Apostila de Ventilação Mecânica
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Apostila de Ventilação Mecânica


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na PSV. 
Na PSV, vale destacar que ventiladores modernos permitem regular a abertura 
da válvula inspiratória, fazendo com que o fluxo de entrada seja feito de forma mais 
suave, ou seja, turbilhonando menos o ar e atingindo a DIRETIVA PRIMÁRIA mais 
lentamente e de forma mais gentil (isso é o acerto da \u201crampa\u201d ou rise time). (Fig. 35) 
Muito importante perceber que quando se reduz a rampa, ou seja, limita-se o 
fluxo que pode ser usado logo na abertura da válvula, o ar entre menos turbilhonado, 
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e pode-se, em tese, demorar mais a atingir a diretiva primária em alguns pacientes. 
Isso pode ser ou não benéfico, a depender de cada caso e ser uma ferramenta a seu 
favor, fazendo com que o ventilador feche mais lentamente o fluxo, por exemplo, em 
pulmões mais rígidos (pacientes saindo de SARA) ou com maior resistência (certos 
casos como Asma) vez que permite que os alvéolos se abram e acomodem melhor o 
volume oferecido com fluxo mais baixo. Isso, claro, pode influenciar diretamente no 
tempo inspitatório levando a maior conforto para o paciente, que pode se acoplar 
melhor ao ventilador e diminuir, por exemplo, sua f espontânea. O VC gerado pode 
sofrer ganhos. Mas isso deve ser avaliado caso a caso. A regulagem da rampa é um 
recurso útil e interessante. Deve ser usado com cuidado, personalizando para cada 
caso. 
 
Fig. 35 \u2013 Regulagem da Rampa (ou rise time), com fluxo menos turbulento e 
lentidão para se atingir diretiva primária. 
 
Assim sendo, na Pressão de Suporte pode-se resumir: 
\u2022 DISPARO: feito pelo PACIENTE sempre, a fluxo ou a pressão 
\u2022 FLUXO: LIVRE, sempre decrescente 
\u2022 VOLUME CORRENTE: LIVRE 
\u2022 f respiratória: LIVRE 
\u2022 CICLAGEM: A FLUXO 
 
Parece então que a PSV é o modo ideal para se ventilar o paciente. No entanto, 
há limitações. Como depende da Complacência Estática, da Resistência e do esforço 
inspiratório do paciente, o Volume Corrente NÃO SERÁ garantido. Pode ser baixo ou 
excessivo, sendo um dos pontos que deve ser dar grande atenção no momento da 
regulagem deste modo. 
Um modo muito conhecido é na verdade a associação de dois modos já 
apresentados: é o SIMV + PSV. Uma vez entendido tais modos em separado, SIMV e 
PSV, facilmente você entenderá a união de ambos. Simplesmente visando diminuir o 
Trabalho Respiratório (Work of Breath, ou WOB) durante os ciclos espontâneos, onde 
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no SIMV \u201cpuro\u201d o paciente respirava sozinho contra a resistência do circuito do 
ventilador, ao se associar a PSV, ela vai entrar somente nos CICLOS ESPONTÂNEOS, ou 
seja, vai ajudar o paciente nesse momento. Claro que isso não deixa de ser uma forma 
de assistência do ventilador, mas convencionou-se assim mesmo denominar esse tipo 
de ciclo, mesmo ajudado pela Pressão de Suporte, como ESPONTÂNEO. 
 
