Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009
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Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009


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Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
3ª p/ 4ª Ed. 2009 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
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Pontos do livro \u201cDireito Constitucional Descomplicado\u201d que, em virtude de alterações legislativas ou 
jurisprudenciais ocorridas desde a 3ª edição, foram objeto de atualização na 4ª edição da obra. 
 
CAPÍTULO 3 
1) No item 3.3, substituir o último parágrafo pelo texto abaixo, em azul: 
3.3. Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos 
(...) 
No segundo semestre de 2008 tivemos a incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro da primeira 
norma internacional sobre direitos humanos com força de emenda constitucional. Trata-se da Convenção sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em 30 de março de 2007, em Nova Iorque, e aprovada, nos 
termos do § 3º do art. 5º da Constituição Federal, pelo Decreto Legislativo 186/2008 (DOU de 10.07.2008). 
A tramitação desse decreto legislativo seguiu o rito prescrito pelo § 3º do art. 5º da Constituição Federal 
\u2013 aprovação, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros \u2013 e, por essa razão, foi outorgado status de emenda constitucional à mencionada Convenção sobre os 
Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada por aquele decreto legislativo ao nosso ordenamento 
jurídico. 
É muito relevante destacar, ainda, que, em razão do seu status de emenda constitucional, essa 
convenção internacional representa uma ampliação do parâmetro para controle de constitucionalidade das leis 
em nosso País (bloco de constitucionalidade). Significa dizer que, atualmente, além do texto da Constituição 
Federal, também o texto dessa convenção internacional constitui parâmetro para a aferição da validade das leis 
pelo Poder Judiciário brasileiro. 
Cabe ressaltar, porém, que, mesmo quando incorporados ao ordenamento pátrio com força de emenda 
constitucional \u2013 na forma do art. 5º, § 3º, da Constituição \u2013, poderão os tratados e convenções internacionais 
sobre direitos humanos ser ulteriormente declarados inconstitucionais, por ofensa aos valores constitucionais 
gravados como cláusulas pétreas, previstos no art. 60, § 4º, da Constituição da República. 
 
2) Foi acrescentado o parágrafo abaixo, em azul, ao final do item 4.8: 
4.8. Inviolabilidade domiciliar (art. 5.º, XI) 
(...) 
Por fim, é oportuno mencionar que o STF considerou válido provimento judicial que autorizava o 
ingresso de autoridade policial em recinto profissional durante a noite, para o fim de instalar equipamentos de 
captação acústica (escuta ambiental) e de acesso a documentos no ambiente de trabalho do acusado.1 
Asseverou-se que tais medidas não poderiam jamais ser realizadas com publicidade, sob pena de sua frustração, 
o que ocorreria caso fossem praticadas durante o dia, mediante apresentação de mandado judicial. Com isso, 
tem-se que a escuta ambiental não se sujeita aos mesmos limites da busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), bastando, 
para sua legalidade, a existência de circunstanciada autorização judicial. 
 
3) Foi acrescentado o parágrafo em azul ao item 4.29: 
4.29. Princípio da individualização da pena; penas admitidas e penas vedadas (art. 5.º, XLVI e 
XLVII) 
(...) 
A Lei n.º 8.072/1990, em seu art. 2.º, inciso II, veda a concessão de liberdade provisória ao condenado 
pela prática de crime hediondo. Esse dispositivo não foi considerado inconstitucional pelo STF. Entretanto, 
deve-se mencionar que já deixou assente a Corte Suprema que a proibição de liberdade provisória nos processos 
 
1 Inq 2.424/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 19 e 20.11.2008. 
 
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por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo (STF, Súmula 697). 
Outro entendimento do STF que merece registro diz respeito ao âmbito de incidência da vedação às 
penas de caráter perpétuo. Nosso Tribunal Constitucional já decidiu que a proibição de penas de caráter 
perpétuo tem aplicação não só na esfera penal, mas também no âmbito das sanções administrativas.2 
Por fim, cabe ressaltar que, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal, admite-se a progressão 
de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do 
trânsito em julgado da sentença condenatória (Súmula n.º 716). 
Esse entendimento do Supremo Tribunal Federal veio fazer justiça aos milhares de presos do País que, 
em virtude da morosidade da justiça, permaneciam indefinidamente cumprindo a pena em regime fechado, sem 
direito a progressão, diante da ausência do trânsito em julgado da sentença condenatória. Agora, mesmo antes 
do trânsito em julgado, o juiz competente poderá autorizar a progressão de regime, ou mesmo a imediata 
aplicação de regime menos severo do que aquele determinado na sentença recorrida. 
 
4) No item 4.32, foi acrescentado o texto em azul ao texto da nota de rodapé existente ao final do 
parágrafo abaixo: 
4.32. Contraditório e ampla defesa (art. 5.º, LV) 
(...) 
Dentro dessa realidade, o inquérito policial afigura-se como mera fase investigatória, preparatória para 
a acusação. É tão-somente um procedimento investigatório, de natureza administrativa, destinado a subsidiar a 
atuação do titular da ação penal, que é o Ministério Público. Por isso, entende o Supremo Tribunal Federal que, 
na fase do inquérito policial, não há que se falar em garantia constitucional do contraditório ao investigado, não 
estando o Estado obrigado a colocar à sua disposição assistência jurídica. Segundo o Supremo Tribunal Federal, 
no âmbito do processo criminal, o contraditório e a ampla defesa só são obrigatórios (e inafastáveis) na fase 
judicial do processo.3 
 
5) Também no item 4.32 foi suprimida a nota de rodapé abaixo transcrita, em vermelho: 
4.32. Contraditório e ampla defesa (art. 5.º, LV) 
(...) 
STJ, Súmula 343: \u201cÉ obrigatória a presença de advogado em todas as fases do processo administrativo 
disciplinar\u201d 
Observação: a Súmula 343 do STJ ficou prejudicada pela Súmula Vinculante 5 do Supremo Tribunal 
Federal, cuja redação é: \u201cA falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não 
ofende a Constituição.\u201d 
 
 
2 RE 154.134/SP, rel. Min. Sidney Sanches, DJ de 29.10.1999. 
3 Consideramos oportuno registrar que identificamos uma propensão à mitigação, por parte do Supremo Tribunal Federal, dessa 
orientação pela inaplicabilidade da ampla defesa e do contraditório à fase de inquérito policial dos processos criminais. Com 
efeito, no julgamento do HC 92.599/BA (rel. Min. Gilmar Mendes, 06.11.2007), ao deferir liminar determinando a juntada de 
provas a inquérito policial, requerida pelo investigado, que o tribunal de origem negara, sob o argumento da não sujeição do 
inquérito à ampla defesa e ao contraditório, deixou assente o relator que a jurisprudência do STF \u201ctem assegurado a amplitude 
do direito de defesa mesmo que em sede de inquéritos policiais e/ou originários\u201d, colacionando julgados que \u201crespaldam a 
tendência interpretativa de garantir aos investigados e indiciados a máxima efetividade constitucional no que concerne à 
proteção dos direitos fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório\u201d. Nos julgados então evocados 
pelo Min. Gilmar Mendes, reconheceu a Corte Suprema o direito de o advogado do investigado ter acesso aos dados já trazidos 
aos autos do inquérito, direito que prevaleceu sobre os interesses do sigilo das investigações (HC 88.190/RJ, rel. Min. Cezar 
Peluso, 2ª T., 06.10.2006; HC 87.827/RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1ª T., 23.06.2006; HC 88.520, rel. Min. Cármen Lúcia, 
Pleno, 23.11.2006). Tal orientação