Atualização Direito Const Descomplicado 2 p 3 ed
14 pág.

Atualização Direito Const Descomplicado 2 p 3 ed


DisciplinaDireito Constitucional I76.462 materiais1.770.258 seguidores
Pré-visualização8 páginas
embora a Constituição Federal não o tenha estabelecido textualmente, entendemos que a legitimação ativa 
para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade por omissão deve ser examinada, em cada caso concreto, levando-
se em conta o ato omissivo questionado. Assim, o legitimado pelo art. 103 da Constituição não poderá propor uma ação 
direta por omissão se ele é a autoridade competente para iniciar o processo legislativo questionado nessa ação. Não poderá, 
por exemplo, o Presidente da República propor ação direta de inconstitucionalidade por omissão questionando a mora quanto 
à apresentação de projeto de lei sobre matéria de sua iniciativa privativa (CF, art. 61, § 1º), pois, nesse caso, sua própria 
inércia \u2013 não apresentar o respectivo projeto de lei ao Poder Legislativo \u2013 é que afronta a Constituição. 
\u25aa Pág. 809 (item 12.3.3 \u2013 que passará a ser 12.3.4) \u2013 Inserir o seguinte após o parágrafo \u201cObserva-se, assim, que as 
hipóteses...\u201d: 
Significa que, de acordo com a tradicional classificação das normas constitucionais quanto ao grau de eficácia e 
aplicabilidade elaborada pelo Prof. José Afonso da Silva, só dará ensejo à propositura da ação direta de inconstitucionalidade 
por omissão a falta de norma regulamentadora: 
a) de normas constitucionais de eficácia limitada definidoras de princípios programáticos (normas programáticas 
propriamente ditas); ou 
b) de normas constitucionais de eficácia limitada definidoras de princípios institutivos ou organizativos de natureza 
impositiva. 
As normas constitucionais de eficácia limitada definidoras de princípios institutivos ou organizativos de natureza 
facultativa, por outorgarem uma simples faculdade ao legislador, não autorizam a propositura da ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão. 
\u25aa Pág. 835 (item 12.5.9) \u2013 Inserir o seguinte após o parágrafo \u201cA Lei nº 9.882/1999, em seu art. 8º...\u201d: 
A lei estabelece que a decisão proferida em ADPF terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos 
demais órgãos do Poder Público (Lei nº 9.882/1999, art. 10, § 3º). 
Esse ponto merece um comentário adicional, a seguir apresentado. 
Ao disciplinar os efeitos das decisões de mérito em ADI e ADC, a Lei nº 9.868/1999 estabeleceu que tais decisões têm 
eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, 
estadual e municipal (art. 28, parágrafo único). Essa redação da Lei nº 9.868/1999, em verdade, limita-se a reproduzir os 
efeitos que a Constituição Federal estabelece para as decisões de mérito em ADI e ADC (CF, art. 102, § 2º). Decorre dessa 
redação não terem as decisões do STF em ADI e ADC força vinculante em relação ao Poder Legislativo. 
De seu turno, a Lei nº 9.882/1999, ao disciplinar os efeitos da decisão de mérito em ADPF, estatui que a decisão terá 
eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público (art. 10, § 3º). Ao mencionar 
que a força vinculante alcançará \u201cos demais órgãos do Poder Público\u201d, não foi expressamente excepcionada a sua incidência 
em relação ao Poder Legislativo. 
Em que pese essa diferença na redação dada aos dispositivos legais supracitados, e ressalvando entendimento diverso 
de autores de renome (Alexandre de Moraes, por exemplo), entendemos que a força vinculante da decisão proferida em 
ADPF também não se aplica ao Poder Legislativo, no tocante ao exercício de sua função legislativa típica. 
 
 
Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
2ª p/ 3ª Ed. 2008 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
14
 
Entendemos que a força vinculante das decisões do STF \u2013 tanto das proferidas nas diferentes ações do controle 
abstrato quanto das consolidadas em súmulas vinculantes \u2013 não alcança o Poder Legislativo porque não cabe ao Poder 
Judiciário inibir, ad eternum, a produção legislativa dos representantes do povo. Ademais, não faria sentido o efeito 
vinculante das decisões proferidas em ADI e ADC, que encontra previsão constitucional expressa (CF, art. 102, § 2º), possuir 
alcance mais restrito do que o efeito vinculante das decisões proferidas em ADPF, cuja previsão expressa reside em mera lei 
ordinária (Lei nº 9.882/1999). Todas elas \u2013 ADI, ADC e ADPF \u2013 são ações integrantes do controle abstrato de normas, de 
caráter objetivo, e nenhum dispositivo constitucional permite inferir que pudesse haver alguma razão jurídica apta a 
fundamentar distinção substancial quanto aos efeitos decorrentes das decisões nelas proferidas. 
CAPÍTULO 14 
\u25aa Pág. 874 (item 4) \u2013 Inserir o seguinte após o parágrafo \u201cO serviço alternativo será prestado em...\u201d: 
Importante ressaltar que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que o serviço militar obrigatório pode 
ser remunerado com valor inferior ao salário mínimo, haja vista que os conscritos, na prestação do serviço militar, não se 
enquadram como trabalhadores na acepção que o inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal empresta ao conceito.33 Esse 
entendimento restou consolidado na Súmula Vinculante nº 6 do STF, nos termos seguintes: 
\u201cNão viola a Constituição da República o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para os praças 
prestadores de serviço militar inicial.\u201d 
 
33 RE 570.177, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 30.04.2008. 
	CAPITULO 1
	CAPÍTULO 3
	CAPÍTULO 4
	CAPÍTULO 6
	CAPÍTULO 7
	CAPÍTULO 8
	CAPÍTULO 10
	CAPÍTULO 11
	CAPÍTULO 12
	CAPÍTULO 13
	CAPÍTULO 14