Constitucional_Descomplicado4.ªp5.ªed
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DisciplinaDireito Constitucional I76.744 materiais1.777.398 seguidores
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do Supremo 
Tribunal Federal, que a regra do art. 67 da Constituição Federal \u2013 que prevê a 
irrepetibilidade (relativa) dos projetos rejeitados na mesma sessão legislativa \u2013 
não impede o Presidente da República de submeter à apreciação do Congresso 
Nacional, reunido em convocação extraordinária, projeto de lei versando, total ou 
parcialmente, idêntica matéria que tenha sido objeto de medida provisória 
rejeitada pelo mesmo parlamento, em sessão legislativa anterior. 
No entanto, o Presidente da República não pode, sob pena de ofensa ao 
princípio da separação de poderes e de transgressão à integridade da ordem 
democrática, valer-se de medida provisória para disciplinar matéria que já tenha 
 
38
 ADI 3.458, rel. Min. Eros Grau, 21.02.2008 
 
39
 ADI 2.010-2/DF, rel. Min. Celso de Mello, 12.04.2002. 
sido objeto de projeto de lei anteriormente rejeitado na mesma sessão 
legislativa. 
 
 
3) O item 7.2.5. passou a ter a seguinte redação em sua parte final: 
 
7.2.5. Trancamento de pauta 
................. 
Assim, se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias 
contados de sua publicação (não computados os períodos de recesso do 
Congresso Nacional), ocorrerá o trancamento de pauta, ficando sobrestadas todas 
as demais deliberações da Casa Legislativa, até que se ultime a votação da 
medida provisória. 
Esse instituto \u2013 trancamento da pauta das Casas Legislativas em decorrência 
de medida provisória não apreciado no prazo constitucional de quarenta e cinco 
dias \u2013, combinado com o número elevado de medidas provisórias editadas pelo 
Presidente da República, ocasionou, nos últimos anos, uma considerável paralisia 
do Poder Legislativo brasileiro, que teve a pauta de suas Casas Legislativas 
trancada em percentual significativo do total de sessões. 
Em face dessa realidade, o constitucionalista Michel Temer, na qualidade de 
Presidente da Câmara dos Deputados, desenvolveu uma tese jurídica segundo a 
qual o trancamento de pauta em decorrência da não apreciação de medida 
provisória só implicaria o sobrestamento de matérias no âmbito das sessões 
ordinárias daquela Casa Legislativa, que ocorrem naquela Casa legislativa de 
terça a quinta-feira. O mencionado sobrestamento não impediria a apreciação, em 
sessões extraordinárias (que ocorrem de sexta à segunda-feira, ou nos períodos 
noturnos), daquelas matérias vedadas à espécie normativa medida provisória. 
Assim, em sessões extraordinárias, seria possível a apreciação de projetos de lei 
complementar, decreto legislativo, resoluções, emenda à Constituição, bem como 
todas as matérias vedadas à espécie normativa medida provisória, indicadas no § 
1º do art. 62 da Constituição Federal. 
Em síntese, a tese jurídica desenvolvida por Michel Temer implica interpretar a 
expressão constitucional \u201cficando sobrestadas todas as demais deliberações\u201d (art. 
62, § 6º) como \u201cficando sobrestadas todas as demais deliberações no âmbito das 
sessões ordinárias, sem prejuízo da apreciação, em sessões extraordinárias, 
daquelas matérias que não podem ser disciplinadas por medida provisória\u201d. 
Na prática, se perfilhado esse entendimento, o sobrestamento de pauta em 
razão da não apreciação de medida provisória alcançaria todas as deliberações no 
âmbito das sessões ordinárias, mas, em se tratando de sessões extraordinárias, 
apenas aquelas deliberações sobre matérias vedadas à medida provisória. 
Essa tese jurídica, advogada por Michel Temer, foi referendada, liminarmente, 
pelo Supremo Tribunal Federal.40 
Com efeito, ao denegar a medida liminar em mandado de segurança 
impetrado por congressistas \u2013 impugnando a adoção da mencionada tese pelo 
Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer \u2013, o Ministro Celso de Mello 
deixou assente que a decisão de Temer \u201cteria, aparentemente, a virtude de fazer 
instaurar, no âmbito da Câmara dos Deputados, verdadeira práxis libertadora do 
desempenho da função primária que, histórica e institucionalmente, sempre lhe 
pertenceu: a função de legislar\u201d, encontrando-se \u201capoiada em estrita construção 
de ordem jurídica, cujos fundamentos repousam no postulado da separação de 
poderes\u201d. 
 
