Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009
22 pág.

Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009


DisciplinaDireito Constitucional I76.702 materiais1.776.226 seguidores
Pré-visualização12 páginas
que admite a sustentação oral do interveniente pelo prazo máximo 
de quinze minutos, e, ainda, se houver litisconsortes não representados pelo mesmo advogado, pelo prazo 
contado em dobro.38 
Quanto ao momento de admissão da intervenção do amicus curiae no processo, o Supremo Tribunal 
Federal inicialmente havia fixado entendimento de que ela deveria ocorrer, necessariamente, no momento de 
instrução, durante o prazo das informações, não sendo possível admiti-la quando já em curso o julgamento.39 
Posteriormente, porém, o Tribunal passou a aceitar, em casos determinados, a sustentação oral do amicus 
curiae. Com isso, a atuação deste passou a ser admitida, também, depois do prazo de instrução, quando o 
julgamento do feito já esteja em andamento.40 
(...) 
 
5) No item 12.5.5, foi acrescentado o texto em azul, abaixo: 
12.5.5. Subsidiariedade da ADPF 
(...) 
Nessas hipóteses, ante a inexistência de processo de índole objetiva apto a solver, 
de uma vez por todas, a controvérsia constitucional, afigura-se inteiramente aplicável a 
argüição de descumprimento de preceito fundamental. É que as ações ordinárias e o próprio 
recurso extraordinário não parecem, as mais das vezes, capazes de resolver a controvérsia 
constitucional de forma geral, definitiva e imediata. A necessidade de interposição de uma 
pletora de recursos extraordinários idênticos poderá, em verdade, constituir-se em ameaça 
ao livre funcionamento do STF e das próprias Cortes ordinárias. 
 
Merece referência, também, a decisão do Min. Celso de Mello, proferida em 15.12.2008, de não 
conhecer a ADPF 100 MC/TO, com fundamento no princípio da subsidiariedade, tendo em conta exatamente a 
 
36 ADI 3.232/TO, rel. Min. Cezar Peluso, 14.08.2008. 
37 ADI 2.675/PE, rel. Min. Carlos Velloso e ADI 2.777/SP, rel. Min. Cezar Peluso, 26 e 27.11.2003. 
38 RISTF, art. 131, § 3º. 
39 ADIMC 2.238/DF, rel. Min. Ilmar Galvão, 27.08.2001. 
40 ADI 2.548/PR, rel. Min. Gilmar Mendes, 18.10.2005. 
 
Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
3ª p/ 4ª Ed. 2009 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
21
existência de processo objetivo, passível de ser instaurado perante o Tribunal de Justiça do estado-membro, 
apto a sustar, de imediato, os efeitos da norma contestada (tratava-se de impugnação de uma lei municipal). A 
decisão é particularmente interessante porque reforça a orientação de que o atendimento ao princípio da 
subsidiariedade deve ser aferido em relação a processos de índole objetiva \u2013 isto é, pertinentes ao controle 
abstrato de normas \u2013 e porque esclarece que essa análise deve incluir as ações estaduais objetivas de controle 
de constitucionalidade que tenham possibilidade de sanar, de forma efetiva, a lesividade da atuação 
pretensamente ofensiva a preceito fundamental. Transcrevemos parte da ementa da decisão citada (vide 
Informativo 532 do STF): 
\u201cA possibilidade de instauração, no âmbito do Estado-membro, de processo objetivo de 
fiscalização normativa abstrata de leis municipais contestadas em face da Constituição 
Estadual (CF, art. 125, § 2º) torna inadmissível, por efeito da incidência do princípio da 
subsidiariedade (Lei nº 9.882/99, art. 4º, § 1º), o acesso imediato à argüição de 
descumprimento de preceito fundamental. 
É que, nesse processo de controle abstrato de normas locais, permite-se, ao Tribunal de 
Justiça estadual, a concessão, até mesmo in limine, de provimento cautelar neutralizador 
da suposta lesividade do diploma legislativo impugnado, a evidenciar a existência, no 
plano local, de instrumento processual de caráter objetivo apto a sanar, de modo pronto e 
eficaz, a situação de lesividade, atual ou potencial, alegadamente provocada por leis ou 
atos normativos editados pelo Município.\u201d 
Em síntese, somos de opinião de que a posição dominante no Supremo Tribunal Federal, atualmente, é 
pelo cabimento da ADPF, em princípio, quando a lesividade da situação que se pretenda afastar não possa ser 
efetivamente sanada mediante alguma das demais ações integrantes do controle abstrato de normas (ação direta 
de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade), vale dizer, a subsidiariedade a que se refere 
o § 1.º do art. 4.º da Lei n.º 9.882/1999 deve ser aferida, essencialmente, em face das ações objetivas do controle 
de constitucionalidade, atenuando-se a restrição que decorreria da literalidade do dispositivo.41 
(...) 
 
