Apostila Ventilação Mecânica
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Apostila Ventilação Mecânica


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para reduzir o auto-PEEP 
incluem a redução do volume corrente, aumento do fluxo inspiratório e redução da FR. 
 
Mudança da fase expiratória para a fase inspiratória 
 
A mudança da fase expiratória para a fase inspiratória pode ser determinada por um 
critério de tempo sem a interferência do paciente (ventilação controlada) ou através de 
esforço respiratório (ventilação assistida) ou de ambas (ventilação assisto-controlada). 
O conhecimento dos valores de volume corrente, fluxo e das pressões geradas durante 
as fases inspiratórias e expiratórias permite aferir propriedades mecânicas do sistema 
respiratório, incluindo o cálculo da resistência e complacência. 
 
 
Disparo por fluxo e por pressão em paciente submetido à ventilação controlada a volume. 
No traçado superior a detecção do esforço é definida por fluxo, enquanto no traçado 
inferior a detecção é por pressão. O ajuste adequado da sensibilidade deve permitir o 
disparo da ventilação com pequenos esforços. 
 
 
 
Ondas de pressão de via aérea 
 
A pressão inspiratória tem dois tipos de onda, rampa ascendente para o modo por 
volume com fluxo constante e retangular para os modos por pressão. No modo por volume, 
ao mudar a onda retangular de fluxo (modalidade VCV), produzem-se ondas de pressão com 
formas caracterizadas pelo fluxo que as geram. 
 
Ondas de fluxo 
 
As ondas de fluxo são quatro: retangular (fluxo constante durante toda a fase 
inspiratória), rampa descendente (o pico de fluxo inspiratório ajustado (PIF) é alcançado logo 
no início decaindo logo após), sinusoidal (o fluxo eleva-se gradativamente desde o início do 
ciclo quando no meio da fase inspiratória cai), e rampa ascendente (o fluxo eleva-se 
gradativamente até alcançar o PIF ajustado). 
 
 
 
 
 
Curvas de pressão da via aérea (Paw), taxa de fluxo (V) e volume corrente (VT) para as 
modalidades de fluxo inspiratório constantes, sinusoidal, acelerado e desacelerado. 
Mantiveram-se constante o tempo inspiratório, o VT, a complacência pulmonar e a 
resistência da via aérea. O pico da pressão inspiratória é mais alto na curva de aceleração e 
mais baixo na curva de desaceleração; contudo, a pressão média da via aérea é mais alta 
 
 
na última forma de onda de fluxo inspiratório; ou seja, os ventiladores podem ser 
classificados em geradores de fluxo constante ou não constante. 
 
Modos Básicos de Ventilação Mecânica Invasiva 
 
Embora existam diversas classificações disponíveis na literatura, duas são as mais aceitas. 
A primeira é baseada no tipo de ciclos respiratórios disponibilizados: controlado (CMV), 
assistido/controlados (A/C), ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV) e pressão 
positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). 
 
 
 
Quando se pensa em Modos de Ventilação Mecânica Invasiva (VMI) deve-se pensar na 
forma de início da inspiração. Os modos são baseados em como o ventilador inicia o processo 
de envio do ar para o paciente. Essencialmente, três são as formas de disparo do ciclo 
inspiratório comumente utilizado: a tempo, a fluxo e a pressão. 
É muito importante nesse momento explicar o conceito de Janela de Tempo, que é o 
tempo que ocorre entre o início de uma inspiração e o início da próxima inspiração. A forma 
de manejo da janela de tempo pelo microprocessador do ventilador irá caracterizar o modo da 
VMI. 
O modo disparado a tempo é o modo chamado Controlado, onde o profissional 
estabelece uma frequência respiratória (f) que deseja para o paciente. O ventilador divide 60 
segundos pela frequência e obtém a Janela de Tempo (em segundos). Por ex: f = 10 rpm; 
janela de tempo = 6 segundos. Assim sendo, ao se iniciar a inspiração será contado um tempo 
de 6 segundos, usado para fazer a inspiração e a expiração. Ao fim deste tempo, o ventilador 
enviará nova inspiração. No modo controlado, o volume / pressão gerados, bem como o fluxo 
de ar enviado são fixados pelo profissional e a duração da janela de tempo é fixa. 
 
