Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009
22 pág.

Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009


DisciplinaDireito Constitucional I76.467 materiais1.770.481 seguidores
Pré-visualização12 páginas
de que esse tratado internacional \u2013 assim como todos os 
tratados internacionais sobre direitos humanos celebrados pelo Brasil \u2013 era norma hierarquicamente equiparada 
à lei ordinária, e, como tal, não poderia contrariar texto da Constituição Federal.9 Prevaleceu, portanto, o 
entendimento de que o Pacto de San José da Costa Rica, por gozar de status de mera lei, não havia afastado a 
possibilidade de prisão civil do depositário infiel entre nós. 
É extremamente relevante, contudo, enfatizar que a Corte Suprema abandonou tal orientação e, por 
maioria de votos, firmou entendimento de que a prisão civil por dívida, prevista no inciso LXVII do art. 5º da 
 
8 HC 96.618-MC/SP, Min. Celso de Mello, 04.11.2008. 
9 ADIMC 1.480/DF, rel. Min. Celso de Mello, 04.09.1997. 
 
Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
3ª p/ 4ª Ed. 2009 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
5
Lei Maior, é aplicável apenas ao responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação 
alimentícia, e não ao depositário infiel.10 
Com efeito, o STF, por maioria, passou a entender que os tratados e convenções internacionais sobre 
direitos humanos celebrados pelo Brasil têm status supralegal, situando-se abaixo da Constituição, mas acima 
da legislação interna. Deixou assente o Tribunal que os tratados internacionais sobre direitos humanos são atos 
normativos infraconstitucionais (abaixo da Constituição Federal), porém, diante de seu caráter especial em 
relação aos demais atos normativos internacionais, também são dotados de um atributo de supralegalidade 
(acima das leis). Por força dessa supralegalidade, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos \u2013 Pacto de San José da Costa Rica, ratificados pelo Brasil em 
1992, tornaram inaplicável a legislação infraconstitucional sobre a prisão do depositário infiel com eles 
conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação de tais normas internacionais, e, com isso, 
afastaram a possibilidade de prisão do depositário infiel, prevista no inciso LXVII do art. 5º da Constituição 
Federal. 
Anote-se que a força paralisante do tratado internacional não incide diretamente sobre o texto da 
Constituição Federal (e nem poderia fazê-lo, em razão da supremacia desta!), mas sim sobre a legislação 
infraconstitucional que o regulamenta. Em outras palavras, o texto constitucional não é revogado pelo tratado 
internacional, apenas se torna inaplicável em razão da ausência de normas infraconstitucionais 
regulamentadoras, estas, sim, paralisadas pela norma internacional. 
Assim, a previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel (art. 5º, inciso LXVII) não foi 
revogada pela ratificação, pelo Brasil, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e da 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos \u2013 Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º, 7), mas deixou de ter 
aplicabilidade diante do efeito paralisante desses tratados em relação à legislação infraconstitucional que 
disciplina a matéria, seja essa legislação anterior (art. 1.287 do Código Civil de 1916; Decreto-Lei 911, de 1º de 
outubro de 1969) ou posterior (art. 652 do Código Civil atual) à data de ratificação de tais normas 
internacionais. 
Em suma, ao passar a reconhecer status de supralegalidade aos tratados internacionais sobre 
direitos humanos, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que desde a ratificação pelo Brasil, no 
ano de 1992, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e da Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos \u2013 Pacto de San José da Costa Rica, não há base legal para aplicação da parte final do art. 5º, inciso 
LXVII, da Constituição, ou seja, para a prisão civil do depositário infiel, tampouco do devedor no contrato de 
alienação fiduciária em garantia (haja vista que a prisão deste só era possível por equiparação do devedor 
fiduciário à figura do depositário infiel). 
Apresentamos a seguir uma síntese das conclusões que podemos extrair desse importante julgado do 
STF: 
a) os tratados internacionais sobre direitos humanos celebrados pelo Brasil têm status de 
supralegalidade, situando-se hierarquicamente abaixo da Constituição, mas acima das leis internas; esses 
tratados poderão passar a ter status de norma constitucional caso venham a ser aprovados pelo rito especial 
previsto no § 3º do art. 5º da Constituição Federal (se forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, 
em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros); 
b) o status supralegal dos tratados internacionais sobre direitos humanos celebrados pelo Brasil torna 
inaplicável a legislação infraconstitucional com eles conflitante, seja ela posterior ou anterior ao ato de 
ratificação; 
c) o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e a Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos \u2013 Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º, 7), ratificados pelo Brasil em 1992, ao paralisar a eficácia 
da legislação infraconstitucional com eles conflitante, tornaram inaplicável a parte final do inciso LXVII do art. 
5º da Constituição Federal, que se refere à prisão civil do depositário infiel; 
 
10 RE 466.343-1/SP, rel. Min. Cezar Peluso, 03.12.2008. 
 
Atualização: Direito Constitucional Descomplicado 
3ª p/ 4ª Ed. 2009 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
 
 
 
6
d) não é mais possível, tampouco, a prisão civil do devedor no contrato de alienação fiduciária em 
garantia (haja vista que esta prisão só era possível por equiparação do devedor fiduciário à figura do depositário 
infiel); 
e) permanece inalterada a possibilidade de prisão civil do responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável de obrigação alimentícia, prevista na parte inicial do inciso LXVII do art. 5º da Constituição 
Federal. 
Por fim, cabe mencionar que, em decorrência desse novo entendimento \u2013 inaplicabilidade da prisão 
civil ao depositário infiel \u2013, o Supremo Tribunal Federal revogou a sua Súmula 619, que versava sobre o 
assunto.11 
 
CAPÍTULO 4 
1) O item 6.7. passou a ter a seguinte redação: 
6.7. Formação dos municípios 
A EC nº 15/1996 passou a exigir novos requisitos para a alteração dos limites territoriais dos 
municípios, estabelecendo que a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios far-se-ão 
por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, 
mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade 
municipal, apresentados e publicados na forma da lei. 
Atualmente, portanto, são cinco as medidas necessárias para a criação, a incorporação, a fusão e o 
desmembramento de municípios: 
a) aprovação de lei complementar federal fixando genericamente o período dentro do qual 
poderá ocorrer a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios; 
b) aprovação de lei ordinária federal prevendo os requisitos genéricos exigíveis e a forma de 
divulgação, apresentação e publicação dos estudos de viabilidade municipal; 
c) divulgação dos estudos de viabilidade municipal, na forma estabelecida pela lei ordinária 
federal acima mencionada; 
d) consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos; 
e) aprovação de lei ordinária estadual formalizando a criação, a incorporação, a fusão ou o 
desmembramento do município, ou dos municípios. 
A consulta às populações interessadas deverá, obrigatoriamente, ser prévia, por meio de plebiscito, 
vedada a realização de consulta ulterior, por meio de referendo, mesmo que a Constituição do estado tenha 
previsto este meio de consulta. 
O plebiscito destinado à criação, à incorporação, à fusão e ao desmembramento de municípios