Atualização Constitucional Descomplicado-6p7ed
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estejam vinculados à administração pública por um regime funcional 
de direito público, de natureza jurídico-administrativa. 
Podemos dizer que os agentes públicos contratados por tempo determinado exercem 
função pública remunerada temporária, tendo o seu vínculo funcional com a 
administração pública caráter jurídico-administrativo, e não trabalhista. Eles têm um 
contrato com a administração pública, mas se trata de um contrato de direito público, e 
não do \u201ccontrato de trabalho\u201d em sentido próprio, previsto na CLT. 
O regime de previdência social a que estão sujeitos os agentes públicos contratados 
por tempo determinado é o regime geral (RGPS), aplicável a todos os trabalhadores civis, 
com exceção dos ocupantes de cargos públicos efetivos. 
.............. 
A contratação temporária na esfera federal não é feita mediante concurso público, 
mas sim por meio de processo seletivo simplificado sujeito a ampla divulgação, 
inclusive no Diário Oficial da União. É dispensado processo seletivo na hipótese de 
contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade pública e de 
emergência ambiental. Em alguns casos, como no de contratação de professor e 
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pesquisador visitante estrangeiro, a Lei n.º 8.745/1993 permite a seleção baseada 
somente em análise de currículo que demonstre notória capacidade técnica ou 
científica do profissional. 
A contratação temporária na esfera federal não é feita mediante concurso público, 
mas sim por meio de processo seletivo simplificado sujeito a ampla divulgação, 
inclusive no Diário Oficial da União. É dispensado processo seletivo na hipótese de 
contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade pública de 
emergência ambiental e de emergências em saúde pública. Em alguns casos, como 
no de contratação de professor e pesquisador visitante estrangeiro, a Lei n.º 8.745/1993 
permite a seleção baseada somente em análise de currículo que demonstre notória 
capacidade técnica ou científica do profissional. 
................ 
 
 
2) O item 5.1. passou a ter a seguinte redação (reprodução integral do item): 
 
5.1. Noções gerais 
Não há consenso doutrinário sobre nomes e classificações das pessoas que mantêm 
vínculo de natureza funcional com o Estado. 
Apresentaremos, abaixo, uma classificação que entendemos ser útil, sobretudo, para 
estabelecermos um uso homogêneo de designações nesta obra. 
Utilizamos a expressão agente público como a mais genérica, abrangendo todos 
quantos tenham algum vínculo, mesmo que temporário e não remunerado, com o Estado. 
As seguintes categorias de agentes públicos interessam ao nosso estudo: 
a) agentes políticos; 
Embora existam divergências, consideramos agentes políticos todos os detentores de 
mandato eletivo, os agentes de primeiro escalão \u2013 Ministros de Estado, secretários 
estaduais e distritais, secretários municipais \u2013, os juízes, os membros do Ministério 
Público e os ministros ou conselheiros dos tribunais de contas. 
b) agentes administrativos: 
Os agentes administrativos são todos aqueles que exercem uma atividade pública 
de natureza profissional e remunerada, sujeitos à hierarquia funcional e ao regime 
jurídico estabelecido pelo ente federado ao qual pertencem. São os ocupantes de cargos 
públicos, de empregos públicos e de funções públicas nas Administrações Direta e 
Indireta das diversas unidades da Federação, nos três Poderes. Costumam ser assim 
classificados: 
b.1) servidores públicos; 
São os agentes administrativos que mantêm vínculo estatutário (não contratual) 
com a Administração. Podem ser servidores públicos efetivos, que ocupam cargos 
efetivos, nos quais ingressam mediante concurso público, ou servidores públicos 
comissionados, que ocupam cargos em comissão, para os quais são livremente 
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nomeados. Os servidores efetivos podem adquirir a estabilidade a que se refere o art. 
41 da Constituição Federal, desde que cumpram os requisitos constitucionais; os 
servidores comissionados, quando titulares exclusivamente de cargos em comissão, 
não adquirem estabilidade, independentemente do tempo em que permaneçam no 
cargo. 
b.2) empregados públicos; 
São os agentes administrativos que possuem emprego público, sujeitos a regime 
jurídico contratual de natureza trabalhista. Têm \u201ccontrato de trabalho\u201d, em sentido 
próprio, e são regidos basicamente pela Consolidação das Leis do Trabalho \u2013 CLT (são, 
por isso, chamados \u201cceletistas\u201d). Ingressam mediante concurso público, mas não 
adquirem a estabilidade a que se refere o art. 41 da Constituição Federal. 
b.3) temporários 
São os agentes administrativos contratados por tempo determinado para atender 
necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do art. 37, IX, da 
Constituição. Eles não têm cargo público nem emprego público; exercem uma função 
pública remunerada temporária e o seu vínculo funcional com a Administração Pública é 
contratual, mas se trata de um contrato de direito público, e não de natureza trabalhista 
(eles não têm o \u201ccontrato de trabalho\u201d propriamente dito, previsto na Consolidação das 
Leis do Trabalho \u2013 CLT). Em síntese, não são agentes públicos celetistas, nem 
propriamente estatutários, mas estão vinculados à Administração Pública por um regime 
funcional de direito público, de natureza jurídico-administrativa (e não trabalhista). 
Julgamos oportuno registrar que alguns autores utilizam a expressão \u201cservidores 
públicos\u201d em sentido amplo, englobando os servidores públicos em sentido estrito 
(estatutários) e os empregados públicos. 
A Constituição Federal de 1988 não utiliza, em nenhum ponto, a expressão 
\u201cfuncionário público\u201d. Essa expressão só é usada, hoje, no Direito Penal, e engloba 
praticamente todos os agentes públicos (CP, art. 327), podendo incluir até agentes de 
delegatárias de serviços públicos (concessionárias, permissionárias e autorizadas). 
Outras definições devem ser aqui fixadas, ainda, por reportarem-se a vocábulos ou 
expressões utilizados no texto constitucional. São elas: 
a) cargos públicos; 
Cargos são as mais simples e indivisíveis unidades de competência a serem 
expressadas por um agente, previstas em número certo, com denominação própria, 
retribuídas por pessoas jurídicas de direito público e criadas por lei (Celso Antônio 
Bandeira de Mello). 
Os cargos públicos podem ser de provimento efetivo ou de provimento em comissão. 
Em qualquer caso, os titulares de cargos públicos submetem-se ao regime estatutário ou 
institucional. Trata-se de um regime legal (não contratual), podendo ser, por essa razão, 
modificado unilateralmente, sempre que se modifique a lei correspondente (não há direito 
adquirido a manutenção do regime jurídico). Cargos públicos são próprios de pessoas 
jurídicas de direito público. 
b) empregos públicos; 
Empregos públicos são núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem 
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preenchidos por agentes contratados para desempenhá-los, sob relação trabalhista 
(Celso Antônio Bandeira de Mello). 
O regime jurídico é contratual de natureza trabalhista (Consolidação das Leis do 
Trabalho), com as derrogações diretamente decorrentes da Constituição. Por isso, o 
vínculo jurídico entre o ocupante de um emprego público e a Administração é bilateral e 
as condições ou os termos do contrato de trabalho não podem ser modificados 
unilateralmente. É a forma de contratação própria das pessoas