 
Esquema da Janela de Tempo no Modo Controlado \u2013 Adaptado de Bonassa J, Ed. Atheneu, 
2000 
 
O paciente, no entanto, pode estar com seu controle da ventilação ativo (comumente 
chamado de \u201cdrive ventilatório\u201d) e querer empreenderem inspiração. Quando o paciente faz essa 
tentativa, o aumento do volume torácico gera queda na pressão intratorácica, queda essa 
transmitida para a pressão nas vias aéreas e detectada pelo ventilador, geralmente proximal ou 
internamente ao aparelho. Essa queda detectada é informada ao processador que \u201cinterpreta\u201d 
 
 
como desejo do paciente de receber ar e abre-se a válvula inspiratória. Esse tipo de disparo é 
chamado de disparo a pressão. 
Outra opção comum de disparo é o disparo a fluxo. Quando o paciente realiza a 
negativação da pressão, isso gera também um fluxo inspiratório, detectável por alguns tipos 
de ventiladores, que então identificarão essa mudança no fluxo como \u201cdesejo\u201d de receber ar e 
abrirão a válvula inspiratória. Ambos os tipos de disparo geram o envio de um volume e fluxo de ar 
variável ou de forma fixa. A depender destas variáveis, teremos então os chamados modos 
assistidos ou espontâneos, ambos sendo disparados pelo paciente, seja a pressão, ou a fluxo. 
 
 
Esquematização das curvas nos disparos a Fluxo e a Pressão. Adaptado de Bonassa, J. Ed. 
Atheneu, 2000. 
 
Desta maneira, podemos classificar os modos em quatro grupos básicos. 
 
 
Os quatros grupos de modos básicos 
 
Os modos disparados pelo paciente podem então ser divididos em Assisto-
Controlados, Assistidos e Espontâneos. 
No modo assisto-controlado, a sua grande característica é que a Janela de Tempo (JT) 
é variável, ou seja, caso o paciente esteja sem drive ativo, a JT será determinada em função da 
FR regulada, que nesse caso será totalmente enviada pelo ventilador. Em outras palavras, ao fim 
de cada JT o ventilador envia nova inspiração, num ciclo dito controlado, caso o paciente venha 
a \u201cquerer\u201d inspirar, o ventilador pode ser disparado por ele a fluxo ou a pressão. Uma vez 
disparada a nova inspiração, a JT terá sua contagem interrompida e zerada. Caso o paciente 
novamente dispare o ventilador, novamente a JT será interrompida e zerada. Isso é essencial 
para entender o modo assistido controlado, pois se o paciente parar de disparar o aparelho após 
seu último disparo, a JT terminará de ser contada e o ventilador já mandará um novo ciclo, agora 
controlado, para o paciente. 
 
 
 
Esquema da JT no modo Assistido-Controlado. Bonassa, J. Ed. Atheneu, 2000 
 
No modo assistido \u201cpuro\u201d (um modo antigo para desmame, em desuso), não há FR 
controlada estabelecida pelo profissional. O paciente dispara todos os ciclos ventilatórios. 
Nesse caso a JT é infinita, vez que nunca o ventilador irá enviar um modo controlado. Se o 
paciente subitamente fizer apnéia, este modo não prevê formas de resgate de segurança. 
Importante explicar que nos modos assisto-controlados e assistidos os fluxos 
geralmente são fixados pelo usuário, bem como volume corrente ou pico de pressão nas vias 
aéreas. 
 
Ventilação Controlada (CMV) e Assistido-Controlada (A/CMV) 
 
A CMV e A/CMV são modos de suporte totais pelos quais o ventilador realiza a maior 
parte de todo o trabalho necessário para manter uma ventilação minuto adequada. Os suportes 
totais são vantajosos em pacientes críticos que necessitam garantir uma ventilação minuto, com 
frequência muito alta. Esses modos também reduzem o oxigênio e a energia consumida pelos 
músculos respiratórios. Por essas razões, os modos de suporte totais são provavelmente 
preferíveis nas seguintes circunstâncias: (a) quando os pacientes são intubados pela primeira vez 
antes de uma avaliação completa: (b) em pacientes que requerem uma alta ventilação minuto; (c) 
em pacientes que têm um drive respiratório instável; (d) em pacientes