 
 
CAPÍTULO 10 
 
1) Foi acrescentado ao item 4. o subitem 4.1., abaixo reproduzido (reprodução 
integral do subitem): 
 
4.1. Sucessão do Chefe do Executivo no caso de dupla vacância 
determinada pela Justiça Eleitoral 
Conforme visto no item precedente, dispõe o art. 81 da Constituição Federal 
que vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República far-se-á 
nova eleição, observando-se o seguinte: 
a) caso a vacância ocorra nos dois primeiros anos do mandato, a eleição será 
direta, noventa dias depois de aberta a última vaga; 
b) ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a 
eleição (indireta) para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última 
vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. 
Por sua vez, o art. 224 do Código Eleitoral, ao regulamentar essa matéria, 
estabelece o seguinte: 
\u201cArt. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas 
eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do 
município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações 
e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 
(quarenta) dias.\u201d 
 
40
 
MS 27.931, rel. Ministro Celso de Mello, 27.03.2009. 
 
Por força desse dispositivo legal, temos que, nas eleições por ele 
especificadas, sempre que a nulidade determinada pela Justiça Eleitoral atingir a 
mais de metade dos votos, na respectiva circunscrição, será considerado 
prejudicado todo o pleito eleitoral, e convocada nova eleição. 
Acontece, porém, que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 
firme no entendimento de que esse dispositivo legal só se aplica às hipóteses em 
que o governante cassado pela Justiça Eleitoral tenha sido eleito no primeiro 
turno.41 Isso porque, nesse caso, a decretação, pela Justiça Eleitoral, da nulidade 
dos votos do candidato vencedor já implica, por si, a nulidade de mais da metade 
dos votos válidos, satisfazendo, portanto, o requisito legal para a nulidade de todo 
o pleito eleitoral e realização de nova eleição, nos termos do transcrito art. 224 do 
Código Eleitoral. 
Em se tratando de cassação de mandato de candidato eleito no segundo 
turno, o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral é de que não se aplica esse 
mesmo regramento. Com efeito, nos termos do entendimento prevalente no TSE, 
os votos do candidato eleito no segundo turno, anulados por decisão judicial, são 
excluídos do universo dos votos válidos no primeiro turno. Em seguida, faz-se o 
novo cálculo e se apura se o segundo colocado obteve a maioria absoluta dos 
votos válidos no primeiro escrutínio. Em caso positivo, o segundo colocado deve 
ser proclamado eleito. Em caso negativo, deve-se proceder a um novo segundo 
turno com a participação dos dois candidatos mais votados no primeiro. 42 
Assim, em se tratando de vacância da chefia do Poder Executivo determinada 
pela Justiça Eleitoral, temos o seguinte: 
a) se o governante houver sido eleito em primeiro turno, aplica-se o 
regramento do art. 224 do Código Eleitoral: far-se-á nova eleição, obedecendo-se 
às regras básicas previstas no art. 81 da Constituição Federal (isto é, a eleição 
será direta, caso a vacância ocorra nos dois primeiros anos do mandato; e 
indireta, pelo Poder Legislativo local, caso a vacância ocorra nos dois últimos anos 
do mandato); 
b) se o governante houver sido eleito em segundo turno, não se aplica o 
regramento do art. 224 do Código Eleitoral, observando-se o seguinte: os votos do 
candidato cassado são excluídos do universo dos votos válidos