Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009
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Constitucional Descomplicado 3 p 4 ed 2009


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37 da Constituição disciplina o preenchimento de cargos em comissão e de funções 
de confiança. São as seguintes as regras ali contidas: 
a) as funções de confiança e os cargos em comissão destinam-se exclusivamente às atribuições 
de direção, chefia e assessoramento; 
b) as funções de confiança devem ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de 
cargo efetivo; 
c) os cargos em comissão podem ser preenchidos por pessoas que não tenham ingressado no 
serviço público mediante concurso, mas a lei deve estabelecer percentuais mínimos das vagas em 
cargos em comissão a serem preenchidas por servidores de carreira (servidores que tenham ingressado 
no serviço público mediante concurso público). 
É relevante registrar que o Supremo Tribunal Federal, em decisão histórica, prestigiando sobremaneira 
os princípios constitucionais que orientam a atuação da Administração Pública como um todo, sobretudo os 
postulados da moralidade administrativa e da impessoalidade, considerou ofensiva à Constituição a prática do 
denominado nepotismo (nomeação de parentes, consangüíneos ou por afinidade, para cargos em comissão e 
funções de confiança).20 Conforme o entendimento de nossa Corte Suprema, a vedação ao nepotismo, inclusive 
ao chamado \u201cnepotismo cruzado\u201d (dois agentes públicos, em conluio, nomeiam familiares um do outro), não 
depende de lei formal para ser implementada; tal proibição decorre, diretamente, dos princípios expressos no 
art. 37, caput, da Carta de 1988, devendo ser observada por todos os Poderes da República e por todos os entes 
da Federação. A partir dessa orientação, editou a Súmula Vinculante 13, cuja redação transcrevemos: 
\u201c13 \u2013 A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou 
por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da 
mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o 
exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na 
Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, 
viola a Constituição Federal.\u201d 
 
É importante ressalvar, consoante o entendimento explicitado pela nossa Corte Suprema nos 
julgamentos que deram origem à Súmula Vinculante 13, que a vedação ao nepotismo não alcança a 
nomeação para cargos políticos. Dessa forma, por exemplo, um prefeito de município pode nomear o seu 
sobrinho para o cargo político de secretário municipal; um governador de estado pode nomear o seu filho para o 
cargo político de secretário estadual. Entretanto \u2013 ainda exemplificando \u2013, o mesmo governador não pode 
nomear o seu irmão para o cargo meramente administrativo de assessor jurídico do gabinete do secretário de 
fazenda do estado. 
O inciso IX do art. 37 da CF/88 prevê uma outra forma de admissão de pessoal pela Administração 
 
20 ADC 12/DF, rel. Min. Carlos Britto, 20.08.2008; RE 579.951/RN, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 20.08.2008. 
 
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Pública, diversa do preenchimento de cargos efetivos e empregos públicos mediante concurso público, e diversa 
da nomeação para cargos em comissão. Trata-se da contratação por tempo determinado, para atender 
necessidade temporária de excepcional interesse público. 
Na esfera federal, a contratação por prazo determinado encontra-se disciplinada pela Lei n.º 8.745/1993, 
bastante alterada por leis posteriores. O pessoal contratado com base nessa lei não pode ser considerado 
estatutário (pois o regime jurídico trabalhista a que se submetem é contratual), nem celetista (não são regidos 
pela CLT). Não ocupam cargos na Administração Pública. O regime de previdência a que estão sujeitos é o 
regime geral de previdência social (RGPS), de que trata o art. 201 da Constituição Federal. Podemos dizer que 
os contratados com base na Lei n.º 8.745/1993 exercem função pública remunerada temporária em 
determinado órgão ou entidade da Administração. 
A contratação temporária na esfera federal não é feita mediante concurso público, mas sim por meio de 
processo seletivo simplificado sujeito a ampla divulgação, inclusive no Diário Oficial da União. É dispensado 
processo seletivo na hipótese de contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade pública e 
de emergência ambiental. Em alguns casos, como no de contratação de professor e pesquisador visitante 
estrangeiro, a Lei n.º 8.745/1993 permite a seleção baseada somente em análise de currículo que demonstre 
notória capacidade técnica ou científica do profissional. 
Acerca da natureza das funções a serem exercidas pelos agentes contratados com base no inciso IX do 
art. 37 da Constituição, parte da doutrina defende que não só a contratação deve decorrer de situação 
excepcional e transitória, mas também que as funções a serem exercidas tenham caráter extraordinário ou 
temporário. Essa tese não foi acolhida pelo STF, que, no julgamento da ADI 3.068/DF, rel. orig. Min. Marco 
Aurélio, rel. p/ acórdão Min. Eros Grau, 25.08.2004, decidiu que somente a situação ensejadora da contratação 
deve ser obrigatoriamente excepcional, mas a função poderia ser regular, ordinária, permanente. Em síntese, 
temporária tem que ser a necessidade, não a natureza da atividade para a qual se contrata. 
 
2) O item 5.3 passou a ter a seguinte redação: 
5.3. Direito de greve dos servidores públicos 
O inciso VII do art. 37 concede aos servidores públicos civis o direito de greve. A norma, em nossa 
opinião, insere-se na categoria das normas constitucionais de eficácia limitada, segundo a já consagrada 
classificação de José Afonso da Silva. 
É oportuno observar que o direito de greve do trabalhador da iniciativa privada está assegurado no art. 
9.º da Constituição, que é uma norma auto-exercitável, embora passível de ulterior restrição pelo legislador 
ordinário (exemplo típico de norma de eficácia contida, segundo a classificação de José Afonso da Silva). 
Diferentemente, repita-se, o inciso VII do art. 37 não é auto-aplicável, ou seja, o direito de greve do 
servidor público não pode ser considerado automaticamente exercitável com a simples promulgação da 
Constituição de 1988. 
É necessária a edição de lei ordinária específica que estabeleça os termos e limites do exercício do 
direito de greve do servidor público civil (no texto originário da Constituição, modificado pela EC n.º 19/1998, 
era exigida lei complementar). 
A lei regulamentadora do direito de greve dos servidores públicos, requerida pela Carta da República, 
até hoje não foi editada. É relevante registrar que, em face da desabrida inércia de nosso legislador, o Supremo 
Tribunal Federal, no julgamento de três mandados de injunção (MI 670 e 708, rel. Min. Gilmar Mendes, 
25.10.2007; MI 712, rel. Min. Eros Grau, 25.10.2007), adotando a denominada posição concretista geral, 
determinou a aplicação temporária ao setor público, no que couber, da lei de greve vigente no setor 
privado (Lei n.º 7.783/1989), até que o Congresso Nacional edite a mencionada lei regulamentadora. 
Até que ocorra a devida disciplina legislativa pelo Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal 
fixou, também, as regras temporárias de competência para a apreciação de dissídios de greve instaurados 
entre o Poder Público e os servidores públicos, nos termos seguintes: 
 
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a) se a paralisação for de âmbito nacional, ou abranger mais de uma região da Justiça Federal, ou, ainda, 
compreender mais de uma unidade da Federação, a competência para o dissídio de greve será do