Apostila Ventilação Mecânica
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Apostila Ventilação Mecânica


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fluxo inspiratório; PIP, pico da pressão inspiratória; CLT, complacência toracopulmonar. 
Assim, por exemplo, quando a complacência toracopulmonar diminuir, sem alteração do 
tempo inspiratório, o pico da pressão inspiratória aumentará. Diante dessas condições, a taxa 
ou vazão do fluxo inspiratório poderá diminuir como resultado do aumento da pressão 
retrógrada e, consequentemente, o VT será menor. Pode-se restaurar o valor inicial do VT 
aumentando o tempo inspiratório e/ou a velocidade do fluxo inspiratório. 
 
 
Ventilação ciclada por tempo (Ventilação controlada por pressão PCV) 
 
A PCV é uma forma de ventilação limitada à pressão e ciclado a tempo. O volume 
corrente torna-se variável, dependente da relação entre a pressão de pico, tempo inspiratório, 
complacência e resistência do sistema respiratório. A taxa de fluxo e a forma da onda são 
igualmente variáveis. 
O prolongamento do tempo inspiratório e/ou o aumento da frequência respiratória permite a 
inversão da relação I:E. 
Alterações súbitas da resistência ou da complacência podem determinar reduções 
(hipoventilação) ou aumentos substanciais do volume corrente administrado (hiperdistensão). 
A PCV pode ser usada em situações de alta complacência pulmonar ou ainda de 
vazamentos não solucionáveis a curto prazo como fístulas bronco-pleurais. E por quê? Porque 
quando há vazamento, há tendência de queda da Paw e isso não pode ocorrer (vai contra a 
\u201cdiretiva\u201d que o modo estabelece). Graças à diretiva primária, o ventilador acelera o fluxo 
inspiratório visando manter a Paw. Sem dúvida isto pode \u201calimentar\u201d a fístula, mas em 
contrapartida permite que se ventile o pulmão. 
 
 
 
 
Curvas de pressão, fluxo e volume corrente em relação ao tempo na modalidade PCV. 
Ciclos assistidos com pressão e tempo inspiratório pré-definidos, com volume corrente e f 
luxo variáveis. 
 
Características da PCV: 
 
Diretiva primária: manter a Paw no nível pré-determinado até o tempo inspiratório atingir certo 
valor, quando se iniciará a expiração; 
 
Disparo: a tempo, ou pelo paciente (a fluxo ou a pressão) 
 
Fluxo: livre, sempre decrescente 
 
Volume corrente: livre 
 
Frequência respiratória: assistido-controlada 
 
Ciclagem: a tempo 
 
Problema: o VC não é garantido! 
 
A relação I:E dependerá do tempo e f programada 
 
Muito usada paciente com fístula bronco-pleural (air leak). 
 
 
Ventilação ciclada por fluxo (Ventilação com suporte de pressão- PSV) 
 
 
 
