Constitucional_Descomplicado4.ªp5.ªed
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DisciplinaDireito Constitucional I76.558 materiais1.772.907 seguidores
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durante a sessão de julgamento.71 
Cabe ressaltar que os órgãos e entidades interessados não têm direito 
subjetivo à intervenção no processo de ação direta na qualidade de amicus curiae. 
Poderão eles solicitar a intervenção ao Ministro relator, mas cabe a este deferir 
(ou não) o pedido, em despacho irrecorrível, levando em conta a relevância da 
matéria e a representatividade dos requerentes. 
Ademais, segundo a jurisprudência do STF, a admissão de terceiros na 
qualidade de amicus curiae não lhes assegura o direito à interposição de recursos 
no respectivo processo de ação direta de inconstitucionalidade. Para o Tribunal, 
\u201cnão são cabíveis os recursos interpostos por terceiros estranhos à relação 
processual nos processos objetivos de controle de constitucionalidade, nesses 
incluídos os que ingressam no feito na qualidade de amicus curiae\u201d.72 Portanto, os 
não legitimados intervenientes no processo de ação direta, na condição de amicus 
curiae, não poderão, por exemplo, interpor embargos de declaração em face da 
decisão definitiva de mérito prolatada pelo Supremo Tribunal Federal. 
O ingresso de órgãos e entidades não legitimados pelo art. 103 da Constituição 
Federal, na qualidade de amicus curiae, tem sido largamente admitida pelo 
Supremo Tribunal Federal nos processos de natureza abstrata, dada a sua 
natureza eminentemente objetiva. 
Ademais, o Tribunal já admitiu a intervenção de amicus curiae em recurso 
extraordinário, no âmbito do controle incidental. Segundo o Tribunal, a admissão 
de amicus curiae no controle incidental tem fundamento, especialmente, na Lei n.º 
10.259/2001 (arts. 14, § 7.º, e 15), que autoriza, em recurso extraordinário, a 
manifestação de eventuais interessados, ainda que não sejam partes no 
 
69
 RISTF, art. 131, § 3.º. 
 
70
 ADI 4.071, rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, 22.04.2009. 
 
71
 ADI 2.548/PR, rel. Min. Gilmar Mendes, 18.10.2005. 
 
72
 ADI-ED 3.615/PB, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.03.2008. 
 
processo.73 
Cabe destacar, ainda, que o legislador ordinário passou a prever a 
possibilidade de manifestação de amicus curiae no exame da repercussão geral, 
requisito exigido para a interposição de recurso extraordinário, bem como no 
procedimento de aprovação de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal 
Federal. 
Enfim, o processo normativo abstrato instaurado perante o Supremo Tribunal 
Federal não comporta a intervenção de terceiros, instituto processual disciplinado 
pelo Código de Processo Civil (CPC). Porém, admite a atuação de órgãos e 
entidades interessados na qualidade de amicus curiae, como colaborador informal 
da Corte, situação que não configura, tecnicamente, hipótese de intervenção de 
terceiros. 
 
 
3) O item 12.2.13 (renumerado), passou a ter a seguinte redação (reprodução 
integral do item): 
 
12.2.13. Atuação do Advogado-Geral da União 
Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o 
Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, que deverão 
manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias. 
A atuação do Advogado-Geral da União está regulada pelo art. 103, § 3.º, da 
Constituição, que determina a sua citação quando o Supremo Tribunal Federal 
apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, para 
que defenda o ato ou texto impugnado. 
O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento segundo o qual o Advogado-
Geral da União, nesses processos, não atua na sua função ordinária, prevista no 
art. 131 da Constituição, como órgão de representação, consultoria e 
assessoramento da União. O parágrafo 3.º do art. 103 lhe dá uma competência 
especial: a defesa da constitucionalidade da norma que, em tese, é inquinada de 
inconstitucional, o que implica dizer que a Constituição lhe atribui o papel, nesses 
processos objetivos, de verdadeiro curador da presunção da constitucionalidade 
da lei atacada (defensor legis). 
Inicialmente, o Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento de que o 
Advogado-Geral da União estava, sempre, obrigado a se manifestar em defesa do 
ato questionado, em razão da redação imperativa do texto constitucional, segundo 
o qual o Advogado-Geral da União \u201cdefenderá o ato ou texto impugnado\u201d (CF, art. 
103, § 3º). 
Essa posição do Supremo Tribunal Federal, reiteradamente criticada pela 
 
