Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009
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Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009


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será 
convocado pela assembléia legislativa, de conformidade com a legislação federal e estadual.12 
Entendem-se por populações dos municípios envolvidos tanto a do território que se pretende 
desmembrar quanto a do que sofrerá desmembramento; em caso de fusão ou anexação, tanto a população da 
área que se quer anexar quanto a da que receberá o acréscimo.13 
Note-se que, desde a promulgação da EC nº 15/1996, a alteração dos limites territoriais dos municípios 
passou a depender da vontade do Congresso Nacional, haja vista que a alteração do território municipal somente 
poderá ocorrer dentro do período determinado por lei complementar federal. Enquanto não editada essa lei 
complementar pelo Congresso Nacional, não poderá ocorrer nenhuma criação, incorporação, fusão ou 
desmembramento de município no Brasil. 
 
11 Súmula 619 (revogada): \u201cA prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio processo em que se constituiu o 
encargo, independentemente da propositura de ação de depósito.\u201d 
12 Lei 9.709/1998, art. 5.º. 
13 Lei 9.709/1998, art. 7.º. 
 
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Alertamos, porém, para o fato de que, não obstante a inexistência da referida lei complementar federal, 
foram criados, após a introdução dessa exigência pela EC nº 15/1996, mais de cinqüenta municípios em nosso 
País, em situação de flagrante desrespeito ao § 4º do art. 18 da Carta Política. Em ações movidas perante o 
Supremo Tribunal Federal, este se manifestou pela inconstitucionalidade dos procedimentos de criação de tais 
municípios, e, também, reconheceu a inconstitucionalidade por omissão do Congresso Nacional, configurada 
pela ausência de elaboração da lei complementar reclamada pela Constituição, fixando um prazo de 18 (dezoito) 
meses para que esse órgão legislativo suprisse tal omissão.14 
Em face desse quadro, o Congresso Nacional promulgou a EC nº 57/2008, que acrescentou o art. 96 ao 
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, convalidando os atos de criação, fusão, incorporação e 
desmembramento de municípios, cuja lei tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006, atendidos os 
requisitos estabelecidos na legislação do respectivo estado à época de sua criação. Foi essa a forma adotada pelo 
legislador constituinte derivado para regularizar a situação desses mais de cinqüenta municípios, criados, na 
época, com desrespeito ao § 4º do art. 18 da Constituição Federal. 
 
CAPÍTULO 6 
1) O item 4 passou a ter a seguinte redação: 
4. NORMAS CONSTITUCIONAIS SOBRE INGRESSO NO SERVIÇO PÚBLICO 
No que respeita à possibilidade de ingresso na Administração Pública como agente público, dispõe a 
Constituição que \u201cos cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os 
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei\u201d (CF, art. 37, I). 
Portanto, no caso dos brasileiros, natos ou naturalizados, basta o atendimento dos requisitos da lei para 
terem possibilidade de acesso aos cargos, empregos e funções públicas. Sendo cargo efetivo ou emprego 
permanente, será ainda necessária a prévia aprovação em concurso público. Caso se trate de cargo em comissão 
ou função de confiança, haverá livre nomeação, pela autoridade competente, de quem atenda os requisitos 
legais. Na contratação temporária, como regra, há um processo seletivo simplificado entre os interessados que 
satisfaçam às condições legais, dependendo da hipótese de contratação de que se trate. 
A situação dos estrangeiros é diferente. O acesso deles aos cargos, empregos e funções públicas deve 
ocorrer \u201cna forma da lei\u201d, vale dizer, eles somente poderão ter acesso aos cargos, empregos e funções públicas 
se houver prévia lei autorizadora. Conforme lição do Prof. Alexandre de Moraes, trata-se de \u201cnorma 
constitucional de eficácia limitada à edição de lei, que estabelecerá a necessária forma\u201d. 
Vale lembrar que existem cargos privativos de brasileiro nato, enumerados no art. 12, § 3.º, da Carta 
Política (Presidente e Vice-Presidente da República; Presidente da Câmara dos Deputados; Presidente do 
Senado Federal; Ministro do Supremo Tribunal Federal; carreira diplomática; oficial das forças armadas; 
Ministro de Estado da Defesa). Evidentemente, em nenhuma hipótese podem ser eles ocupados por brasileiro 
naturalizado, muito menos por estrangeiro. 
A exigência de que a lei estabeleça os requisitos para o acesso aos cargos, empregos e funções públicas 
é importante para afastar a possibilidade de editais de concursos públicos criarem exigências não previstas em 
lei. 
O STF já decidiu, por exemplo, que \u201co edital de concurso não é instrumento idôneo para o 
estabelecimento de limite mínimo de idade para a inscrição em concurso público; para que seja legítima tal 
exigência é imprescindível a previsão em lei\u201d.15 
É ilustrativa, outrossim, a Súmula 686 do STF: \u201cSó por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a 
habilitação de candidato a cargo público.\u201d 
Mesmo a lei, ao estabelecer os requisitos, deve respeitar os princípios constitucionais, sobretudo o 
 
14 ADO 3.682/MT, rel. Min. Gilmar Mendes, 09.05.2007. 
15 RE 182.432/RS, rel. Min. Néri da Silveira, 05.03.2002. 
 
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princípio da isonomia, bem como a razoabilidade e proporcionalidade. Vale dizer, é possível o estabelecimento 
de limitações legais ao acesso de pessoas em situações específicas a determinados cargos, empregos ou funções 
públicas, desde que o critério para a discriminação seja razoável. 
O Prof. Hely Lopes Meirelles apresenta o seguinte exemplo, perfeitamente ilustrativo da conciliação 
que se deve fazer entre o princípio da isonomia e o princípio da razoabilidade na fixação de exigências para o 
desempenho de funções públicas: \u201cse determinado cargo de datilógrafo pode ser exercido indiferentemente por 
pessoas do sexo feminino ou masculino, a discriminação fundada nesse atributo pessoal do candidato será 
indevida; entretanto, se o que a Administração deseja é uma pessoa do sexo feminino para ocupar o cargo de 
datilógrafo numa penitenciária de mulheres, o estabelecimento desse requisito não constituirá discriminação 
ilegal\u201d. 
Sobre esse aspecto, vale mencionar a Súmula 683 do STF, segundo a qual \u201co limite de idade para a 
inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7.º, XXX, da Constituição, quando possa ser 
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido\u201d. 
A Constituição de 1988 tornou obrigatória a aprovação prévia em concurso público \u2013 que deve ser de 
provas, ou de provas e títulos \u2013 para o provimento de quaisquer cargos efetivos ou empregos permanentes na 
Administração Direta e Indireta, inclusive para o preenchimento de empregos nas empresas públicas e 
sociedades de economia mista (CF, art. 37, II). 
Nos termos da Súmula 685 do STF, \u201cé inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao 
servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não 
integra a carreira na qual anteriormente investido\u201d. 
As pessoas portadoras de deficiência devem ter reservado para si, por lei, um percentual dos cargos e 
empregos públicos oferecidos nos concursos públicos (CF, art. 37, VIII). Essas pessoas estão sujeitas ao 
concurso, mas há vagas específicas para elas reservadas. A Constituição determina que a lei estabeleça os 
critérios de sua admissão. A título de exemplo, cabe reproduzir o art. 5.º, § 2.º, da Lei n.º 8.112/1990, que 
regulou a norma constitucional, na esfera federal, nestes termos: \u201cÀs pessoas portadoras de deficiência é 
assegurado o direito de