CAPÍTULO 15 
1) No item 4.9.2, foi substituído o texto da letra \u201ca\u201d, abaixo, pelo texto em azul: 
4.9.2. Outras imunidades 
(...) 
a) imunidade, das receitas decorrentes de exportação, a contribuições sociais e de intervenção no 
domínio econômico (art. 149, § 2.º, inciso I); 
Trata-se de imunidade objetiva. Há quem defenda, incluído o fisco federal, que ela só afastaria as 
contribuições cujo fato gerador seja a obtenção de receita, como a COFINS (CF, art. 195, I, \u201cb\u201d) e o PIS/PASEP 
(CF, art. 239), mas não outras, como a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cuja base 
constitucional é o art. 195, I, \u201cc\u201d). Pensamos que a interpretação deve ser mais abrangente, excluindo quaisquer 
contribuições que incidam, direta ou indiretamente, sobre receitas decorrentes de exportações, o que implicaria 
considerar, por exemplo, a CSLL abrangida pela norma constitucional em tela (afinal, a existência de lucro 
pressupõe a obtenção de receita). 
É importante anotar que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, manifestou-se pelo 
alcance amplo da imunidade, ao conceder liminar em ação cautelar mediante a qual afastou a incidência da 
 
41 Conforme destacado no julgamento do pedido de medida cautelar na ADPF 77/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 21.08.2006, 
nos termos seguintes: \u201cNesse sentido, cumpre destacar que o Supremo Tribunal Federal, no tocante à cláusula de 
subsidiariedade instalada no artigo 4.º, § 1.º, da Lei n.º 9.882/99, tem seguido a orientação segundo a qual \u201co juízo de 
subsidiariedade há de ter em vista, especialmente, os demais processos objetivos já consolidados no sistema constitucional.\u201d 
 
Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
3ª p/ 4ª Ed. 2009 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
22
CSLL sobre receitas decorrentes de exportações realizadas pela Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A \u2013 
EMBRAER (AC 1.738/SP, rel. Min. Cezar Peluso, 17.09.2007).42 
 
b) imunidade ao IPI dos produtos industrializados exportados (art. 153, § 3.º, III); 
 
CAPÍTULO 17 
1) No item 2.1 foi acrescentado o texto em azul, abaixo: 
2.1. Princípios constitucionais do ensino 
(...) 
VIII \u2013 piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, 
nos termos de lei federal. 
O Supremo Tribunal Federal considera inconstitucional a cobrança de taxa de matrícula nas 
universidades públicas, por afronta ao inciso IV do art. 206 da Constituição Federal, que assegura a 
gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Esse entendimento está consolidado no 
enunciado da Súmula Vinculante 12 do STF, abaixo reproduzida: 
\u201c12 \u2013 A cobrança de taxa de matrícula nas Universidades Públicas viola o disposto no artigo 
206, inciso IV, da Constituição Federal\u201d. 
 
2) No item 8, foi acrescentado ao final o parágrafo abaixo, em azul: 
8. PROTEÇÃO À FAMÍLIA, À CRIANÇA, AO ADOLESCENTE E AO IDOSO 
(...) 
O idoso que não tenha condições econômicas de prover o seu próprio sustento pode exigir de seus 
familiares a prestação de alimentos, na forma da lei civil (art. 11). A obrigação alimentar é solidária, podendo o 
idoso optar entre os prestadores (art. 12). As transações relativas a alimentos poderão ser celebradas perante o 
Promotor de Justiça ou o Defensor Público, que as referendará, e passarão a ter efeito de título executivo 
extrajudicial