PCV \u2013 Pressure Controlled Ventilation 
 
Se você compreendeu bem a PSV, concordará que pode-se denominá-la 
alternativamente de Pressão Controlada Ciclada a Fluxo. A PCV obedece a mesma idéia 
da PSV, porém ao invés de ser ciclada a Fluxo, é ciclada a tempo. Mas igualmente é 
CONTROLADA A PRESSÃO. 
ATENÇÃO: A PCV, é totalmente diferente da CICLAGEM A PRESSÃO, conforme 
mostrado anteriormente. 
Outra diferença importante entre ambas que precisa ser destacada é que na 
PSV a f é livre e totalmente dependente do paciente, ou seja, é um modo 
ESPONTÂNEO. Já a PCV é um modo considerado ASSISTIDO-CONTROLADO, onde 
poderá ser disparado a TEMPO pelo ventilador, numa f estabelecida pelo profissional, 
ou ainda pelo paciente (DISPARO A FLUXO OU PRESSÃO). A PCV pode ser usada 
também no SIMV, como explicado anteriormente (SIMVP). 
A PCV pode ser usada também em situações de alta complacência pulmonar ou 
ainda de vazamentos não solucionáveis a curto prazo como fístulas bronco-pleurais. E 
por quê? Porque quando há vazamento, há tendência de queda da Paw e isso não 
pode ocorrer (vai contra a \u201cdiretiva\u201d que o modo exige). Em função da DIRETIVA 
PRIMÁRIA, o ventilador acelera o Fluxo Inspiratório visando manter a Paw. Sem dúvida 
isto pode \u201calimentar\u201d a fístula, mas em contrapartida permite que se ventile os 
pulmões. 
NÃO EXISTE SUPERIORIDADE comprovada EM SE USAR CONTROLE A PRESSÃO 
CICLADO A TEMPO ao invés de CICLAGEM A VOLUME. Ambas as modalidades tem 
vantagens e desvantagens e PODEM SER USADAS para ventilar pacientes com as mais 
diferentes doenças, entre elas a SARA. O importante é que se respeitm as 
recomendações para uma ventilação com estratégia protetora, como recentemente 
reafirmou o III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. 
Pode-se resumir as características da PCV: 
\u2022 DIRETIVA PRIMÁRIA: manter a Paw no nível pré-determinado até o TEMPO 
INSP. atingir um certo valor, quando se iniciará a expiração; 
\u2022 DISPARO: A TEMPO, ou pelo PACIENTE (a fluxo ou a pressão) 
\u2022 FLUXO: LIVRE, sempre decrescente 
\u2022 VOLUME CORRENTE: LIVRE 
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\u2022 f respiratória: ASSISTIDO-CONTROLADA 
\u2022 CICLAGEM: A TEMPO 
\u2022 Problema: o VC não é garantido! 
\u2022 A relação I:E dependerá do TEMPO e f programada (f prog). 
\u2022 Muito usada pac. com Fístula bronco-pleural (air leak). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
f. Ciclagens em VMI e Modos Avançados 
 
Como demonstrado até então, os Modos estão diretamente ligados à forma de 
disparo e ao manejo da Janela de Tempo pelo profissional e pelo ventilador, ou seja, 
intimamente ligados ao início da INSPIRAÇÃO. No entanto para entender a ventilação 
mecânica é preciso dar continuidade e entender o que determina o fim da inspiração e 
o início da expiração. 
 Esse momento, onde o fluxo inspiratório se encerra e se permite o início do 
fluxo expiratório é denominado de CICLAGEM do ventilador. 
 A ciclagem pode se dar regulada por alguns parâmetros em VMI, a saber: 
\u2022 Ciclagem a volume: 
- O aparelho cessa a inspiração quando o VCi (volume corrente inspirado) 
atinge um valor pré-estabelecido. 
\u2022 Ciclagem a pressão: 
- O aparelho cessa a inspiração quando o Pico de Pressão proximal atinge um 
valor pré-estabelecido. 
\u2022 Ciclagem a tempo: 
- O aparelho cessa a inspiração após um tempo inspiratório (em segundos) pré-
determinado. 
\u2022 Ciclagem a fluxo: 
- O aparelho cessa a inspiração ao atingir um fluxo inspiratório pré-
determinado. 
 
Os diversos Modos de VMI podem então ser ciclados de formas diversas, a 
saber: 
 
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\u2022 MODO Controlado: 
- Pode ser ciclado a Pressão, a Volume e a Tempo 
\u2022 MODO A/C: 
- Pode ser ciclado a Pressão, a Volume e a Tempo. 
\u2022 MODO SIMV: 
- Pode ser a ciclado a volume e a tempo. O chamado SIMVP é controlado a 
pressão, mas ciclado a tempo. 
\u2022 MODO Pressão de Suporte: 
- É Ciclado a Fluxo 
 
Um modo muito conhecido é na verdade a associação de dois modos já 
apresentados: é o SIMV + PSV. Uma vez entendido tais modos em separado, SIMV e 
PSV, facilmente você entenderá a união de ambos. Simplesmente visando diminuir o 
Trabalho Respiratório (Work of Breath, ou WOB) durante os ciclos espontâneos, onde 
no SIMV \u201cpuro\u201d o paciente respirava sozinho contra a resistência do circuito do 
ventilador, ao se associar a PSV, ela vai entrar somente nos CICLOS ESPONTÂNEOS, ou 
seja, vai ajudar o paciente nesse momento. Claro que isso não deixa de ser uma forma 
de assistência do ventilador, mas convencionou-se assim mesmo denominar esse tipo 
de ciclo, mesmo ajudado pela Pressão de Suporte, como ESPONTÂNEO. 
Na SIMV, os ciclos controlados e assistidos podem ser ciclados a VOLUME, o 
que é mais comum. Modernamente, os ventiladores de última geração permitem que 
os novos modos, como PCV (Pressure Controled Ventilation) e PRVC (Pressure 
Regulated Volume Controlled)