Atualização Constitucional Descomplicado-6p7ed
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Atualização Constitucional Descomplicado-6p7ed


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da relação de trabalho, na forma da lei. 
 
Em relação ao inciso I do art. 114, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de 
que a competência da Justiça do Trabalho não alcança o julgamento de ações entre o 
Poder Público e servidores públicos com vínculo estatutário, investidos em cargo efetivo ou 
em cargo em comissão, haja vista que o vínculo jurídico de natureza estatutária vigente 
entre servidores públicos e a administração é estranho ao conceito de relação de trabalho.36 
Assim, as ações envolvendo servidores públicos federais regidos por regime estatutário, ou 
seja, pela Lei 8.112/1990, continuam sob a competência da Justiça Federal.37 
Em relação ao inciso I do art. 114, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de 
que a competência da Justiça do Trabalho não alcança o julgamento de ações entre o 
Poder Público e agentes públicos a ele vinculados por típica relação de natureza 
estatutária (os servidores públicos investidos em cargo efetivo ou em cargo em comissão) 
ou de caráter jurídico-administrativo (os agentes públicos contratados por tempo 
determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, na 
forma do art. 37, IX, da Constituição). O fundamento para a exclusão da competência da 
Justiça do Trabalho é o fato de o vínculo funcional entre esses agentes públicos e a 
administração não se enquadrar no conceito de relação de trabalho, isto é, não têm eles 
vínculo trabalhista com o poder público.38 Assim, na esfera federal, as ações envolvendo 
servidores públicos sujeitos ao regime estatutário, ou seja, regidos pela Lei 8.112/1990, 
bem como agentes públicos temporários, contratados com base no inciso IX do art. 37 da 
Constituição, cujo vínculo com o poder público é de natureza jurídico-administrativa (e não 
trabalhista), continuam sob a competência da Justiça Federal.39 
Também entende o Supremo Tribunal Federal que, com fundamento no inciso II do 
art. 114 da Constituição, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação 
 
36 ADI 3.395, rel. Min. Cezar Peluso, 05.04.2006. 
37 Por sua vez, as ações envolvendo servidores públicos estatutários estaduais e municipais e as respectivas 
Administrações Públicas também não são julgadas pela Justiça do Trabalho, mas sim pela Justiça comum estadual. 
38 ADI 3.395/DF, rel. Min. Cezar Peluso, 05.04.2006; RE 573.202/AM, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 21.08.2008; Rcl 
10.506/TO, rel. Min. Cármen Lúcia, 10.09.2010; Rcl 4.772/SE, rel. Min. Joaquim Barbosa, 02.12.2010. 
39 Por sua vez, as ações envolvendo servidores públicos estatutários estaduais e municipais e as respectivas 
Administrações Públicas também não são julgadas pela Justiça do Trabalho, mas sim pela Justiça comum estadual. Por 
sua vez, as ações envolvendo, de um lado, servidores públicos estatutários ou agentes públicos temporários estaduais e 
municipais e, de outro, as respectivas Administrações Públicas também não são julgadas pela Justiça do Trabalho, mas 
sim pela Justiça comum estadual. 
 Direito Constitucional Descomplicado 
 Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 6ª para 7ª edição 
 
possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores 
da iniciativa privada.40 
Ainda, o Supremo Tribunal Federal conferiu interpretação conforme a Constituição aos 
incisos I, IV e IX do art. 114, para deixar assente que as competências neles previstas não 
alcançam matéria criminal, vale dizer, a Justiça do Trabalho não tem competência para 
julgar ações penais (crimes contra a organização do trabalho).41 
No tocante ao inciso VI do art. 114, o Supremo Tribunal Federal firmou 
entendimento (...). 
................ 
 
 
5) No item 20 foram feitos a substituição e o acréscimo abaixo indicados: 
 
20. \u201cQUINTO CONSTITUCIONAL\u201d 
................... 
A indicação será em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas 
classes, que encaminharão as indicações ao tribunal respectivo, que formará lista tríplice, 
enviando-a ao Chefe do Poder Executivo que, nos vinte dias subsequentes, escolherá um 
de seus integrantes para nomeação (CF, art. 94). 
Cabe ressaltar que, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a fim de 
garantir a fiel observância do \u201cquinto constitucional\u201d, caso a divisão dos membros de 
determinado Tribunal Regional Federal ou Tribunal de Justiça por cinco não resultar em 
um número inteiro, o arredondamento deverá ser sempre para cima, sob pena de 
inconstitucionalidade. 
Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o tribunal do Poder Judiciário 
não está obrigado a aceitar a lista sêxtupla elaborada pelo órgão de representação.42 
Com efeito, se o Tribunal entender que um ou mais nomes da lista sêxtupla não 
preenchem algum dos requisitos constitucionais (notório saber jurídico ou reputação 
ilibada), poderá recusá-la, devolvendo-a ao órgão de representação para que a refaça. 
Cabe ressaltar que, ainda segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a 
fim de garantir a fiel observância do \u201cquinto constitucional\u201d, caso a divisão dos membros 
de determinado Tribunal Regional Federal ou Tribunal de Justiça por cinco não resulte em 
um número inteiro, o arredondamento deverá ser sempre para cima, sob pena de 
inconstitucionalidade. 
Por exemplo: dividindo-se por cinco os cargos de um tribunal 
 
 
40 Súmula Vinculante 23: \u201cA Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em 
decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.\u201d 
41 ADI 3.684 MC/DF, rel. Min. Cezar Peluso, 01.02.2007. 
42 MS 25.624, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 06.09.2006. 
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6) No item 22.4 foi feita a substituição abaixo indicada: 
 
22.4. Sequestro de valor 
................. 
b) não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do débito. 
 
Nenhuma outra situação, por mais grave que seja, autoriza o sequestro de verbas 
públicas para o pagamento de precatórios, ressalvadas as hipóteses, de cunho transitório, 
previstas nos arts. 78 e 97 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias \u2013 ADCT. 
Nenhuma outra situação, por mais grave que seja, autoriza o sequestro de verbas 
públicas para o pagamento de precatórios, ressalvada a hipótese, de cunho transitório, 
prevista no art. 97 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias \u2013 ADCT.43 
Por fim, cabe anotar (\u2026) 
\u2026\u2026\u2026 
 
 
CAPÍTULO 12 
 
1) O item 2.3.5 passou a ter a redação abaixo (reprodução integral do item): 
 
2.3.5. Princípio do promotor natural 
O princípio do promotor natural impõe que o critério para a designação de um membro 
do Ministério Público para atuar em uma determinada causa seja abstrato e 
predeterminado, seja baseado em regras objetivas e gerais, aplicáveis a todos os que se 
encontrem nas situações nelas descritas, não podendo a chefia do Ministério Público 
realizar designações arbitrárias, decididas caso a caso, tampouco determinar a 
substituição de um promotor por outro, fora das hipóteses expressamente previstas em 
lei, tais como impedimentos ou suspeições, férias ou licenças. 
Desse modo, o princípio do promotor natural proíbe designações casuísticas, efetuadas 
pela chefia do Ministério Público, para atuação neste ou naquele processo, impedindo a 
existência, entre nós, da figura do \u201cpromotor de exceção\u201d. Segundo o postulado, somente o 
promotor natural é competente para atuar no processo, como meio de garantia da 
imparcialidade de sua atuação, e como garantia da própria sociedade, que terá seus 
 
43 O art. 78 do