. 
É oportuno registrar que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 
Vinculante 3, acerca da abrangência do direito ao contraditório e ampla defesa 
nos processos que tramitam no TCU, cujo enunciado transcrevemos a seguir: 
3 \u2013 Nos processos perante o Tribunal de Contas da União 
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da 
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato 
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a 
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma e pensão. 
A fim de assegurar efetividade ao desempenho de suas atribuições, dispõe a 
Constituição que as decisões do Tribunal de Contas da União de que resulte 
imputação de débito ou multa têm eficácia de título executivo, isto é, 
consubstanciam instrumento idôneo para instruir e subsidiar o processo de 
execução do devedor perante o Poder Judiciário (art. 71, § 3.º). 
 Vale lembrar, ainda, que, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, os Tribunais de Contas, no desempenho de suas atribuições, podem 
realizar o controle de constitucionalidade das leis,36 isto é, no exame de um 
processo submetido à sua apreciação, podem afastar a aplicação de uma lei ou 
ato normativo do Poder Público por entendê-lo inconstitucional (controle 
incidental). 
 
34 MS 22.801, rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, 17.12.2007. 
 
35
 MS 28.150 MC/DF, rel. Min. Celso de Mello, 08.09.2009 (vide Informativo 561 do STF). 
36 STF, Súmula 347: \u201cO Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis 
e dos atos do Poder Público.\u201d 
 
Essa declaração de inconstitucionalidade pelos Tribunais de Contas deverá 
ser proferida por maioria absoluta de seus membros, por força da cláusula 
\u201creserva de plenário\u201d, estabelecida no art. 97 da Constituição Federal. 
Por fim, cabe ressaltar que, em atenção ao direito de resposta, proporcional ao 
agravo, e à inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas, cuja lesão enseja 
indenização por dano moral ou material (CF, art. 5º, V e X), o Supremo Tribunal 
Federal firmou entendimento de que o Tribunal de Contas da União (TCU) não 
pode manter em sigilo a autoria de denúncia a ele apresentada contra 
administrador público.37 
Com efeito, apontando como fundamento os incisos IV, V, X, XXXIII e XXXV 
do art. 5º da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal declarou a 
inconstitucionalidade da expressão "manter ou não o sigilo quanto ao objeto e à 
autoria da denúncia", constante do § 1º do art. 55 da Lei Orgânica do TCU (Lei 
8.443/1992), bem como do disposto no Regimento Interno do TCU, no ponto em 
que estabelece a permanência do sigilo relativamente à autoria da denúncia. 
Considerou a nossa Corte Maior que a manutenção do sigilo por parte do 
Poder Público impediria o denunciado de adotar as providências asseguradas pela 
Constituição na defesa de sua imagem, inclusive a de buscar a tutela judicial, 
salientando, ainda, o fato de que apenas em hipóteses excepcionais é vedado o 
direito das pessoas ao recebimento de informações perante os órgãos públicos 
(art. 5º, XXXIII). 
 
 
 
CAPÍTULO 8 
 
1) Foi acrescentado o parágrafo abaixo ao final do item 3.1.5: 
 
3.1.5. Iniciativa dos tribunais do Poder Judiciário 
............... 
Por fim, cabe destacar que, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, a iniciativa legislativa, no que respeita à criação de sistema de conta 
única de depósitos judiciais e extrajudiciais, cabe ao Poder Judiciário, sendo 
 
37
 MS 24.405/DF, rel. Min. Carlos Velloso, 3.12.2003. 
 
inconstitucional a deflagração do processo legislativo pelo chefe do Poder 
Executivo.38 
 
2) Foi acrescentado ao item 3.2. o subitem abaixo, renumerando-se os 
subsequentes (reprodução integral do subitem): 
 
3.2.4. Irrepetibilidade (relativa) de matéria rejeitada 
Estabelece o art. 67 da Constituição Federal o princípio da irrepetibilidade, 
na mesma sessão legislativa,
 
de matéria rejeitada em projeto de lei, nos termos 
seguintes: 
\u201cArt. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá 
constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta 
da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso 
Nacional.\u201d 
 Anote-se que essa irrepetibilidade é relativa, haja vista que a matéria poderá 
constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, desde que ocorra 
solicitação de maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do 
Congresso Nacional. Não há, também, qualquer vedação à repetição da matéria 
em novo projeto de lei em sessão legislativa distinta daquela em que se deu a 
rejeição. 
Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, essa regra aplica-se 
unicamente aos casos de novos projetos gerados no âmbito do Poder Legislativo, 
não limitando a iniciativa advinda de órgãos externos a este, por exemplo, do 
Presidente da República, dos tribunais do Poder Judiciário e do Ministério 
Público.39 
Importante destacar, ainda de acordo com a jurisprudência