73 RE 416.827/SC e RE 415.454/SC, rel. Min. Gilmar Mendes, 21.09.2005. 
 
doutrina, terminava por obrigar o Advogado-Geral da União a defender a norma 
legal ou ato normativo impugnado, federal ou estadual, a todo preço, em qualquer 
caso e circunstância, mesmo que a inconstitucionalidade da norma seja irrefutável, 
salte aos olhos de forma gritante. 
Entretanto, o Supremo Tribunal Federal alterou a sua jurisprudência sobre o 
papel a ser desempenhado pelo Advogado-Geral da União no controle abstrato de 
normas, passando a entender que este pode deixar de defender a 
constitucionalidade de norma questionada perante aquela Corte.74 
Significa dizer que, de acordo com a novel jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, o Advogado-Geral da União dispõe de plena autonomia para agir, e 
poderá escolher como se manifestará \u2013 pela constitucionalidade, ou não, da 
norma impugnada \u2013, de acordo com sua convicção jurídica. Poderá ele, portanto, 
deixar de defender a constitucionalidade da norma impugnada, segundo, 
exclusivamente, seu entendimento jurídico sobre a matéria. 
 O Supremo Tribunal Federal entende que a audiência do Advogado-Geral da 
União, prevista no citado art. 103, § 3.º, da Constituição, é necessária tão somente 
em sede de ação direta de inconstitucionalidade \u2013 ADI e arguição de 
descumprimento de preceito fundamental \u2013 ADPF, o mesmo não ocorrendo na 
ação declaratória de constitucionalidade \u2013 ADC. 
Segundo o Tribunal, a desnecessidade da atuação do Advogado-Geral da 
União em ação declaratória de constitucionalidade justifica-se porque, nessa ação, 
não há ato ou texto impugnado, uma vez que o autor da ação pleiteia o 
reconhecimento da constitucionalidade da norma (e não de sua 
inconstitucionalidade). Não haveria, portanto, contraditório a ser assegurado, em 
razão da ausência de ato a ser defendido. 
Pelo mesmo fundamento \u2013 ausência de contraditório \u2013, entendia o Supremo 
Tribunal Federal que não cabia a atuação do Advogado-Geral da União em sede 
de ação direta de inconstitucionalidade por omissão \u2013 ADO, porquanto nessa ação 
não há norma inquinada de inconstitucional (a ação é proposta, justamente, em 
face da ausência de norma regulamentadora de direito constitucional). 
 Esse entendimento, porém, restou suplantado pela edição da Lei 12.063/2009, 
que acrescentou à Lei 9.868/1999 a disciplina do procedimento da ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão perante o Supremo Tribunal Federal. Com 
efeito, essa lei estabelece que, em se tratando de ação direta por omissão, o 
relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União, que deverá 
ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias. Cabe ao relator, portanto, a 
decisão de ouvir, ou não, o Advogado-Geral da União em ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão. 
Por fim, vale lembrar que o Advogado-Geral da União não é legitimado ativo 
para instaurar o controle abstrato, vale dizer, não dispõe de legitimidade para 
propor ao Supremo Tribunal Federal nenhuma das ações diretas existentes. 
 
74
 ADI 3.916, rel. Min. Eros Grau, 07.10.2009. 
 
 
4) Foi acrescentado ao item 12.3. o subitem 12.3.5 (renumerados os demais), 
abaixo transcrito (reprodução integral do subitem): 
 
12.3.5. Procedimento 
A petição deverá indicar a omissão inconstitucional, total ou parcial, quanto ao 
cumprimento de dever constitucional