Modalidade basicamente espontânea com ciclagem a fluxo. Após o disparo inicial pela 
válvula de demanda, uma pressão predeterminada é atingida, mantendo-se em níveis estáveis 
até que o fluxo inspiratório (fluxo de corte) é atingido. O valor do fluxo mínimo pode ser fixo ou 
representar uma porcentagem do fluxo inicial, habitualmente 25% do seu valor máximo. 
O parâmetro pré-ajustado é o nível da pressão de suporte, sendo frequência 
respiratória, taxa de fluxo, duração da inspiração e volume corrente controlados pelo 
paciente. Nesta modalidade o volume corrente é amplamente influenciado pelo esforço 
inspiratório e resistência/complacência do sistema respiratório. 
As vantagens potenciais são uma melhor sincronia, redução do trabalho respiratório e 
menores efeitos hemodinâmicos; a principal desvantagem é a inconstância do volume 
minuto. 
Pode ser utilizada associada à SIMV com VCV ou PCV, ou como método isolado de 
ventilação, requerendo a presença de mecanismos de proteção em relação à possibilidade de 
apnéia (respiração de backup). 
A presença de vazamentos, independente do local que ocorram (circuito de ventilação, 
balonete da cânula traqueal ou fístula pleural) interfere na aplicação da modalidade. 
Diversos modos são recomendados para o ajuste do nível de pressão, tendo como objetivo 
obter-se um volume corrente na faixa de 5 a 8 mL/kg, ou um nível de pressão que permita a 
redução da frequência respiratória espontânea próxima a valores normais. 
A PSV é um modo que foi idealizado especificamente para retirada do paciente da VMI. 
Consiste em determinar ao processador do ventilador uma diretiva primária: manter a pressão 
nas vias aéreas (Paw) no nível pré-determinado durante toda a inspiração (isso significa que não 
se pode superar esse nível nem ficar abaixo dele). 
Para o ventilador realizar essa diretiva, o controle da válvula de fluxo é deixado a cargo 
do processador, que estabelecerá o fluxo necessário, à medida que o tempo inspiratório avança, 
objetivando sempre cumprir a diretiva primária, ou seja, manter a Paw no valor pré-determinado. 
A variação na velocidade do fechamento da válvula de fluxo será maior ou menor em função do 
esforço do paciente e da complacência do seu sistema respiratório. 
Assim que se abre a válvula de fluxo inspiratório, o fluxo gerado nos primeiros décimos 
de segundo é elevado, o suficiente para se atingir a diretiva primária. Ocorre que nosso pulmão 
tem complacência, ou seja, à medida que o ar entra, os alvéolos têm tempos de abertura e 
resistência heterogêneos e isso vai gerando abertura gradual do pulmão como um todo. Essa 
capacidade de acomodar o volume de ar pode ser maior ou menor, a depender da resistência e 
complacência das vias aéreas e dos alvéolos, permitindo então que a diretiva primária possa ser 
atingida em tempos distintos para cada paciente e situação clínica. Assim sendo, logo de início se 
estabelecerá um pico de fluxo inspiratório, após o qual, o ventilador irá fechando a válvula 
inspiratória progressivamente a fim de manter a Paw dentro da diretiva primária. 
 
 
 
 
Curvas de pressão, fluxo e volume em relação ao tempo na modalidade PSV. Ciclos 
ventilatórios espontâneos com pressão de suporte pré-definida, com volume corrente e 
fluxo variável. 
 
Importante perceber como se dá o fechamento da válvula inspiratória e a abertura da 
válvula expiratória, ou seja, a ciclagem na PSV. Observe que o fluxo inspiratório diminui 
progressivamente até um determinado momento, quando cessa o fluxo inspiratório e inicia-se o 
fluxo expiratório. 
O que determina a ciclagem é um determinado ponto do fluxo inspiratório, que pode vir 
pré-determinado de fábrica (e assim sendo não ser regulável), por exemplo, 9 litros por minuto. 
Isso acontece em ventiladores mais antigos. Posteriormente percebeu-se que como o pico de 
fluxo inspiratório na PSV variava muito a depender da complacência e do esforço realizado pelo 
paciente, a melhor estratégia não seria fixar o ponto de ciclagem. Assim sendo, ventiladores 
passaram a incorporar a ciclagem baseada numa porcentagem do pico de fluxo. Por exemplo, 
25% do pico de fluxo seria o ponto de ciclagem, fixado de \u201cfábrica\u201d e inicialmente inalterável. 
Nesse caso, se o pico fosse 100 lpm, quando se atingisse 25 lpm a inspiração se findaria. No 
entanto, caso o Pico fosse de 50 lpm, a inspiração se findaria teoricamente no mesmo tempo, 
mas a 12,5 lpm. Isso permitiu com que houvesse maior conforto do paciente e que o tempo 
inspiratório lhe fosse mais conveniente e confortável. 
 
 
 
 
A porcentagem do Pico de Fluxo influencia até quando o ventilador mantiver a inspiração. 
 
No entanto, se o paciente tiver um pulmão muito complacente, como por exemplo, na 
DPOC enfisematosa, a tendência do mesmo é acomodar facilmente o volume de ar que entra, 
gerando grandes volumes correntes com baixa Paw. Isso força o processador a diminuir o fluxo 
inspiratório de forma muito mais lenta, demorando mais tempo a atingir a porcentagem para 
ciclagem. Isso poderá ocasionar um tempo inspiratório prolongado e poderá trazer malefício 
ao paciente. 
Assim sendo, modernamente os ventiladores de última geração permite que se possa 
modificar a porcentagem do pico de fluxo, regulando-se então a denominada sensibilidade da 
porcentagem de ciclagem (Esens%). 
Com isso pode-se em situação